Seção da Assembléia e segurança no meio rural do Pólo e Coletivo são temas de Domingo Rural

Uma ampla manifestação realizada por centenas de agricultores familiares de diversos municípios do Pólo da Borborema e do Coletivo Regional do Cariri, Seridó e Curimataú, no centro da cidade de Campina Grande na tarde do último dia 07 de maio e participação desse mesmo público na seção pública itinerante da Assembléia Legislativa da Paraíba para denunciar a falta de segurança no meio rural e cobrar ação por parte do Governo do Estado foi tema no Programa Domingo Rural do domingo dia 13 de maio e no Programa Universo Rural do dia 08 via Rádio Bonsucesso de Pombal.

A seção foi uma propositura do deputado Frei Anastácio(PT-PB) e contou com cerca de 400 agricultores e agricultoras dos municípios de Lagoa Seca, São Sebastião de Lagoa de Roça, Remígio, Solânea, Casserengue, Arara, Areial, Esperança, Alagoa Nova, Queimadas, Massaranduba, Algodão de Jandaira, Puxinanã na região que compõe o Pólo da Borborema além de representações de municípios do Coletivo Regional do Cariri, Seridó e Curimataú a exemplo dos municípios de Santo André, Boqueirão, Juazeirinho, Soledade, Cubati dentre outros.

Participaram representantes dos sindicatos dos trabalhadores rurais, MST, CUT, CPT, Pólo Sindical da Borborema, Fórum das Organizações da Sociedade Civil em Defesa da Agricultura Familiar e da Reforma Agrária, Coletivo Regional do Cariri, Seridó, Curimataú dentre outros além de parlamentares e autoridades diversas.

“A UFCG não pode ficar de fora, inclusive nós temos assento no Fórum da Borborema e nós não podemos deixar de estar presente pra conhecer a realidade, para discutir a realidade da violência no Campo, como foi dito aqui esse é dos maiores problemas para a sustentabilidade do empreendimento familiar na Borborema e em todas as regiões do Estado da Paraíba”, argumenta o professor da Universidade Federal de Campina Grande e diretor do Centro de Desenvolvimento Sustentável do Semiárido (CDSA), em Sumé, Márcio de Matos Caniello que ao participar do Domingo Rural fala sobre o papel da universidade na perspectiva de um novo tempo.

Nelson Anacleto é componente do Pólo Sindical da Borborema e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lagoa e garante que a sociedade e entidades saem contempladas já que discussões importantes foram travadas e agendas desenvolvidas para que encontros outros passem a acontecer entre a sociedade organizada e setores do governo na perspectiva de criar uma segurança rural com participação da sociedade em sintonia com as ações policiais. ”Além desse debate e discussões também foi tirado alguns encaminhamentos, já temos encaminhamentos em vista, tem o primeiro para o dia 15/05 que vai reunir os comandos da polícia militar, civil e CPTRAN para discutir os problemas aqui do Compartimento da Borborema com os sindicatos de cada município. Um outro encaminhamento se dar á nível do estado com o fórum que vai acontecer com a incumbência do deputado Frei Anastácio de marcar com o secretário de segurança, o coronal da polícia militar, polícia civil para discutir as pautas dos documentos nessa audiência”, explica Nelson ao dialogar com Stúdio Rural.

Cláudia Luciana Cavalcante da Costa é coordenadora do Coletivo Regional do Cariri, Seridó e Curimataú e, ao dialogar com Stúdio Rural disse esperar que a sociedade não se contente com essas ações primárias e dêem continuidade as ações públicas para chamar a atenção da sociedade e do estado para os graves problemas que a falta de segurança está causando no meio rural e aproveitou para lamentar pela pouca presença de parlamentares naquela seção especial que foi freqüentada por ampla representatividade da agricultura familiar. “Espera-se que os agricultores e agricultoras não se acomodem com essa seção, é claro que é preciso que a gente dê os primeiros passos e isso não é um primeiro passo, nós já tivemos outras oportunidades de mostrar à sociedade que é preciso a mobilização já que o povo é quem tem a força, então esse seção, apesar de lamentar os nossos representantes não terem vindo, mas o povo veio e gostaria de dizer que nós não vamos parar por aqui. Ou a sociedade toma pra si essa responsabilidade e cobra, mostrando que o povo é quem tem o poder pra fazer acontecer ou vai ser mais uma seção”, explica aquela liderança dizendo acreditar que muitos embates virão já que o Pólo e Coletivo estão fortalecidos no modelo de organização e contam com o apoio do mandato do parlamentar Anastácio dentre outras forças.

