Pai assume assassinato de filha e se entrega a polícia na zona rural de Barra de Santana

Pressionado pelas investigações policias e mobilizações do Comitê Ana Alice Contra a Violência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Queimadas, o cabeleireiro João Valentim do Nascimento, Dão(foto), pai da jovem estudante e agricultora, Elaine de Sousa Nascimento(17 anos), se entregou à polícia no final da tarde da segunda-feira(22/07), na casa do cunhado José Nicolau da Silva, Zé Preto, e da irmã dona Cícera, no sítio Serrinha, zona rural de Barra de Santana.

O tema foi trabalhado no Programa Domingo Rural e Universo Rural com entrevistadas trabalhadas com o cabo José Carlos Raimundo da Silva, responsável pela operação; com a delegada Maria do Socorro; com o agricultor e cunhado do agressor, José Nicolau da Silva, Zé Preto; e com João Valentim do Nascimento(Dão) e com a coordenadora do Comitê Ana Alice Contra a Violência, Ana Paula Cândido.

“O mesmo pediu a irmã para se entregar, a irmã foi lá no alojamento da gente onde a gente se encontra em Barra de Santana e ele esperou pela gente lá, a gente e efetuou a prisão, espontaneamente ele mandou a irmã chamar a gente então a gente se deslocou até lá e efetuou essa prisão dele”, explica o policial militar ao dialogar com nossos ouvintes 590 kHz e 1190 kHz.

“O investigado, ele desde quinta-feira nos procurou na delegacia de Queimadas informando que a filha havia desaparecido, nós desconfiamos de imediato do que ele tinha nos relatado frente algumas contradições, mas como gostaria que fosse encontrado a filha, nós encaminhamos para Barra de Santana, numa vez que ele nos informou que a filha poderia estar na residência de um namorado. No dia seguinte ele não compareceu mais a delegacia, então nós chamamos a esposa e a filha menor, ouvindo-as encontramos novas contradições e, no dia seguinte, bem cedo, provavelmente pelo que ele nos falou, quando sentiu-se pressionado frente as nossas perguntas aos familiares decidiu por mostrar a um dos filhos onde se encontrava o corpo de sua filha e confessou que a havia matado”, explicou a delegada.

José Nicolau da Silva, Zé Preto, é cunhado do agressor e, ao dialogar com Stúdio Rural, disse tratar-se de uma família com muitos problemas de convivência. style=mso-spacerun: yes>  Ele disse que no sábado pela manhã o agressor procurou Nicolau e a esposa para informar do crime praticado e que diante da realidade pretendia se suicidar o que fez com que a família o convencesse a se entregar as autoridades policiais. “No sábado ele foi lá em casa pra se despedir de minha velha, ele disse: Neném, eu vim aqui pra conversar com você pela última vez e então ela disse, mas meu irmão você matou sua filha e ele disse matei neném, matei e pra terminar minha vida é logo, logo. A mulher me chamou, eu corri, cheguei lá e ele estava contando a história e eu disse: João, pelo amor de Deus, aqui em meu terreno eu não quero confusão, pois ia me prejudicar. Minha velha disse: vá se entregar ou vá embora, dentro de minha terra eu não quero desmantelos e então ele saltou em cima da moto e desceu e então cuidamos do sepultamento da menina que estava lá”, explica dizendo que na volta do agressor foi combinado que o melhor caminho seria ele se entregar.

João Valentim do Nascimento(Dão) ao dialogar com a imprensa disse que não tinha problemas com a vítima e que tudo aconteceu porque pequena arrumou um namorado e porque ele não queira o relacionamento o namorado passou a ameaçá-lo de morte o que passou a gerar conflitos com a filha e que provocou a prática de assassinato contra a mesma. style=mso-spacerun: yes>  “Fiz o contrário, teria que procurar ele”, explica ao tentar explicar o assassinato da filha frente as ameaças feitas pelo namorado da mesma. “Agora estou entregue à justiça e seja o que deus Quiser”.

O tema foi trabalhado na assembléia ordinária do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Queimadas e, ao mesmo tempo foi evidenciado a importância do Comitê Ana Alice Contra a Violência enquanto instrumento que possa pensar ações que possam desvendar casos de violência na família e, especialmente contra mulheres e crianças camponesas numa dinâmica que possa criar espaços de diálogo entre a sociedade camponesa e as autoridades policiais, judiciárias, imprensa dentre outras. “O Comitê tem uma importância muito grande, como a gente já comentou hoje na assembléia e a gente começa a perceber que uma organização quando se organiza de verdade e se preocupa com o problema do outro, principalmente na questão da violência contra a mulher a gente consegue realmente style=LINE-HEIGHT: 115%; FONT-FAMILY: ‘Calibri’,’sans-serif’; FONT-SIZE: 11pt; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-fareast-language: EN-US; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA>resolver ou tentar resolver o problema e no último caso que aconteceu com a jovem que foi encontrada e que era aqui de Queimadas, eu acho que o Comitê Ana Alice teve uma importância fundamental até porque a gente conseguiu tirar da cabeça da polícia que ela não estava com o namorado, mas sim que tinha acontecido um caso bem mais sério, e a gente conseguiu direto e indiretamente mostrar que aquilo poderia ser uma coisa bem mais séria como foi e conseguimos fazer o assassino da vítima fosse preso, se entregasse, então isso pra gente tem uma importância muito grande. E é a partir daí que a gente começa a compreender como é bom a gente está unido, como é bom a gente se fortalecer cada vez mais, não só pensando nos nossos problemas, mas pensando nos das outras pessoas também”, explica Paula Cândido ao dialogar com os ouvintes de nossas emissoras parceiras.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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