Agricultores de Casserengue realizam mais um dia em campo de pesquisa participativa com variedades de milho

Agricultores e agricultoras familiares agroecológicos do município de Casserengue, Curimataú paraibano, realizaram mais um encontro em campo de experimentação e pesquisa com dez variedades de milho numa diversidade que envolve cultivares trabalhadas por famílias do município e variedades pesquisadas pela Embrapa e distribuídas nos programas governamentais.

O encontro aconteceu na última terça-feira(13/09) num roçado produtivo sistematizado no Assentamento Santa Paula, com plantio das variedades em diversas pequenas unidades para que sejam observadas em pesquisa durante o ano todo desde o período da análise em laboratório do solo, preparo do solo, plantio, acompanhamento do processo do desenvolvimento das culturas desde a brotação, raleação, tratos culturais até o processo de colheita onde passo a passo as famílias vão se encontrando para as avaliações.

Maria José Ramos da Silva é estudante de ciências agrárias na Universidade Federal da Paraíba(UFPB), em Bananeiras, estagiária na AS-PTA, participa no processo de pesquisa participativa e continuada e falou com a equipe Stúdio Rural dizendo considerar um trabalho muito positivo por haver uma interação dos conhecimentos num processo de compartilhamento coletivo e disse que com os resultados sistematizados fica mais fácil para o agricultor fazer uma escolha do tipo de cultura de milho a ser plantado em cada safra levando em consideração sua necessidade. “O que é interessante nisso é porque cada variedade ela apresenta características de sua região e do agricultor, porque o agricultor vai escolher a variedade que ele quer, muitas vezes ele procura uma variedade que não se desenvolva muito, mas que tenha uma boa produção de grãos; outra variedade que os grãos sejam pequenos e dar para as galinhas, que tenha mais produção e vá para a produção animal na alimentação animal, então essa diversidade é que complementa e dá vida a agricultura familiar”, explica a estudante ao dialogar com os ouvintes do Programa Universo Rural desta quinta-feira(15/09).

José Paulo da Silva é agricultor com moradia e ação na comunidade Pedrinha D’água e, ao participar de Universo Rural, disse que essa é uma nova modalidade para os agricultores e agricultoras trabalharem na busca de compreensão da dinâmica e formas de produção e busca dos novos e atualizados conhecimentos e avaliou as variedades trabalhadas na pesquisa. “Eu vejo que todas as variedades são boas, mas, no meu caso, o Catingueiro eu vejo que é um milho de qualidade, assim como o Pontinha, e o Milho Branco, agora a gente tem que ver também que muita gente olha só a qualidade da semente, mas a gente tem que ver também o solo, temos solo arenoso, outros solos que é mais barro e é um solo que precisa de mais água, mais trato e mais chuva”, sugere o agricultor dizendo que hoje as famílias estão cada vez mais estudando seus materiais e a realidade em que vivem.

Moacir Paulo Luciano é agricultor residente no Assentamento Santa Paula e disse que a experiência está valendo porque envolve técnicos pesquisadores e famílias agricultoras que fazem parte da dinâmica dos Bancos Comunitários de Sementes do Pólo e que com a construção do conhecimento ficará um material técnico escrito para as gerações futuras com registros das qualidades genéticas das sementes da paixão. “Do jeito que os técnicos se comportam em suas pesquisas, nós agricultores e os filhos dos agricultores e agricultoras, as mulheres filhas dos agricultores todas têm suas pesquisas de como plantar, colher e preservar as sementes”, explica Moacir ao dialogar com os ouvintes da Rádio Bonsucesso de Pombal AM 1180 kHz.

Wagner dos Santos faz parte do projeto de pesquisa financiado pelo CNPq com estágio entre Embrapa Tabuleiros Costeiros e AS-PTA, participou do Universo Rural e falou sobre o trabalho que vem sendo feito entre as parceiras. “Aqui foi apresentado, discutido e avaliado o que tinha sido iniciado em 2009 naquele processo onde a ASA, junto com as instituições e a Embrapa, teve aquela discussão e a construção de várias variáveis para serem avaliadas em postos de trabalho”, explica aquele profissional das ciências agrárias argumentando que a dinâmica de ampla variedade pôde mostrar resultados e potenciais de cada variedade de sementes. “As variedades que ficam sendo mais trabalhadas eles(agricultores) vão colocar essas características e para cada sistema de produção o agricultor vai colocar a sua característica, por exemplo, aqui a gente tem a característica das plantas com menor porte, mas a característica de produção de grãos, enchimento de espiga melhor e principalmente a variedade ligeirinho que é uma variedade multiplicada aqui na região e no município e é a que se adaptou e produziu melhor”, explica.

Expedito Pereira de Lima é agricultor residente no Assentamento, trabalha com banco de semente com práticas desde os avós e bisavós e disse que o processo vem inovando na forma de ver e fazer por parte das famílias agricultoras e garante que a prática mostra bons caminhos para o processo dos bancos familiares e comunitários de sementes. “Já guardo sementes há muitos anos, é aquela semente de milho ligeirinho que dá em 60 dias, é sem pareia”, explica dizendo que é uma variedade de milho bom pra se comer assado, bom pra plantar, bom de pé, boa espiga, bom pra fazer a farinha dentre outras qualidades.

O campo é trabalhado entre os agrônomos e profissionais diversos da AS-PTA e entidades do pólo da Borborema numa parceria com a Embrapa e está composto pelo plantio das variedades de milho Catingueiro, 60 dias de Solânea, Ligeirinho, Sertanejo, Pontinha, Sabugo fino, Milho Branco, 1051, Jabatão e Hibra de Solânea.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Universo Rural

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