Encontro paraibano do MST faz balanço de ações 2009 e planeja 2010

De 14 a 17 deste mês aconteceu, em Capina Grande, o XX Encontro Estadual do MST paraibano em evento realizado no Colégio Nenzinha Cunha Lima e contou com agricultores sem terra das diversas microrregiões da Paraíba fazendo um balanço das ações do ano de 2009 e discutindo planos de ação para o esse ano de 2010.

Durante o evento foram apresentados filmes relativos a luta e organização dos trabalhadores; trabalhado temáticas relacionadas aos desafios políticos do movimento, especialmente 2010; foi feito análise de conjuntura; discutido desafios e alternativas para os assentamentos da Paraíba; novas organizações do MST paraibano; foi trabalhado uma noite cultural que contou com a participação do prefeito da capital paraibana, Ricardo Coutinho, delegado federal do MDA, Marenilson Batista da Silva, representante da Comissão do Congresso Nacional da Classe Trabalhadora(Conclat) e membro do P-SOL paraibano, professor David Lobão, representante do MAB, Movimentos dos Atingidos por Barragens, Osvaldo Barbosa da Silva dentre outros.

O delegado federal do desenvolvimento agrário no estado da Paraíba, Marenilson Batista da Silva, falou da importância do Movimento como referência de luta pela reforma agrária no país e lembrou sobre a importância da sociedade brasileira perceber o ano de eleições representado neste ano 2010 buscando votar naqueles e aquelas que defendem de forma clara a descentralização da terra e o acesso das famílias aos meios de produção enquanto instrumento de trabalho, renda e produção para a segurança alimentar no campo e na cidade. “Não adianta a gente fazer uma discussão sobre reforma agrária e na hora de votar, votar em latifundiário e aí exatamente 2010 é o momento de reflexão para verificar de que lado estão as pessoas que estão aí se propondo a ocupar os espaços legislativo, seja federal seja estadual e também as pessoas que se propõem a ser governador do estado, as pessoas que se propõem a ser presidente ou presidenta do país tem que saber qual o compromisso que ela tem com a reforma agrária, com a agricultura familiar, com o desenvolvimento sustentável, com o meio ambiente e é neste momento que a população deve pautar e deve escolher pessoas que estejam exatamente comprometidas com o pensamento democrático e com o pensamento popular”, explica Marenilson ao dialogar com a equipe do Programa Domingo Rural, assegurando que o governo federal se sente a vontade em está presente em eventos dos Sem Terras baseado nas ações desenvolvidas em benefício do segmento.

O componente do P-SOL paraibano, professor David Lobão, ao dialogar com nossa equipe, disse da satisfação de está presente já que tem estado no processo de lutas desde a criação do Movimento e entende ser importante o envolvimento de mais pessoas e entidades brasileiras engrossando fileiras para o fortalecimento da luta pela terra no Brasil e construção de uma reforma agrária ampla e sustentável para todo com referência para o planeta e disse que são ações que só serão possíveis com a ação da população no processo de pressão contra os governos. “Vê hoje o MST com uma direção eleita com representação de diversos locais do estado praticamente envolvendo todo o estado da Paraíba na luta pela democratização da terra, eu acho isso uma vitória enorme e um orgulho muito grande, orgulho por eu ter contribuído, orgulho por fazer parte disso e orgulho por poder ter nesses companheiros uma referência na luta pela terra nesse país mesmo com a criminalização do governo federal, do governo estadual e seus aliados é muito forte contra esses movimentos, tentam marginalizar, colocá-los como uma coisa a parte da sociedade e afirmo dizer categoricamente o seguinte: o MST é hoje o maior movimento que tira homem da rua que não está fazendo nada pra dar a ele um pedaço de terra para trabalhar e sustentar a sua família, então é o maior programa social que existe hoje nesse país e esse programa é taxado pelo governo federal e pelos governos estaduais como um programa ou como um movimento de irresponsáveis, de atiradores de provocações e etc.”, explica Lobão.

