Intercâmbios revelam experiências para seminário da fruticultura do Território da Borborema

Agricultores e agricultoras de municípios da região da Borborema participaram de dois intercâmbios em unidades de produção agrícola em agroecologia, propriedades rurais nos municípios de Lagoa Seca e Remígio, regiões transitórias de Agreste e Brejo, evento que trabalhou temas que foram evidenciados no Programa Universo Rural da Rádio Bonsucesso de Pombal desta terça-feira(16/08).

São representações de famílias camponesas de Lagoa Seca, Remígio, Arara, Alagoa Nova e Massaranduba que na manhã da última segunda-feira(15/08) se reuniram na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lagoa Seca para um processo de recepção e em seguida formaram dois grupos que se transferiram, um para visita de intercâmbio na propriedade rural do agricultor Rivaldo dos Santos Nascimento, na comunidade Caiana de Remígio e a segunda equipe que se transferiu para a propriedade do agricultor José Leal, na comunidade Floriano de Lagoa Seca.

Segundo o coordenador do Pólo Sindical e das Organizações da Agricultura Familiar da Borborema, Nelson Anacleto, o intercâmbio foi uma dinâmica preparatória para o Seminário da Fruticultura do Território Borborema que vai acontecer em Lagoa Seca nos dias 24 e 25 deste mês, tendo como local o Centro de Eventos Maristas, numa promoção do Governo do Estado em parceria com o Pólo Sindical e terá como meta expor experiências em toda a região com produção agroecológica, mostrando que as políticas públicas de governo terão que serem aplicadas com um olhar que não confunda a diversidade da agricultura familiar com a lógica de monocultura desenvolvida pelo agronegócio. “Nós vamos poder mostrar a riqueza que tem a fruticultura nessa região a partir de duas experiências dentre tantas outras, uma na propriedade de seu Rivaldo no município de Remígio e outra a propriedade do seu José Leal aqui no Floriano, são duas propriedades que demonstram para o conjunto dos agricultores e agricultoras e principalmente para os governantes de que não dá mais para se tratar a citricultura de forma de monocultivo, quer dizer, a sustentabilidade da fruticultura ela está exatamente na sua diversidade. O mais importante nesses dois agricultores é que mesmo eles sendo fruticultores, mas você não vê nenhum produto consumido pela família que venha de fora. Eles têm a batata doce, têm a macaxeira, têm o feijão, enfim tem a verdura também extraída de sua propriedade, que dizer, é um sistema bastante diversificado e tem como renda principal a fruticultura a exemplo de seu José Leal em que a laranja é o carro-chefe, mas na verdade se complementa a tantas outras frutas e imensa variedade”, explica Anacleto ao falar com os ouvintes do Programa Universo Rural desta terça-feira via Rádio Bonsucesso de Pombal.

José Leal explicou que fez uma ampla exposição do trabalho por ele desenvolvido na unidade rural em que ele e a família desenvolvem produção agroecológica e disse que tudo se dar na biodiversidade. “A minha demonstração é a biodiversidade, dezenas e dezenas de variedades de plantas tanto para a alimentação humana como também a alimentação na biodiversidade para a alimentação de nossa terra, porque nossa terra tem que ser fértil e ela pra ser fértil tem que ser bem alimentada e é isso aí que eu demonstrei e faço questão de, com as bênçãos de Deus, continuar com esse trabalho e as pessoas que me visitem levem em suas mentes para que continuem com esse trabalho, porque nós precisamos de reforçar esse nosso trabalho para enriquecer nossa terra e proteger o meio ambiente e a natureza. É isso aí a minha preocupação, mas graças á Deus com essas visitas a gente tem feito, com fé em Deus, que esse trabalho vai se ampliando e muitas pessoas vão se incorporando nessa luta”, filosofa.

Edilson Onofre de Souza é vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Arara, disse que visitou a propriedade de leal e achou a ampla diversidade de culturas e cultivos numa mesma área com um manejo que oferta sustentabilidade produtiva para a segurança alimentar da família com autonomia e independência da lógica de mercado. “A gente fez uma comparação do solo do vizinho no qual estava tudo limpo e o dele cheio de mato, o dele estava bem melhor, mais apurado do que o do visinho, o do visinho pode se dizer que é um solo morto pra vista do dele, o dele é um solo vivo. Além da grande produção de laranja, os pés bastante carregados, o feijão também bastante carregado e além do mais os recursos hídricos tanto de barreiros como os riachos que ele formou no arredor desses recursos hídricos e plantou plantas como a sabiá que traz benefícios para o solo”, argumenta Edilson.

Já o agricultor Rivaldo dos Santos Nascimento, disse que fez uma ampla exposição da propriedade, explicando que quando assumiu a terra há 19 anos era um processo de erosão desertificador e que atualmente a unidade produtiva já está em plena produção diversificada. “Eu comecei esse trabalho sério mesmo faz de 9 a 10 anos, mas quando eu comecei trabalhar lá que cheguei no sítio já faz 19 anos quando o sítio era feio mesmo a coisa, não tinha nada então é que comecei fazer visita de intercâmbio com a AS-PTA em 94 aí daí por diante eu segui uma linha do jeito que eu pensava”, explica acrescentando que recebeu diversas ações recebeu diversas ações a partir de uma nova ação do Projeto Agroecologia que tem patrocínio do Petrobrás através do Petrobrás Ambiental, ações que intensificaram o processo produtivo da unidade rural familiar.

Dona Marli Ferreira da Silva é agricultora residente na comunidade Tanque de Lagoa de Roça, participou do intercâmbio na propriedade de Rivaldo e disse que percebeu a estratégia de plantio do agricultor como um modelo que oferece respostas com produção e produtividade e garantiu que a prática deve ser trabalhada por outras famílias agricultores. “Eu vi tanta coisa interessante, gente, ele é um agricultor de muita experiência é um super herói, um agricultor mesmo de pé no chão. Ele sabe aproveitar, ele sabe organizar, ele não tem queimagem no sítio dele e ele está é plantando. Olhe, o sítio dele tem árvores, fruteiras de todas as diversidades e tem a lenha daquelas que secam pra ele queimar, eu achei muito interessante”, explica a agricultora ao afirmar que também desenvolve práticas sustentáveis na propriedade dela e que percebe que a prática está se ampliando em todo o território.

Fonte : Stúdio Rural / Programa Universo Rural

Deixe seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos marcados como (obrigatório) devem ser preenchidos.

Newsletter

Através da nossa newsletter você ficar informado, o informativo do estudo rural já conta com mais de 20 mil inscritos, faça parte você também.

Back to Top