Luiz Pereira de Sousa é agricultor familiar no município de Solânea, participou do encontro e do Programa Domingo Rural, falou sobre a gravidade enfrentada no meio rural daquele município que por falta de segurança as famílias camponesas estão migrando para morar na cidade. “Com os movimentos do Pólo teve uma diminuição, mas na semana passada saiu duas famílias ali da região de Malhada em razão de um quebra-quebra de portas onde roubaram motos, roubaram tudo que o pessoal tinha e o povo abandonou, teve senhor idoso com 60, 70 anos que saiu chorando porque não queria sair de sua comunidade e já está morando na cidade e isso aí é o problema maior que nós temos na região, não só no município de Solânea, mas em todos os municípios que fazem parte do Pólo da Borborema”.

José Luna de Oliveira, Zé Pequeno, é agricultor familiar residente no município de Alagoa Nova, disse que a realidade é gritante e contou casos assustadores que estão acontecendo naquele município a exemplo de um casal que vinha da feira em uma moto, tiveram a moto e os pertences roubados e ainda a mulher estuprada pelos ladrões. style=mso-spacerun: yes>  “Não é fácil para o agricultor que nasceu e se criou no campo ter que ir para uma ponta de rua por causa que não pode permanecer no campo porque há um prejuízo total tanto para a nação como para aquela família que assim se ache”, explica o agricultor durante diálogo com nossa equipe e nossos ouvintes.

O agricultor João Mirando é agricultor residente no município de Remígio e vítima da onda de roubo o que fez com que ele atue apenas durante o dia na atividade rural e a cerca de um ano teve a casa invadida por ladrões que tentaram matar o agricultor fazendo com que ele e a família passassem a morar na zona urbana de Remígio. Ele participou da seção e conversou com Stúdio Rural explicando que trata-se de uma questão de educação para o processo de convivência na atualidade. “Eu me sinto triste porque eu era uma pessoa que não tinha terra, eu tive um pedacinho de terra de 2 hectares de terra pra criar nove filhos e eu e a companheira pra formar onze pessoas. Depois de 199, tenho que parabenizar o Movimento Sem Terra, eu consegui um pedaço de chão, construí uma casa que eu não tinha casa, morava em casa de péssima qualidade e hoje me deixa triste chegar numa casa de 15 metros toda arborizada pra ir para uma cidade de noite tendo que passar um cadeado, pra mim eu acho uma injustiça” explica em ar de lamentação aquele agricultor ao pedir providências por parte das autoridades competentes e lembrando que se continuar o êxodo, as cidades em breve não suportarão os problemas e suas conseqüências.

Domingo Rural conversou com o deputado Frei Anastácio sobre o trabalho que vem sendo desenvolvido de forma seqüenciada e sobre as ações a serem desenvolvidas no decorrer deste ano em diversas microrregiões do estado. “Nada na sociedade vai mudar sem a sociedade organizada, acho que o pouco positivo que está acontecendo foi graças a mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras no estado inteiro quando fecharam BRs, quando ocupam prédios públicos, então é necessário a mobilização social e a população vai crescer na consciência e na resistência quando essas coisas acontecem”, explica o deputado ao complementar defendendo a criação de delegacias regionais, especializadas em crimes no campo e o atendimento ao conjunto de justas reivindicações colocadas pelo movimento da agricultura familiar para que sejam discutidas com as autoridades paraibanas.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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