Assentados do Cariri e Sertão visitam manejo florestal produtivo no Curimataú paraibano

Agricultores familiares de assentamentos rurais da região do Cariri Oriental, Sertão e Cariri Ocidental participaram de um encontro de mobilização e troca de experiências na cidade de Cuité, em evento que aconteceu na última quinta-feira(06/10), tendo como local o Sindicato dos Trabalhadores Rurais daquele município e na sexta-feira(07/10) as atividades aconteceram no Assentamento Brandão I, distante 12 quilômetros da sede municipal.

Participaram agricultores de assentamentos do município de São Sebastião do Umbuzeiro e Sumé, no Cariri Ocidental; assentados da reforma agrária do município de Boqueirão e Pocinhos, no Cariri Oriental e agricultores do município de Desterro, Sertão paraibano, todos vivenciando experiências com o sistema produtivo com manejo florestal sustentável e comunitário.

O tema foi evidenciado no Programa Domingo Rural deste domingo(09 de outubro) que participou do evento promovido pela ONG SOS Sertão numa parceria com o Serviço Florestal Brasileiro do Ministério do Meio Ambiente, representando espaço de intercâmbio e troca de experiências evidenciando práticas e manejos que fazem da produção de madeira mais uma atividade produtiva á somar com a prática diversificada da agricultura familiar.

Na propriedade as famílias compartilharam informações trabalhadas onde conheceram uma área em colheita da lenha e uma outra propriedade no assentamento que teve o processo de colheita feita a dois anos passados que já apresenta resultados de regeneração das culturas madeireiras, dando ciclo normal ao processo produtivo da mata além da troca de experiências cm as famílias que já estão em pleno processo de produção de mel e beneficiamento que se dá a partir da casa do mel destinada ao beneficiamento dos produtos da apicultura.

“Foi muito bom, a gente já aprendeu muitas coisas porque lá a gente ainda não tem, mas esse projeto já está lá com a gente também, vamos começar se Deus quiser e vamos tentar fazer o melhor, do jeito que aprendemos aqui, ganhar mais e gerar as condições para nossa mata não acabar”, explica o agricultor Antônio Augusto da Silva, residente no Assentamento Fazenda Malhada de Pocinhos, Cariri Oriental, acrescentado que no assentamento as famílias enfrentam dificuldades, mas com o acompanhamento da ONG SOS estão preparando um programa de manejo florestal a ser executado, em breve, como forma de complemento na geração de trabalho e renda na agricultura local.

“Achei muito proveitoso porque adquiri grandes informações para levar lá pra minha associação a qual sou presidente no Assentamento Serra da cruz, município de Boqueirão, e só temos o que lucrar porque vi formas importantes que o homem do campo tem que adquirir se quiser viver bem melhor no nosso Sertão”, explicou João Batista da Trindade, resiente no Assentamento Serra da Cruz de Boqueirão e disse que o Serra da Cruz ainda apresenta condições para se iniciar um trabalho de produção de madeira de forma sustentável. “Estamos trabalhando pra isso, estamos esperando sair a liberação para que seja mais uma fonte de renda, porque no tempo de inverno é a cultura de subsistência e já no período seco a gente vai ter mais um dinheirinho extra pra entrar no nosso bolso”.

José Humberto Pontes de Souza, Beto, é agricultor beneficiário no Brando I de Cuité, é beneficiário do novo sistema de manejo, faz agricultura tradicional e, juntamente com diversas outras famílias, aprendeu o valor da mata e, como prova, trabalham apicultura com produção de mel que já está sendo beneficiando através de uma casa beneficiadora que foi financiada com recursos do Pronaf e está proporcionando entrega de produtos para mercados locais e programas governamentais e garante que tudo começou a partir da chegada das organizações parcerias na comunidade. “Ajudou porque antes delas chegarem aqui o que acontecia muito aqui era a desmata mesmo, o cara chegava lá de fora e chegava a comprar até o hectare da mata por R$ 100,00 reais e metia o pau deixando a mata deitada aí e ia embora. Desde que foi chegando a SOS Sertão aqui isso freou e praticamente andando bem”, explica o agricultor ao dialogar com os ouvintes das emissoras parceiras nesta manhã de domingo.

