Barragem subterrânea e armazenagem de forragem transformam vida de família agricultora no Coletivo Regional

Um conjunto de ações desenvolvidas na unidade rural da família do agricultor Petrônio Fernandes de Oliveira e da esposa Ivoneide Nunes de Oliveira estão proporcionando capacidade de produção de alimentos agroecológicos para a alimentação da família e com venda diretamente aos consumidores e aos programas governamentais PAA, Programa de Aquisição de Alimentos e PNAE, Programa Nacional de Alimentação Escolar com ações que acontecem na unidade rural situada na comunidade Sussuarana de Juazeirinho, Cariri Oriental da Paraíba.

Petrônio Fernandes de Oliveira explicou que o trabalho estruturador vem sendo desenvolvido desde o ano de 2003 com a construção de cisterna de placas com capacidade para 16 mil litros, construção de uma barragem subterrânea, trabalho de cercas com telas destinados ao processo de produção e criação de pequenos animais e aves de capoeira, cisterna adaptada à agricultura e atualmente o processo de produção de ração para os animais através do uso natural e o processo de armazenagem de forragem através de silos superficiais e, ao participar do Programa Universo Rural de dia 26 de agosto e Programa Domingo Rural de 04 de setembro de 2011, garante que toda ação sustentável tem início pela construção de uma cisterna de placas e segmentada pelas diversas ações integradas. “Eu já passei por muitas dificuldades, já vi muito tempo ruim aqui de seca e depois desse Programa Um Milhão de Cisternas melhorou muito para o pequeno agricultor e seu rumo de vida porque aquela necessidade de você sair pra pegar água num canto e noutro, graças á Deus acabou”, explica aquele agricultor que faz parte do atual projeto Água no semiárido que tem patrocínio da Petrobrás via Programa Petrobrás Desenvolvimento e Cidadania.

Ao dialogar com os ouvintes das emissoras parceiras de Stúdio Rural, aquele agricultor garantiu que ganhos importantes foram contabilizados a exemplo do cultural já que toda a família que deveria ter parte do tempo tomado para o processo de aquisição de água em barreiros, barragens, tanques e outros equipamentos hídricos longe da propriedade. “Está bem melhor, graças á Deus minhas filhas desenvolveram no estudo delas, minha riqueza é essa, elas estão se desenvolvendo e estudando e, graças á Deus, foi muito bom, melhorou muito”, comemora.

Petrônio fez um balanço e garante que avanços econômicos se registraram desde o início das ações na unidade rural. “Aqui eu não tinha um pé de planta nenhum, aqui na minha propriedade tinha um pé de umbuzeiro e mesmo assim ele morreu em conseqüência da seca e, através de uma visita que a gente fez lá em Lagoa Seca no sítio de um rapaz lá, eu trouxe a experiência pra cá que eu vi muitas plantas lá num terreno pequeno com muita coisa e pensei em botar em prática alguma coisa e graças á Deus hoje em minha propriedade tem 110 pés de cajueiros, tem 10 pés de goiaba, tem pinha, tem mamão, tem limão, tem muitas coisas que eu nunca pensei em ter”, explica o agricultor que faz parte das ações trabalhadas pelas entidades do Coletivo Regional do Cariri, Seridó e Curimataú assessoradas pelo PATAC.

Ivoneide Nunes de Oliveira é agricultora, esposa e companheira na luta do dia a dia e garante ser uma idéia boa já que proporciona alimentação de qualidade para toda a família e consumidores. ”É uma idéia boa, onde a gente tem uma alimentação saudável e a gente pensar que estamos pegando alimentação saudável e a gente está pegando aqui sabendo que é uma alimentação bem simples de qualidade pra gente consumir durante a alimentação e pra gente manter sabendo que é uma coisa boa que a gente está colhendo ali natural”, explica Nunes Oliveira.

Stúdio Rural conversou com o assessor do projeto, representante do PATAC junto a comissão de criação animal do Coletivo, José Valterlândio Cardoso, falando sobre o trabalho que vem sendo desenvolvido e sobre as vantagens dos equipamentos de recursos hídricos que permitem plantio de variedades forrageiras que são utilizadas na confecção de silos para a alimentação do rebanho nos períodos de secas. “Acho que não faz muito sentido você está trabalhando só uma espécie de planta forrageira, então a diversidade garante a qualidade da forragem e animal nenhum gosta de comer só uma coisa, então por exemplo a palma é essencial aqui para a região, mas só ela não garante a sustentabilidade da criação animal e então a gente precisa diversificar o mais quanto a gente puder possível com gliricídea, com leucena, sorgo, com feijão-guandu e aproveitar toda a matéria verde que possa existir dentro da propriedade”, explica Cardoso lembrando que com a chegada da Cochonilha do Carmim essas ações precisam ser mais intensificadas.

Cardoso disse que um forte trabalho vem sendo feito na criação animal com ênfase na produção, beneficiamento e estocagem de forragem com elevado número de famílias que passaram a experimentar o trabalho com silagem, com fenação, trabalho com palma consorciada, fabricação de farelo a partir das plantas nativas da região e culturas adaptadas. “A gente tem notado um grande número de pessoas que estão aderindo a essa idéia de estocar a forragem no período de inverno pra garantir alimentação dos animais na seca e, uma das questões que tem sido muito importante tem sido exatamente essa organização a partir do Coletivo Regional hoje com intervenção nas políticas públicas, então até 2005 na região a gente tinha uns dois conjuntos de máquinas forrageiras enciladeiras que trabalhava coletivamente e hoje na região, pelo nosso levantamento, isso já passa de doze conjuntos que tem o papel de trabalhar de forma coletiva e estocar forragem, produzir forragem para as famílias agricultoras”.

Valterlândio disse que tudo tem sido possível graças à busca de parcerias com entidades diversas, ao desempenho e dedicação das famílias agricultoras no processo de aprendizado e na adoção de tecnologias realmente adaptadas ao semiárido e aos trabalhos desenvolvidos nas discussões territoriais. “Eu acho que é importante a gente ter os nossos agricultores que se dedicam, que estão dispostos a inovar, a experimentar, mas também nossos parceiros são muito importante, eu acho que a Misereor é um dos primeiros parceiros que apoiou essa iniciativa, a partir de Misereor veio Heifer, hoje a gente já está com o apoio da Petrobrás que tem apoiado as oficinas de confecção de silos e também a intervenção das políticas públicas através do Fórum Territorial do Cariri que tem possibilitado que as famílias agricultoras possam garantir a alimentação de qualidade para os animais”.

Fonte : Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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