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Algodão orgânico tem resposta produtiva durante todos os anos da maior seca dos novos tempos

SR201017aDesde o final do inverno do ano 2011 até os dias atuais a região semiárida vem enfrentando uma das maiores secas dos últimos 100 anos com uma realidade que afetou de forma direta a agropecuária em todos os estados nordestinos e na Paraíba a realidade foi igual com realidade de perdas assustadora.

Um fato que chama a atenção é a experiência da agricultura familiar do Assentamento Margarida Maria Alves, no município de Juarez Távora, Agreste paraibano, onde as famílias conseguiram produzir o algodão, de forma orgânica, durante toda a cíclica 2012/2017. “Quer que eu diga quanto que eu lucrei de 2013 pra cá, porque 2012 não tenho lembranças e foi fraco também. Em 2013 eu apanhei ‘seis mil’ quilos de algodão, o roçado era no outro terreno ali; aí veio 2014, apanhei ‘quatro mil e setecentos’ quilos, foi baixando; daí veio 2015 apanhei ‘dois mil e quatrocentos’ no mesmo roçado; aí veio 2016 apanhei ‘dois mil e quinhentos’ quilos”, explica o agricultor Aluísio Rodrigues dos Santos, Nero, componente do coletivo de 21 famílias que produzem algodão naquele assentamento, dizendo que neste ano 2017 a expectativa é de que a produção supere os demais anos, sem no entanto querer arriscar a previsão de produção.

Marenilson Batista da Silva é pesquisador da Embrapa Algodão Campina Grande, ao ser entrevistado por Stúdio Rural, explica que foram seis anos difíceis em que as perdas na agricultura aconteceram por todos os estados do Nordeste, mas asseverou que o algodão é cultura dotada de muita resistência que foi sendo interpretada pela pesquisa participativa sobre como trabalha-la no melhor tempo para o melhor aproveitamento da cultura e para o processo de melhor controle de doenças, insetos e pragas. “O que nós estamos fazendo neste processo de pesquisa e práticas participativas está comprovado que é seguro o que estamos fazendo, no entanto a gente não pode perder de vista as mudanças climáticas, mudanças na natureza, mudanças na resistência das pragas, por isso que a presença da Embrapa é fundamental porque ao mesmo tempo em que a gente está orientando, está assessorando nestas coisas, nós estamos fazendo pesquisas e esse trabalho aqui no Margarida Alves, a experiência do Assentamento Queimadas em Remígio; no Assentamento Zé Marcolino, na Prata com Unidades de Referência Tecnológica do Algodão consorciado com culturas alimentares que é exatamente onde a gente está testando modo de plantio, espaço de planta, testando o manejo em si e isso tudo sendo catalogado porque é a forma da gente comprovar mais à frente o que feito e quais os resultados. Já fizemos várias oficinas da construção do conhecimento e ainda esse ano nós iremos fazer em cada localidade dessas o que chamamos de um seminário de safra que é um seminário de avaliação de tudo que nós construímos, com avaliação da parte técnica de produção, mas também principalmente a parte econômica fazendo um planejamento, no que deu certo melhorar e no que deu errado não fazer mais, para que no ano que vem possamos ter um bom plantio e também continuar tendo uma boa safra”, explica aquele pesquisador componente do Núcleo de Agroecologia da Embrapa Campina Grande.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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