Bahia industrializa produtos do umbu sem uso de gelo, corantes ou conservantes

Pra falar sobre o trabalho que vem se fazendo com o beneficiamento da fruta do umbu sem uso de gelo, corantes ou conservantes com uma capacidade de preservação do alimento que resiste de, no mínimo, uma safra a outra foi a temática trabalhada no Programa Domingo Rural deste domingo 24 de janeiro pela assessora técnica do IRPA, Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada, Elizabete Oliveira Costa Santos.

Em entrevista ela informou que a Bahia já tem importante trabalho de agregação de valor ao produto do umbu a partir da industrialização que foi gerando trabalho e renda para elevado número de famílias naquele estado e lembrou que tudo é feito de forma natural sem uso de qualquer produto industrializado para a conservação da polpa da fruta. “Desde dez anos quando começamos a trabalhar a industrialização das frutas nativas e em especial o umbu, que já pensamos em tecnologia, levar pra o campo tecnologias que sejam de fácil acesso ao agricultor familiar considerando que nem todas as comunidades rurais ainda têm acesso a energia elétrica e se tem acesso a energia elétrica as vezes não tem acesso aos equipamentos como os freezers e câmeras frias ou outros equipamentos para o processamento de industrialização, então já começamos pensando tecnologias mais simples, ou seja, tecnologias que não precisem de energia elétrica para a conservação dos produtos, também numa tecnologia que seja natural, o mais natural possível que não precise ser aditivados nenhum tipo de produtos. Então trabalhamos uma tecnologia de cozimento da fruta, armazena em tonéis, em dornas, em vasilhames apropriados pra esse fim e armazena em temperatura ambiente sem necessariamente passar por nenhum tipo de refrigeração e também não é colocado aditivo nenhum”, explica Elizabete, justificando que o umbu por sua própria natureza possui propriedades conservantes capazes de manter o produto sem nenhuma alteração por um período superior a um ano.

Em contato com os ouvintes do Programa Domingo Rural aquela assessora explicou sobre como fazer para manter o produto em condições ambiente dentro de padrões seguros para a alimentação humana. “É claro que precisa adquirir os vasilhames adequados, são vasilhames plásticos grandes de 50 quilos, de 25 quilos que sejam de melhor manuseio para a família, então uma vez que você tenha esses vasilhames você pode cozinhar o umbu, trazer ele quente ainda do jeito que tirou lá do fogo com a temperatura a 100 graus ou mais, trazer ele quente despejar no balde, tampar imediatamente e guardar em temperatura ambiente mesmo sem a necessidade de ser congelado e aí ele dura durante todo o período da entressafra do umbu, ou seja, a safra do umbu terminou no mês de abril, você armazenou a matéria prima, a polpa você tem a polpa armazenada lá no balde na cozinha ou na dispensa até o mês de dezembro, de janeiro quando chega a próxima safra de umbu. Então essa matéria prima armazenada durante o ano todo você pode trabalhar o ano todo fazendo doce, fazendo geléia, fazendo outros tipos de produtos de umbu”, explica Oliveira.

Ela informou que tudo se iniciou a partir de um trabalho de conscientização a cerca do potencial da cultura nativa da região, em seguida se trabalhou a capacitação em torno da tecnologia adaptável a região associado a utilização dos produtos na alimentação das famílias e busca de mercado para o consumo da produção. “Os primeiros trabalhos que começamos a fazer em parceria com a Embrapa Semiárido porque era o órgão que tinha a pesquisa nas mãos, então começamos a pegar essa pesquisa e divulgar as pesquisas nas comunidades, fazendo capacitações dos agricultores e das agricultoras familiares, principalmente dos jovens, das mulheres que é quem hoje tem se empenhado nesse trabalho, gosta muito da atividade e tem realmente transformado essa atividade na sua principal fonte de renda e de trabalho. Então começamos a cadastrar essas famílias, essas lideranças porque nós acreditamos que quando a gente desenvolve competências na própria comunidade o trabalho tem um avanço muito maior, muito mais rápido também. Então o nosso trabalho foi capacitar essas pessoas, essas lideranças, a partir daí as próprias pessoas capacitadas começaram a dar continuidade ao trabalho, começaram a capacitar seus companheiros lá nas comunidades, começaram a capacitar outras lideranças e começaram a organizar o trabalho lá na comunidade e a partir dessas capacitações das pessoas foram chagando mais pessoas que foram se interessando, foram crescendo em número e grupo de pessoas em fazer o trabalho e com essas famílias nós criamos uma cooperativa, hoje já são mais de duas ou três cooperativas já organizadas sem contar o número de grupos de associações que foram surgindo a partir desse trabalho e hoje estão contribuindo aí na organização do trabalho”, relata Elizabete ao dialogar com os ouvintes das emissoras parceiras na manhã deste domingo.

Ela lembrou que o estado da Paraíba também poderá chegar a sustentável realidade enfrentada pela Bahia, bastando que as comunidades continuem se organizando e buscando apoio de entidades parceiras no sentido de facilitar o trabalho. “Acredito que a Paraíba inclusive que é uma região também grande produtora de umbu ela poderá á medida que for organizando o sistema produtivo do umbu, claro que ela pode chegar também a desenvolver esse trabalho de processamento de industrialização e a comercialização dessas frutas de modo a gerar grande renda para as famílias desses estados numa vez que nestes estados a gente percebe que a região já é propícia para o cultivo dessas espécies e só precisa a gente organizar esse sistema produtivo pra trabalhar, claro pra ampliar a produção, não ficar apenas nessas coletas dos frutos nativos, mas de organizar a produção, organizar a industrialização e evidentemente a comercialização dessa produção”.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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