Agricultores do Pólo fazem balanço de safra e planejam compra de sementes agroecológicas neste 2012

Agricultores componentes da Comissão de Sementes do Pólo da Borborema se reuniram na última quarta-feira(15/08), em Lagoa Seca, para discutir a safra agrícola 2012 nos municípios do Pólo Sindical e das Entidades da Agricultura Familiar da Borborema que envolvem Agreste, Brejo e Curimataú.

Diversos municípios do Agreste e Brejo registraram produção agrícola mesmo diante da seca que se apresenta em todo o Nordeste com ênfase positiva de produção para Queimadas, Massaranduba, Lagoa Seca, São Sebastião de Lagoa de Roça, Alagoa Nova, Esperança, Montadas e Areial que viveram meses com chuvas e sol, o que fez com que esses municípios registrassem excelente qualidade na semente produzida, especialmente de feijão.

Joaquim Pedro se Santana é componente da Comissão de Sementes e reside no município de Montadas, ele participou do Programa Domingo Rural falando sobre o processo de produção naquele e em outros municípios e sobre a perspectiva de fortalecimento nos bancos de sementes comunitários e banco mãe de sementes do Pólo. “Nós estamos com um ano muito trágico, mas nós aqui na Borborema nós dos sindicatos, organizações de associações e agricultores em geral que fazem parte do Pólo da Borborema já fizemos um retrato da agricultura nessa região e nós temos sementes, agora não é muita semente como esperado, mas o que estamos fazendo? Nós estamos em todos nossos municípios com nossos agricultores responsáveis nos sindicatos, associações tirando estratégias para começar captar todas as sementes de boa qualidade pra gente manter nosso estoque de armazenamento de sementes”, explica Joaquim justificando o sentido da reunião acontecida.

Aquele agricultor explicou que a região tem clima privilegiado com relação as diversas regiões do estado da Paraíba de forma que na maioria dos anos faz duas safras e neste ano, com a realidade de seca, ainda conseguiu produzir uma safra no final do semestre do ano. “Como nós estamos no Agreste da Borborema a gente sempre tem privilégio que mesmo com pouca chuva mas sempre dar, então nós vamos ter o de se alimentar e nosso critério é primeiro as sementes que é o futuro da genética, segundo será alimentação e o excedente será para o mercado”, explica dizendo que esse excedente está sendo comprado pelas entidades para o processo de fortalecimento dos bancos de sementes com o apoio da Conab.

Severina da Silva Pereira, Silvinha, é agricultora componente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Queimadas, reside na comunidade Maracajá e garante que os agricultores agroecológicos estão conseguindo produção neste ano já que desenvolvem o processo de plantio com sementes adaptadas a região e usam táticas e práticas de convivência com a realidade semiárida. “Algumas comunidades que a gente já visitou os agricultores têm uma boa produção, quem plantou da semente crioula, da semente da paixão deles a produção vai ser boa”, explica dizendo que as famílias plantaram na segunda quinzena de junho e que o processo de bancos comunitários de sementes no município já estão bem organizados. “Queimadas é muito organizado, temos nove bancos de sementes que têm grande importância, esse ano o banco de sementes não precisou pegar das sementes vindas do governo por causa que eles tendo sua própria semente não necessitou pegar a do governo”.

José de Assis Sousa é presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Esperança, participou da reunião e dos Programas Rurais de nossas emissoras parceiras falando sobre o ano agrícola 2012 na região. “Apesar do ano ter sido um ano de pouco inverno, mas nós no município de Esperança eu sempre digo que somos privilegiados porque aqueles agricultores que aproveitaram, como a gente diz, o rastro da chuva, esse tem uma boa safra de feijão boa mesmo de qualidade, tanto em quantidade como em qualidade”, explica dizendo que a produção de milho é que foi negativa em razão do estágio avançado na época do plantio.

Ailton Guilhermino Dias é diretor do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Sebastião de Lagoa de Roça e, ao dialogar com Stúdio Rural explicou que aquele município faz parte dos municípios com produção nesta safra agrícola o que fará com que muitas famílias que trabalham agroecologia ao efetivar a venda do excedente as entidades do Pólo compra o produto e faça a distribuição na rede de bancos comunitários de sementes daqueles municípios que contabilizaram frustração na safra. “Estamos com uma expectativa muito boa porque a gente vendo a dificuldade com o inverno desse ano, mas mesmo assim a gente está otimista com expectativa de um lucro em que não vou dizer de 100%, mas entorno de 80%”, explica dizendo que a qualidade é de excelente produto. “Na questão da qualidade vai ser uma semente muito boa porque quando o ano é de muito inverno, a semente varia, não uma semente de boa qualidade, mas por ser um ano de estiagem nós agricultores vamos está com esperança de ter uma semente muito boa”.

Alagoa Nova é dos municípios com produção relativamente boa e, segundo o agricultor José de Oliveira Luna, Zé Pequeno, a semente de qualidade está garantida para o processo de fortalecimento dos bancos comunitário e o banco mãe de sementes do Pólo, mas garante que a quantidade de água é bastante preocupante. “A semente temos para abastecer os bancos de sementes familiares porque aonde se planta muito a gente tem certeza que colhe ou muito ou pouco, porque é o seguinte: o agricultor que tem a semente na sua residência, no seu banco comunitário, no banco familiar, ele tem mais condições de plantar, e num inverno como esse você sabe, foi assim: quem plantou no rastro das chuvas tem lucro porque quando o agricultor tem a semente ele planta diversas vezes, e quando não tem ele só planta uma vez”, explica Zé Pequeno reforçando a importância de se trabalhar o processo de abastecimento dos bancos de sementes como forma de ter a semente para o plantio nos momentos mais propício das invernadas.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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