Gaudêncio Pereira dos Santos é agrônomo projetista em Cuité, parceiro da SOS Sertão e fez um balanço do trabalho que se constrói na modalidade sustentável, deixando claro que produção de lenha é uma necessidade já que o corte só é possível em áreas que trabalhem manejos sustentáveis e disse da importância da fiscalização das entidades no trabalho citando exemplo de práticas predatórias que existiram no passado próximo que atingia o ser humano e o meio ambiente que se não tivesse sofrido interferência teria acabado as matas e empobrecido as famílias camponesas. “Quando foi em 2005 que o pessoal da SOS Sertão decidiu elaborar o projeto e tocar em frente e implementar havia aqui uns atravessadores aqui do Brejo de Guarabira e Areia que vinham pegar lenha totalmente ilegal, eles chegavam, compravam um hectare por R$ 100,00(cem reais) aos agricultores, aqueles agricultores com mais necessidade e não conscientizado da situação não ofereciam nenhuma resistência e vendiam á preços bem dizer de graça. Onde um hectare dá pra tirar 120 metros que por baixo o agricultor venderia por R$ 20,00 daria R$ 1500,00 por hectare, ele vendia ao preço de R$ 100, 00 e muitas vezes o agricultor sem conhecer as dimensões da área é que eles(madeireiros) tiveram dois hectares e meio(2,5 hectares) sem mesmo sequer comunicar ao agricultor”, explica aquele profissional das ciências agrárias afirmando que todas as conclusões foram tiradas a partir do uso de equipamentos especializados GPS, teodolitos dentre outros.

José Francisco da Silva é agricultor naquele assentamento, está trabalhando a colheita de lenha com o acompanhamento das entidades parceiras e falou à equipe do Domingo Rural sobre o trabalho que gera trabalho, renda e solidariedade no meio social. “Eu estou sendo patrão e amanhã posso ser também trabalhador para os outros, hoje convido meus colegas trabalhar na minha área de manejo aqui e amanhã ou depois quando vier pra dele, ele me convida e eu vou ajudar ele também”, explica o agricultor durante ampla entrevista no Programa Domingo Rural deste domingo. Ele explicou que esse é o ano da produção dele e da família dele e que a cada ano uma família vai sendo contemplada para fazer o corte da lenha de toda a propriedade e que com vinte anos depois o ciclo se completa e chega a vez dele fazer o corte na unidade produtiva dele novamente. “A idéia é boa, porque todo tempo tem serviço, a gente hoje é patrão, amanhã é trabalhador e sempre vai um ajudando o outro trabalhar, hoje eu estou pagando e amanhã ou depois eu estou ganhando também”.

José Jandir Lima Santos é jovem agricultor residente no Assentamento Fazenda Nova de Desterro, no Sertão paraibano, dirige a associação dos agricultores e falou da importância de ter compartilhado das informações e poder levar as informações para o assentamento sertanejo fazendo com que se intensifiquem as ações junto aos agricultores sertanejos. “Lá temos muita mata, por isso que ele(SOS Sertão) procurou a gente pra fazer esse manejo florestal da mata que é muito boa”, explica o agricultor dizendo que a apicultura integrada no manejo apresenta-se como forte instrumento para o aumento da renda dos agricultores da região.

O coordenador da SOS Sertão, Joaquim Araújo de Melo Neto, ao falar no Domingo Rural, disse que o intercâmbio está sendo uma das formas eficientes de ampliar as idéias e ações desenvolvidas e trabalhadas pelas organizações parceiras onde os agricultores puderam ver na prática o que acontece com a vegetação que é tirada de forma legalizada e sustentável em função da regeneração e formação da mata. Ele falou sobre as ações desenvolvidas e disse ser mais uma alternativa para as famílias agricultoras nos assentamentos do programa nacional de reforma agrária do governo federal. “Além do manejo florestal nós tivemos também a iniciativas de mostrar uma criação de abelhas num projeto de apicultura desenvolvido no assentamento onde os agricultores estão conseguindo já receber algum recurso aumentando a sua renda, então os outros agricultores que não tinham essa informação e que ainda não tinham recebido essa mensagem, passaram a questionar também os outros agricultores em relação a essa atividade, não só a conservação dos recursos naturais da propriedade, como também o aumento da sua relação ao trabalho, emprego de recursos no bolso dele para que ele possa sobreviver”.

Fonte : Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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