Representante da ASA fala sobre avanços no programa de cisternas e contesta construção de cisterna de plástico no semiárido

Entidades da agricultura familiar de todo o semiárido estão fortalecendo os programas de recursos hídricos que fortaleçam o processo de convivência com o semiárido brasileiro a exemplo do Programa Um Milão de Cisternas e o Programa Uma Terra e Duas Águas e ao mesmo tempo iniciaram uma campanha de denúncias e contestação das cisternas de plásticos existentes e que foi ventilado a possibilidade de serem utilizadas em unidades rurais da região.

O Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) é uma das ações do Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semi-Árido da ASA e objetiva beneficiar cerca de cinco milhões de pessoas em toda região semiárida com água potável para beber e cozinhar, através das cisternas de placas.

Já o Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) que é também uma das ações do Programa de Formação e Mobilização Social para Convivência com o Semi-Árido da ASA tem por objetivo fomentar a construção de processos participativos de desenvolvimento rural no semiárido brasileiro e promover a soberania, a segurança alimentar e nutricional e a geração de emprego e renda às famílias agricultoras, através do acesso e manejo sustentáveis da terra e da água para produção de alimentos.

Agora surgiu no meio empresarial a proposta de implantar cisternas de plástico no semiárido o que está chamando a atenção de segmentos sociais do semiárido que contestam a idéia já que não trata-se de uma tecnologia que dê autonomia as famílias agricultoras da região.

José Camelo(foto) é assessor técnico da AS-PTA , participou do Programa Domingo Rural deste domingo(27/11) falando sobre a preocupação das organizações de todo o semiárido. “A gente vê isso com uma preocupação até porque eu acho que um dos programas mais bem sucedidos da ASA Brasil, de todas as ASAs estaduais em parceria com o Governo Federal a gente pode chamar desse programa do P1MC e do P1+2 que é um programa construído sobretudo a partir da experiência das próprias famílias, dos próprios agricultores. Todo mundo sabe de um pedreiro que saiu para trabalhar em São Paulo fazendo a piscina redonda ele descobriu que com essa mesma placa poderia ser adaptada para uma estrutura de captação de água de chuvas no semiárido e, voltando, ele fez isso e essa experiência sendo observada pelos agricultores, pelas organizações diversas do semiárido que há muitos anos vêm construindo uma metodologia de desenvolvimento para o semiárido achou por bem propagar essa experiência e isso foi importante porque com ela foi capaz da gente transformar essa experiência num grande projeto de políticas públicas”, explica Camelo dizendo que por ser uma tecnologia simples, ela envolve os pedreiros locais, as famílias beneficiárias do programa que aprendem a trabalhar a tecnologia com autonomia e aprendizado e ao mesmo tempo envolve o comércio local com venda dos materiais e construção com mão de obra local.

Camelo disse que todo o trabalho de estruturação das unidades rurais sustentáveis tem tido como referência a construção da cisterna enquanto primeira água e partir daí diversas ações têm continuidade a exemplo de fundos rotativos solidários de ações diversas; cisternas calçadão; recuperação, implementação e construção de tanques de pedras; construção de barragens subterrâneas; criação de pequenos animais e armazenamento de ração dentre muitas outras tecnologias apropriadas a região. “Na verdade a gente sempre disse que a cisterna de placas de 16 mil litros era uma porta de entrada para que a partir daí a gente pudesse discutir um conjunto de outras coisas com a família sobre o conhecimento, a importância de entender a problemática do semiárido e de buscar as soluções e de fato isso está acontecendo porque após a cisterna da água de beber com 16 mil litros, nós fomos capazes de formular o outro projeto que está dentro desse mesmo projeto grande que é o projeto de formação e mobilização social para convivência com o semiárido de pensar agora as outras águas como está sendo construído o P1+2 que a gente está refletindo sobre a problemática do acesso a terra, mas também do acesso a água, do acesso a terra tanto do ponto de vista das famílias que ainda não têm a terra, mas também aquelas famílias que tem pouca terra, mas que a gente possa refletir como transformar essa pouca terra numa terra fértil e produtiva”.

José Camelo garante que as entidades estão mobilizadas para mostrar aos governos que as tecnologias apropriadas já estão em plena experimentação em toda a região com aprovação pela sua eficiência. “Vamos sim, inclusive já teve, em alguns eventos, cartas colocando essas questões e nós vamos está aí a cada momento que sentarmos com os nossos administradores e nossos parceiros do governo federal, nós vamos está aí apresentando essa questão, não adianta a gente achar que com isso a gente vai chegar mais rápido à população e mais tarde a gente vai se deparar com sérios problemas”, explica Camelo.

Fonte : Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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