ASA lança documentário sobre a pobreza no passado, as transformações estruturantes atuais e anuncia: “Quem defende o semiárido nós vamos defender”

A coordenação da Articulação Semiárido, movimento composto por uma diversidade de entidades dos estados nordestinos e norte do Espírito Santo e Minas Gerais, lançou um documentário resgatando a realidade de como era ser trabalhador(a) rural no semiárido brasileiro e como foi o processo transformador a partir das vivências com o desenvolvimento de tecnologias sociais pelas entidades e famílias agricultoras do semiárido a exemplo da criação das cisternas de placas, cisternões calçadão e de enxurradas que, pela importância da Água na Vida do ser vivo, representam as principais tecnologias de Mobilização para a Convivência com o Semiárido.

O documentário evidencia que a partir da implementação dessas tecnologias, enquanto políticas públicas nos Governos de Lula e Dilma, a partir de 2003 iniciou-se e fortaleceu-se as dinâmicas do Programa Um Milhão de Cisternas, dentre outras, transformando a vida e os modelos de vida e organização social em todos os recantos do semiárido brasileiro com uma leitura de conjuntura contextualizada e dando outra realidade e novos rumos na educação, na cultura, na saúde, dentre outras.

Conteúdo e dinâmicas do documentário cinematográfico.  “Em uma conversa entre dois primos, a memória familiar se encontra com a história do Semiárido brasileiro. Entre lembranças da falta de água, da migração e da fome, eles reconstroem as transformações provocadas pela organização popular e pelas políticas de convivência com o território. As cisternas aparecem como símbolo dessas mudanças, trazendo água, alimento e novas possibilidades de permanência no Semiárido”.

“Primo, como é que tio tá, como é que estão as coisas por aí, me conta? Esses dias aqui têm passado um filme na minha cabeça, a história de nosso povo, o povo do semiárido. É muito forte, né? Boa parte do Brasil não conhece, ou esqueceu, mas a gente aqui, não; a gente lembra, memória a gente tem. Tu lembra como era difícil acessar água, água de qualidade? Quem veio antes de nós sofreu com lata d’água na cabeça indo buscar água ruim nos açudes secos, nos lajedos, nos poços, disputando água com os bichos, isso quando os donos da terra não fechavam as porteiras pra gente né” evidencia a primeira parte do argumento, ‘a prima com o parente na parte de lá’.

Trata-se de um curto e valoroso documentário que faz uma leitura contextualizada da realidade de pobreza existente num passado em que o Estado brasileiro assistia omisso e punitivamente como se a seca fosse apenas uma questão climática e não um modelo de dominação de quem estava no controle do poder fazendo com que os frutos dos impostos fossem canalizados para uma casta de seres componentes e ou sustentáculo da dominação.

O Documentário apresenta o conjunto das lutas sociais organizadas a partir das representações sindicais camponesas, dentre outras, e sugere que a sociedade hoje tem claro quais governos fizeram a diferença nas ações estruturantes e transformadoras da vida camponesa e diz “Quem defende o Semiárido nós vamos defender”, vale a pena conferir.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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