Delegado diz que segurança pública pode ter resultados com participação de entidades representativas

O resultado de investigações feitas por autoridades policiais podem ter resultados positivos quando o trabalho se fizer em sintonia com a comunidade, especialmente setores organizados. A afirmativa é do delegado da cidade de Queimadas, Erissandro Pinto de Andrade, responsável pelo trabalho para elucidar o desaparecimento da estudante e agricultora Ana Alice de Macedo Valentin, que esteve desaparecida por 49 dias e foi encontrada morta no município de Caturité, Cariri paraibano, vítima do maníaco sexual Leônio Barbosa de Arruda que foi preso e confessou o crime contra a adolescente dentre outros crimes.

Ao dialogar com a equipe do Stúdio Rural Erissandro falou sobre o trabalho de investigação que, inicialmente, não apontava nenhum caminho já que ele ouviu cerca de 20 pessoas entre familiares, amigas e professoras de Ana Alice sem que nenhum indício apontasse caminhos. “De início a gente ficou meio sem entender o porque as pessoas próximas dela desde familiares, amigos, professores e diretores de escolas não apontavam para nenhum caminho que a gente pudesse chegar a autoria do crime, e isso dificultou de início, mas com o andar das investigações foram aparecendo fatos novos até que a gente chegou a esse indício e conseguiu unir uma coisa a outra até chegar ao autor do crime”, explica aquele delegado ao contatar com ou ouvintes do Programa Domingo Rural e Universo Rural.

Inicialmente, baseado em informações das pessoas ouvidas, ele trabalho com a tese da jovem ter se deslocado ao Rio de Janeiro ao encontro do pai que mora naquele estado a aproximadamente, mas achava ser remota já que a jovem ao sair de casa para a escola levou apenas objetos comuns de todos os dias. “Perfeitamente, no início a gente não excluiu a possibilidade de ela ter fugido ou até ter sido levada com uma certa parcialidade dela, inclusive tendo em conta que o pai dela morava no Rio de Janeiro há muitos anos afastado da família sem se saber o paradeiro dele onde nem a família tinha exatamente o paradeiro do pai dela, então a gente trabalhava nessa hipótese de ela estar com o pai. A partir do momento que o pai dela esteve na delegacia e deu o depoimento bem tranqüilo dizendo que tinha pouco contato, descartou totalmente essa possibilidade de estar com ela, então a partir daí a gente excluiu essa possibilidade e passou a perseguir exclusivamente a hipótese criminal: de ela ter sido seqüestrada, de estas morta e entre outras coisas”, explica Erissandro acrescentando que em seguida entra em cena a agricultora residente em Caturité que foi vítima no dia 31 de outubro. “A partir desse fato que ocorreu no dia 31 de outubro é que vimos uma possibilidade de ela ter sido morta, então a gente levou em consideração principalmente as circunstâncias nas quais foram praticadas o último crime em Caturité, inclusões condições de execução do crime e questões geográficas até de proximidade, então as circunstâncias nas quais esse último crime foi praticado tinha tudo a ver e apontava uma similaridade muito grande com o crime com que foi vítima Ana Alice e a partir desse fato chegamos a um suspeito e depois transformou-se já num mais que suspeito, num indiciado mesmo até que conseguimos provas testemunhais e reconhecimentos que culminou com nosso pedido de prisão preventiva dele e de pedido de busca e apreensão”.

Andrade explicou que houve uma relação de confiança entre setores importantes da sociedade o que fez com que as investigações fluíssem com mais facilidade a partir da disponibilidade de fontes da comunidade repassarem informações que conduziram ao desfecho que causa. “São estratégias porque na verdade isso são princípios de investigação, quando a gente vê que um crime é difícil de elucidar por falta de testemunhas a melhor forma que se tem é lhe dar com a comunidade, inclusive com os movimentos sociais e isso foi o fato determinante para elucidar os dois crimes… Eu diria que foi o inter-relacionamento entre a delegacia de polícia e os movimentos sociais que levaram a elucidação desses dois delitos”.

Aquele delegado informou que a partir de informações trabalhadas desde o dia 01 de outubro até o dia da prisão(07/07) muitas ações foram desenvolvidas dentre e fora da delegacia para construção de um documento convincente ao judiciário na busca da prisão preventiva do acusado. “Perfeitamente, a gente teve que ser muito ágil e rápido, então prá isso, inclusive eu tive que me deslocar até residências de vítimas, residências de testemunhas, tomar depoimentos durante a noite fora da delegacia já que se trata de um crime em que nem todo mundo gosta de se identificar, então a partir daí com base nestes depoimentos é que fomos ágil em chegar no poder judiciário e solicitar esse mandado de prisão e então convencer o poder judiciário de que aquele caso teria que ser resolvido rápido e graças á Deus fomos compreendidos, o judiciário foi ágil e concedeu o nosso pedido e também fomos ágil no momento de executar o mandado de prisão”, explica aquela autoridade policial ao dialogar com nossos ouvintes das nossas emissoras parceiras.

Baseado no depoimento do acusado, Erissandro comentou que se trata de um maníaco sexual já que o próprio informou que o que o levou a prática do crime seriada foi o desejo sexual e passou a praticar o estupro seguido de morte como forme de não ser identificado pelas vítimas. “Ele confessou que o que mais levou ele praticar o crime foi o desejo sexual de praticar o estupro contra as vítimas. Esse era o motivo principal e a questão da morte de uma das vítimas, a principal delas que foi Ana Alice se deu pra ele não ser reconhecido, pra ele não responder pelo crime, então o motivo do homicídio de Ana Alice a ocultação do estupro, isso ele já confessou”.

O delegado é da opinião de que se o iniciado não tivesse sido identificado a tendência era de mais mortes e de forma mais próximas uma das outras. “Com certeza viria outras vítimas, o objetivo dele com relação a última vítima era o mesmo em relação a Ana Alice, por circunstâncias alheias a vontade dele é que ele não conseguiu, tanto estuprar como matar, ele tinha a intenção de fazer as duas coisas”, explica ao dizer que a mais recente e última vítima de Leônio foi decisiva para a prisão do estuprador e espera que outras possíveis vítimas possam aparecer para prestar queixa contra o acusado.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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