Presidente da FAEPA diz que seca demonstra falta de projetos sustentáveis de políticos e governos

“Temos alternativas, alternativas existem, agora o governo de maneira geral não tem políticas públicas á longo prazo, todas são políticas emergenciais. A seca existe desde o início do mundo e ninguém procurou fazer o que deveria ser feito pelo semiárido, outros países fizeram, estão fazendo. E o que é que estão fazendo com o nosso semiárido? Estão fazendo uma reforma agrária pelo avesso, ao contrário já que você pra sobreviver no semiárido precisa de ter grandes áreas pra você sobreviver dela e estão fazendo um minifúndio em nosso semiárido, estão fazendo uma verdadeira rede de retalhos no semiárido que não vai a lugar nenhum e isso cada vez mais vai prejudicar aqueles que estão no campo, você não tem condições de produzir num semiárido com 20, 30 hectares, você tem que ter 100, 200 hectares, você tem que ter pelo menos o módulo fiscal do município pra você produzir alguma coisa e estas coisas não são levadas em consideração”, esse foi um dos argumentos do presidente da FAEPA, Federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba, Mário Antônio Pereira Borba(foto), ao ser entrevistado pela equipe Stúdio Rural falando sobre problemas relacionados a seca e aos problemas que a agricultura e pecuária vêm passando na atualidade.

Borba falou dos riscos e conseqüentes perdas que a pecuária passa simultaneamente a cada grande seca sem que a seqüência de fenômenos tenha provocado indignação nos políticos e governos e assim construam políticas reais de convivência com as secas que se registram no semiárido brasileiro e falou dos riscos que corre a cadeia do leite na atualidade e os programas governamentais diante das oscilações que se registram na economia camponesa em razão das secas que se apresentam na atualidade. “Há oito anos atrás a Paraíba tinha meia dúzia de laticínios, a Paraíba hoje tem mais de 30 laticínios e são pessoas que estão produzindo, gerando emprego e renda. Só que com a seca agora onde tivemos aí 10 ou 12 anos bons e agora estamos entrando num período seco e temos a questão do volumoso, por exemplo: no Sertão é o último mês de inverno e deu uma chuva da semana passada e não é suficiente, em alguns municípios choveu, noutros não e não são suficientes pra plantar até porque já passou da época e também pra conservação de pastagem e nem também fez água, então temos os produtores que já estão com suas propriedades sem água e isso é preocupante”, explica Borba garantindo que pouco tem sido feito de forma a construir sustentabilidade na atividade rural nordestina e que tem gerado débitos dos produtores junto as instituições credoras.

Aquela liderança informou que, em conseqüência da grade seca da década de 1990, muitos produtores estão deveres estão inadimplentes junto as instituições bancárias numa ordem de 146 mil ações judiciais contra produtores no Nordeste e isso vem preocupando as representações dessa categoria. “Tivemos uma audiência pública no senado, tivemos uma audiência pública na câmara, vamos ter outra audiência pública no senado, participamos de um grupo de trabalho no Ministério da Integração dia 11, 12 e 13 construindo propostas para o endividamento e também como enfrentar essa seca, essas propostas se encontram com o ministro da integração nacional, estamos acompanhando a Medida Provisória que o relator deputado Heleno Silva, de Sergipe, que está colocando uma forma de como aliviar as renegociações de dívidas”, explica Borba em parte de seu amplo diálogo com nossa equipe dizendo que é preciso que a sociedade se organize para cobrar ações próprias dos governos.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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