Cooperativismo é destaque na primeira capa do Jornal A União; Cooperar para transformar cenários

Em municípios onde o acesso ao crédito, ao emprego e a serviços essenciais historicamente enfrentou barreiras, o cooperativismo consolidou-se como uma ferramenta de transformação social. Mais do que um modelo econômico, o setor representa um meio de permanência no território, garantindo renda para milhares de famílias.

Na Paraíba, o Governo do Estado executa ações e parcerias que tornam o cooperativismo muito mais que um arranjo produtivo: trata-se de uma política social construída de forma coletiva, capaz de transformar realidades, garantir direitos e promover um desenvolvimento mais equilibrado.

Um exemplo disso é a política de isenção fiscal e incentivo ao escoamento da produção da agricultura familiar. De acordo com o secretário de Estado da Fazenda, Marialvo Laureano, a administração pública enxerga o cooperativismo como um setor fundamental para o desenvolvimento econômico da Paraíba. Por isso, foram criadas estratégias para facilitar a incorporação desses produtos em grandes complexos comerciais.

“Nós colocamos à disposição um benefício fiscal, para ajudar esses pequenos produtores. Além da isenção do ICMS nos produtos, o Estado concede um crédito presumido às empresas que compram esses itens para revender. Isto é, se uma empresa compra o produto — diretamente do agricultor ou, como na maioria dos casos, através da cooperativa —, o produtor vende com isenção para a cooperativa; a cooperativa vende com isenção para o supermercado; e o supermercado recebe um crédito presumido, como se tivesse pago imposto. Portanto, isso faz com que a economia gire com mais força, também, na Zona Rural, em toda Paraíba”, explica.

Esse impacto social, inclusive, foi o tema central do 5º Fórum Integrativo da Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito (Confebras), realizado, em 2025, na capital paraibana. O evento, que celebrou o Ano Internacional do Cooperativismo (ONU), contou com a presença do governador João Azevêdo, que destacou o papel estratégico do setor.

“Acreditamos no cooperativismo porque, por meio das cooperativas de crédito, levamos desenvolvimento onde os bancos muitas vezes não chegam. É um segmento fundamental para a geração de riqueza e inclusão das pessoas”, afirmou o governador, na ocasião.

O chefe do Executivo estadual ressaltou ainda que a atuação do setor vai além do crédito, envolvendo parcerias nas áreas da Saúde, Agricultura e Agronegócio, fortalecidas por feiras regionais e exposições que ampliam o mercado para produtos locais.

Ações integradas

O fortalecimento do cooperativismo conta com o apoio de instituições parceiras. A Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB-PB) mantém um termo de cooperação técnica com o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca (Sedap), voltado à formação e à organização de produtores rurais. A entidade também mantém diálogo permanente com instituições como a Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária (Empaer) e a Companhia de Desenvolvimento da Paraíba (Cinep).

Além disso, o Sebrae-PB atua por meio de consultorias subsidiadas e ações voltadas à gestão, à inovação e ao acesso a mercados, contribuindo para a sustentabilidade das cooperativas. “O Sebrae atende cooperativas com consultorias subsidiadas, com até 70% de apoio financeiro, atuando em áreas como gestão, inovação tecnológica e inserção no mercado, sempre de forma integrada com o Sescoop e a OCB”, destaca Pablo Queiroz, gestor do Projeto de Agronegócio do Sebrae Paraíba.

Números
Dados do Anuário do Cooperativismo Brasileiro, divulgados pelo Sistema OCB, ajudam a dimensionar esse impacto social. Atualmente, mais de 114 mil paraibanos participam de cooperativas distribuídas em diferentes ramos de atuação. Juntas, essas organizações geram mais de 4,3 mil empregos diretos e movimentam cerca de R$ 3,5 bilhões por ano — recursos que se transformam em renda, serviços e oportunidades para famílias em todo o estado.

O levantamento aponta, ainda, a presença de cooperativas com longa trajetória e forte vínculo comunitário, muitas delas com mais de duas décadas de atuação. Outro dado relevante é a expressiva participação feminina, que representa mais de 44% do quadro de cooperados, reforçando o caráter inclusivo e democrático do modelo.

Referência
Segundo o presidente do Sistema OCB-PB, André Pacelli, o cooperativismo tem avançado de forma expressiva na Paraíba, com impactos diretos na vida da população, especialmente nos municípios do interior. Nos últimos cinco anos, o número de cooperados no estado cresceu 77%, resultado impulsionado, principalmente, pela expansão do ramo de crédito.