O educador paraibano e representante do Colégio Nenzinha Cunha Lima, professor João Tavares da Silva Neto, é da opinião de que a Escola Nenzinha sempre esteve aberta em apoio a luta organizada do povo e que as últimas gestões daquela escola vem mostrando uma abertura de forma mais ampla na relação com o mundo social e lembrou o papel da escola e do educador em fazer com que a classe estudantil perceba o papel da agricultura familiar no processo da segurança alimentar e o MST como instrumento de luta para que as famílias sem terra tenham acesso aos meios de produção. “Com certeza essa escola não pode ser mais a mesma escola, só se mantém a mesma a parte física porque a parte ideológica com certeza tem mudanças, nós tivemos professores da escola participando como ouvintes, nós tivemos a direção participando como ouvinte e isso com certeza é um elemento novo, é um qualificador para nossa escola que procura trabalhar uma educação nova, não essa educação tradicional que está a mando sobre o holofote da burguesia, mas, nós procuramos trazer para essa escola elementos novos e o MST nos deu isso durante esses três dias e quantas vezes o MST precisar de abrigo aqui em Campina Grande e outras escolas não sendo a ele satisfatória a nossa será sempre guarda-chuva não só para o MST mas para todos os movimentos sérios desse país”.

Domingo Rural entrevistou o prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho, que falou sobre a participação dele e os apoios que têm sido colocados ao longo da história dele enquanto militante nas causas sociais. Ele diz que é chegado o momento de colocar na agenda política a questão da democratização do acesso a terra também como co-responsabilidade do estado juntamente com a questão da escoação agrícola, a assistência técnica e da responsabilização do estado como agente importante na política da agricultura familiar que representa papel importante para a economia do estado e ao mesmo instrumento no processo de inclusão social. “Essa é a mensagem que eu trago sabendo que nós temos amplas condições de avançar nisso, eu até fazia aqui um paralelo com a questão dos Sem Tetos que existiam e existem em João Pessoa, mas que nós conseguimos em quatro anos construir cinco mil casas, nós retiramos nove grandes acampamentos de sem tetos que existiam para transportar para conjuntos habitacionais e dar a essas pessoas o direito de viver com dignidade dentro de uma moradia com estrutura, da mesma forma é preciso que o estado chame pra si a responsabilidade de participar da solução dessas três mil e duzentas famílias que hoje se encontram acampadas por esse estado”.

O representante do MAB, Movimento dos Atingidos por Barragens na Paraíba, Osvaldo Barbosa da Silva, falou sobre a importância da luta pela terra e sobre as discussões trabalhadas dentro do XX encontro, afirmando que são movimentos que estão trabalhando de forma sintonizada pela terra, produção e mercado com sustentabilidade. “Prá nós do MAB é bastante importante porque nós aqui na Paraíba temos dezessete anos de movimento e o MST foi um dos grandes colaboradores e consolidaram nossa luta aqui na Paraíba, e o movimento nacional do MAB também está nessa luta conjunta com o MST por reforma agrária”, relata a representação do Movimento dos Atingidos pelas Águas e disse que hoje no Brasil são mais de um milhão de pessoas prejudicadas pela represa de águas, lembrando que é fundamental a unificação da luta dos movimentos do campo e da cidade.

A coordenadora do MST no estado, Diley Aparecida, disse que o movimento saiu contemplado por ter reunido discussões entre o setor do campo e da cidade na busca de alternativas de geração de trabalho, rende e inclusão social com ênfase na atividade camponesa e a democratização da terra como instrumento importante para a concretização dessas ações e falou sobre as discussões trabalhadas durante os três dias em Campina Grande. “Nós chegamos a um momento histórico onde estão fechados os caminhos dentro do governo, da elite na questão da reforma agrária, existe uma única alternativa pra efetivar a reforma agrária que é a organização popular e a massificação do movimento, esse é o principal caminho, segundo é a questão da organicidade, hoje nós temos o grande desafio de nos organizar a ponto de criarmos um movimento de massa sólido com consciência política com a questão da organização da produção principalmente, hoje no Brasil quem produz concretamente são os camponeses e nós queremos consolidar isso, muito mais, produzir alimentos saudáveis sem agrotóxicos”.  Ela garante que, em 2010, muitas lutas virão pela frente com a massificação e unificação das lutas dos movimentos na busca da terra e da execução de projetos sustentáveis na atividade camponesa.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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