Seminário revela políticas de concentração econômica e pouca inclusão social para o desenvolvimento regional

Grandes projetos econômicos que estão sendo trabalhados com recursos do Governo Federal em diversos estados nordestinos foram criticados por palestrantes dentro do Seminário regional “A dinâmica socioeconômica do Brasil e as alternativas para o Nordeste”, evento que aconteceu de 16 a 18, em Campina Grande, e conta com participação de segmentos diversos interessados no tema.

O seminário identificou diversos projetos desenvolvidos em Pernambuco, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Ceará com linhas de produção e agroindustrialização voltados para a exportação com capacidade de continuar concentrando rendas sem proporcionar acentuada inclusão e desenvolvimento social. “Acho que um espaço e momento como esse que as organizações estão realizando proporciona a gente que ainda está contribuindo com os movimentos sociais no Nordeste e especialmente na Paraíba para pensar o outro lado porque a grande mídia e a população como um todo ainda ouve mais as ações governamentais que diz que está resolvendo o problema da pobreza, do subdesenvolvimento do Nordeste e a gente está percebendo que não é bem assim, tem outros olhares, existem muitos outros gargalos, muitas dificuldades ainda que a gente percebe que existem e que tem questões profundas que não foram mexidas e é preciso os próximos governos, e que é desafios também para os gestores, enfrentarem e nós que ajudar chamar a atenção dos erros que são cometidos”, explica Raimundo Augusto de Oliveira, Cajá, componente da ASA Brasil.

O professor da Universidade Federal de Campina Grande, Severino José de Lima, Xangai, participou do evento e disse que a cultura política do Nordeste ainda atrapalha mais do que ajuda de forma estratégica e equilibrada de um modelo de desenvolvimento economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente equilibrado e criticou a Paraíba que não tem registrado avanços na aplicação de recursos importantes do PAC do Governo Federal. “É preciso pensar num modelo de desenvolvimento economicamente viável, mas também socialmente justo e ambientalmente equilibrado, acho que são pontos interessantes e até a Paraíba pelo fato de ainda ter avançado no sentido em que está avançando Pernambuco e Ceará em termo de modelo de desenvolvimento em termo de grandes investimentos até ter oportunidade agora de pensar no que ela agora realmente quer em torno de um modelo que não repita as coisas negativas que estes estados estão começando já a sentir em impactos sobre a população, impactos sobre a violência, impactos sobre tráficos de criança de menor pra indústria do turismo, o impacto da droga que as vezes vem junto com determinados investimentos, o problema da matriz energética que é insustentável do ponto de vista ambiental e pensar o semiárido, inclusive pensar qual é a resposta que vai ser dada à transposição do São Francisco que está aí e vai atravessar todo o Cariri, inclusive em cabaceiras, Boqueirão e qual o projeto que nós temos?”, questiona o educador.

Laudicéia Araújo é coordenadora do Centrac, Centro de Ação Cultural e, ao dialogar com Stúdio Rural, disse que a idéia foi trazer dados da ação do governo federal e os impactos que as entidades que trabalham ações sustentáveis no semiárido estão desenvolvendo com ações sustentáveis no desenvolvimento econômico e inclusão social. “O quadro apresentado demonstra a necessidade de um envolvimento maior das organizações, tanto urbanas quanto rurais pra discutir que tipo de desenvolvimento nós estamos realizando, é o desenvolvimento dos grandes empreendimentos, das grandes obras ou daqueles que visam a melhoria da qualidade de vida das pessoas?”, questiona a liderança dizendo que os diversos estados nordestinos estão desenvolvendo grandes projetos de pouco inclusão social e que a Paraíba nem isso está conseguindo. “Nós saímos mal na foto, os dados que o representante da presidência da república traz pra nós deixa muito claro de que nem sequer esse modelo de desenvolvimento que nós temos críticas, a Paraíba está conseguindo desenvolver e o próprio Maurílio Pedrosa, da presidência da república, deixou muito claro de que existem recursos e que existem projetos que estão sendo desenvolvidos em outros estados e que poderiam está sendo desenvolvidos aqui no Estado da Paraíba e não estão porque os órgãos não buscam esses recursos e de que é histórico essa forma como a Paraíba é governada”.

O Bispo de Campina Grande, Dom Jaime Vieira da Rocha, disse ser urgente e necessário mais empenho e intervenções da sociedade no tipo de economia que queremos para a região nordeste e semiárida numa perspectiva que as ações empreendedoras leve, em primeiro lugar o desenvolvimento do povo nordestino. “É aquela diferença que devemos observar entre crescimento econômico e desenvolvimento econômico que seria uma conquista de qualidade de vida, de distribuição de renda, de serviços de qualidade para toda a população. Quando há só o crescimento econômico então há uma concentração já que o modelo econômico é injusto e com diversas falhas na sua própria natureza e é preciso que nós vejamos, quer dizer: o Nordeste se desenvolve ou cresce economicamente com autos índices, mas a população continua ainda na miséria, a grande população das periferias urbanas não podem pagar água e nem energia que eu acho isso uma vergonha”, explica o religioso ao dialogar com Stúdio Rural e garante que é preciso avançar nas conquistas. “Fazendo uma relação com outros estados que já caminharam mais, já avançaram mais nesta linha eu vejo por exemplo, quando se fala em ONG, em iniciativas muito a partir de universidades, de instituições, a Paraíba tem muito o que oferecer, agora eu vejo também dentro d um contexto de fragmentação com cada um fazendo sua parte isoladamente com muito ciúme do seu espaço e muitas vezes não contribui para um avanço mais significativo do ponto de vista regional”, explica dizendo ser preciso também vencer os vícios de oligarquias com reformas políticas eficientes.

Fonte : Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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