Nesse segmento, a Paraíba consolidou-se como referência no Nordeste, com forte atuação dos sistemas Sicredi e Sicoob, além de cooperativas independentes. Atualmente, o cooperativismo de crédito é o carro-chefe do setor no estado, reunindo 12 cooperativas, mais de 106 mil cooperados e cerca de 789 empregos diretos.

“Essas cooperativas estão presentes em municípios onde, muitas vezes, não existem outras instituições financeiras, ampliando o acesso ao crédito, fortalecendo os pequenos negócios e promovendo inclusão financeira”, aponta Pacelli.

Outro ramo de destaque é o da Saúde, o maior gerador de empregos diretos no cooperativismo paraibano. O segmento reúne 16 cooperativas, mais de 4,4 mil cooperados e cerca de 3,3 mil postos de trabalho, mantendo uma ampla rede de profissionais e serviços especializados em diversas regiões do estado.

André Pacelli também ressaltou a diversificação da atuação cooperativista, acompanhando novas demandas sociais e ambientais. “Há experiências exitosas no transporte de passageiros, inclusive no setor turístico, além do surgimento de cooperativas de reciclagem e de um forte potencial para iniciativas voltadas à geração de energias renováveis”, afirma.

Organização coletiva barra exôdo rural no interior da Paraíba
No interior, o cooperativismo agropecuário exerce papel decisivo na permanência das famílias no campo e na organização da produção rural. É nesse segmento que se concentra o maior número de cooperativas em funcionamento no estado, formadas majoritariamente por agricultores familiares.

Atualmente, o ramo agropecuário reúne 24 cooperativas, com 2.541 cooperados, e movimentou cerca de R$ 68 milhões, registrando um crescimento de 43% em relação ao período anterior.

“No ramo agropecuário, temos dezenas de cooperativas formadas principalmente por agricultores familiares, que atuam na produção de frutas, hortaliças, leite, ovos, mel e outros produtos. Essas cooperativas têm avançado na organização das cadeias produtivas e na profissionalização da gestão, garantindo renda e dignidade para quem vive no Semiárido”, explicou.

Além da caprinocultura e da produção de alimentos, outras atividades também têm demonstrado o potencial do cooperativismo como política de inclusão social no campo. Na floricultura, por exemplo, a organização coletiva tem fortalecido a renda dos produtores e reduzido o êxodo rural.

“A cooperação na produção de flores tem garantido a permanência das famílias no campo, fortalecido a renda dos produtores e melhorado a qualidade de vida nas comunidades, ao unir conhecimento, reduzir custos e ampliar o acesso a mercados”, destacou Maria Helena Lourenço, presidente da Cooperativa de Floricultores da Paraíba (Cofep).

De acordo com Pacelli, esse trabalho coletivo e estruturado tem gerado impactos concretos no desenvolvimento regional. Ele destacou que foi graças à atuação das cooperativas que a Paraíba se tornou líder nacional na produção de leite de cabra — uma atividade econômica viável, sustentável e estratégica para a inclusão produtiva e o desenvolvimento social das regiões do Cariri e do Sertão.

Lei estadual reconhece Cabaceiras como “capital do cooperativismo”
Entre os exemplos mais emblemáticos, está o município de Cabaceiras, recentemente reconhecido como “Capital Paraibana do Cooperativismo”, por meio da Lei Estadual no 14.161/2025.

O título reconhece a atuação de cooperativas como a Arteza, a Capribov e o Sicoob Paraíba, responsáveis por estruturar atividades produtivas e ampliar o acesso a serviços financeiros.

O impacto do cooperativismo no município pode ser observado na trajetória da Arteza. Criada em 1998, a cooperativa surgiu em um contexto de produção escassa e descrédito, marcado pela saída de trabalhadores em busca de oportunidades fora da região. O investimento em capacitação e na agregação de valor aos produtos foi decisivo para reverter esse cenário, impulsionando o crescimento produtivo e a geração de empregos.

“No começo, muitas pessoas não acreditavam que a cooperativa daria certo e acabaram indo embora. Com o tempo, a produção cresceu, surgiu a necessidade de mão de obra e essas pessoas puderam voltar. Hoje, mais de 80 famílias e mais de 500 pessoas vivem diretamente dessa atividade. Quando a renda chega, as pessoas percebem que não precisam mais sair, a economia gira e novos empreendimentos surgem — tudo a partir do cooperativismo”, afirmou o gerente da Artesa, Lucas Castro.

Experiências semelhantes espalham-se por outras regiões do estado, como a atuação da Capribov, com a produção de queijos artesanais premiados, e da Capribom, em Monteiro, que reúne centenas de cooperados e contribui para o desenvolvimento social e econômico local.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural / Eliz Santos A União

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