Enchentes e seca: proteger a água faz parte da segurança da casa

Proteger a água usada para beber, cozinhar e fazer a higiene faz parte da segurança da moradia diante de enchentes e estiagens. A conservação de cisternas e caixas-d’água, o destino adequado do esgoto e o planejamento das instalações sanitárias ajudam a reduzir riscos à saúde. Orientações e experiências publicadas pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) mostram como esses cuidados se relacionam com as condições de cada território.

O tema ganha destaque no Dia Internacional para a Redução do Risco de Desastres, celebrado na terça-feira (13). Em 2026, a campanha do Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNDRR) adota o lema “A resiliência começa em casa”. A proposta chama atenção para a capacidade de prevenir, enfrentar e se recuperar dos impactos de desastres, considerando a localização, a construção e a manutenção das moradias.

Os riscos variam conforme o lugar. Em comunidades sujeitas à seca, é necessário planejar a reserva de água e proteger as fontes de abastecimento. Nas áreas expostas a inundações, o escoamento da chuva e a qualidade da água exigem atenção. Essa relação foi abordada pela Funasa no 13º Simpósio Internacional de Qualidade Ambiental, promovido pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, seção Rio Grande do Sul (Abes-RS), em setembro.

Cuidados com a qualidade da água – Em Minas Novas, no Vale do Jequitinhonha (MG), a instalação de 12 cisternas em setembro permite às famílias guardar água para os períodos de estiagem. Segundo informações da Superintendência Estadual da Funasa em Minas Gerais (Suest-MG), a prefeitura abasteceu parte dos reservatórios concluídos com carros-pipa, enquanto os moradores aguardavam as chuvas.

As cisternas recebem a água que escoa pelos telhados e chega ao reservatório por calhas e tubulações. Por isso, os cuidados começam antes do armazenamento: limpar a área de captação e as calhas, descartar a primeira água que lava o telhado e proteger o reservatório contra a entrada de sujeira. A qualidade da água e as orientações de tratamento também precisam ser observadas quando o abastecimento ocorre por caminhão-tanque.

A reserva permite guardar água para uso posterior, mas precisa estar associada à manutenção do sistema e aos cuidados para consumo humano. No simpósio da Abes-RS, a Funasa destacou que a escolha das tecnologias depende das fontes disponíveis, das características do território e das condições locais de operação e manutenção.

Depois da enchente – Quando uma inundação afeta o abastecimento, a contaminação pode alcançar a água usada dentro de casa. O Ministério da Saúde alerta que reservatórios domésticos podem ser contaminados mesmo sem contato direto com a enchente, caso a água poluída entre na rede por fissuras ou vazamentos nas tubulações.

Por isso, a redução do nível da água não encerra os cuidados. Caixas-d’água e reservatórios atingidos diretamente pela inundação, ou abastecidos por sistemas afetados, precisam passar por limpeza e desinfecção conforme as orientações sanitárias. O Ministério da Saúde disponibiliza um material específico com o passo a passo desses procedimentos.

A água destinada a beber e preparar alimentos também exige tratamento adequado. As orientações incluem filtração seguida de desinfecção ou, na falta do produto indicado, filtração e fervura. O armazenamento da água tratada deve ocorrer em recipiente higienizado e tampado, com cuidados durante o manuseio para evitar nova contaminação.

Instalações sanitárias – O destino do esgoto é outra parte da proteção da moradia. As Melhorias Sanitárias Domiciliares (MSD), previstas nas orientações técnicas da Funasa, atendem às necessidades básicas das famílias relacionadas ao uso da água, à higiene e à destinação adequada dos esgotos. A Fundação também disponibiliza um manual para orientar os moradores sobre o uso e a conservação dessas instalações.

O planejamento do saneamento precisa considerar os riscos locais. No simpósio da Abes-RS, a Funasa abordou o manejo das águas da chuva e medidas de retenção antes que elas se acumulem nas áreas mais baixas. A escolha das soluções depende das características do terreno e do problema a enfrentar.

Os cuidados domésticos se somam à infraestrutura e à atuação do poder público. Em situações de desastres, o Plano e o Protocolo de Atuação da Funasa em situações de desastres preveem apoio complementar aos municípios, quando demandado pelo Ministério da Saúde. Esse apoio inclui controle da qualidade da água, avaliação dos sistemas de abastecimento, abastecimento emergencial de água e atividades educativas com as comunidades afetadas.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural / Por Ascom Funasa
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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