Julgamento de Leônio é acompanhado por movimentos sociais que comemoram condenação

SR251115cEntidades sociais do campo e da cidade do município de Queimadas e dos municípios do Polo Sindical da Borborema acompanharam atentamente o julgamento do vaqueiro Leônio Barbosa de Arruda, acusado de tentativa de estrupo e de assassinato contra a vida da agricultora Antônio Rodrigues de Sousa Duarte, residente na zona rural de Caturité, Cariri Oriental paraibano.

O julgamento aconteceu durante o último dia 12, no Fórum Amarília Sales em Queimadas quando ao término dos trabalhos, o acusado foi condenado a pena de 19 anos, dois meses e 20 dias de prisão, em regime fechado, com sentença lida pelo juiz Antônio Gonçalves Ribeiro Júnior, titular da 1ª Vara Mista de Queimadas, Agreste paraibano.

Os trabalhos tiveram início por volta das 9:30 horas, com um plenário lotado de lideranças agricultoras e de entidades sociais, ativistas do movimento de mulheres e familiares da agricultora.

“Não sou da área do direito, não tenho conhecimentos de causa, mas diante do que a gente viu eu acredito que tanto os familiares de Antônia quanto os familiares de outras vítimas do acusado Leônio saíram satisfeitas com os resultados do julgamento, inclusive nós também, e isso tem que acontecer sim e acredito que seja válido, não é interessante como muitos pensam em fazer justiça com as próprias mãos, que a justiça seja feita para o acusado e no caso dele não só acusado, mas de fato ele cometeu os crimes e que ele seja punido e que pague por isso, eu acredito que a justiça foi feita assim como também em outros casos de repercussão e de similaridade que fizeram aqui no município”, explica a secretária do Desenvolvimento Social da Prefeitura de Queimadas, Terezinha de Jesus de Souza Dantas.

“Nós avaliamos que o trabalho está sendo realizado, claro que os números aparentemente nós estamos achando que esses números estão aumentando, mas as mulheres estão se encorajando mais pra fazer denúncias, pra buscar ajuda, então a avaliação que a gente faz é que mesmo em meio a esses números crescentes que a gente observa desta pesquisa que saiu agora sobre o mapa da violência contra as mulheres, onde treze mulheres são assassinadas no Brasil por dia, são números preocupantes, mas que a rede está em alerta e os mecanismos estão atuando, então a gente percebe que Queimadas tem um núcleo de combate a violência, pra mulher é um avanço significativo, tem um Centro de Referência Estadual que atende as mulheres de Queimadas, tem o próprio município que pensa em estratégias, mas é preciso avançar cada vez mais”, explica a coordenadora do Centro Estadual de Referência da Mulher, Fátima Lopes, Isânia Petrúcia Monteiro Frazão, Tucha.

“Pra mim foi boa, eu queria ter tido essa visão também quando foi no caso de Ana Alice, mas que foi realmente positivo, a gente acredita que os anos que ele vai passar lá, que o que ele deixou na vida de Antônia a gente sabe que não é porque ele está preso que vai reconstruir o que ele fez com ela, mas que a gente sabe que também, por outro lado, ela vai ficar mais tranquila, que a gente percebe isso quando passou aqueles dez dias em que ele ficou solto por ter fugido do Serrotão, então a gente percebe o pânico que ela ficou naqueles dias, então se ele viesse a ser solto hoje a gente sabe que não era só ela, mas nós todas, tanto a família de Ana Alice como a de Tana e também a sociedade em geral ficaria em pânico, então acredito que somados ele vai passar uns anos bons no presídio e que, não acredito, mas eu espero que quando ele voltar aqui para a sociedade que volte uma outra pessoa”, explica a vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Queimadas, Angineide Pereira de Macedo que é também mãe da jovem agricultora Ana Alice de Macedo Valentim que foi estuprada, morta e teve o corpo ocultado por 49 dias por Leônio Arruda.

Secretária do Sindicato dos Trabalhadores Rurais daquele município, Ana Paula Cândido da Silva disse avaliar como positivo a participação das entidades na construção de um novo momento por estar atenta para o fato de que a sociedade está verdadeiramente violenta para com a mulher e que a conscientização pela construção de um novo momento cultural será evidente no dia a dia social da cidade e da região do Polo já que as entidades da ASA estão cada vez mais intensificando as discussões em torno do bem estar feminino, especialmente diante das práticas de violências empreendidas contra elas no meio rural. “Eu avaliou como positivo, eu acho que com o próprio tempo de condenação fiquei satisfeita já que não tem que ter aquele crime de praxe como se fala, aquele em que haja a conjunção carnal, mas acho que o fato da mulher ser pegue a força já é um crime e isso não pode acontecer, e nós estávamos lá pra dizer que nós não estamos satisfeitas, que nós estamos juntas com as mulheres que sofrem violências, que o que eu não quero pra mim eu não quero para as outras e pra dizer que, em especial para toda a justiça em geral, eles precisam rever essa situação, que eles precisam ver a violência doméstica como um fato muito forte, que é um tipo de agressão que as mulheres que sofrem levam para o resto da vida”, explica ao dialogar com nosso público ouvinte espalhado por esse semiárido brasileiro.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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