Agrônomo aponta Bancos de Sementes como gerador de autonomia a agricultores familiares

Os Bancos de Sementes, prática em que as famílias de agricultores guardam suas próprias sementes no final da safra agrícola para serem utilizadas no ano seguinte, vem se intensificando em todo o Estado da Paraíba, numa ação que envolve as entidades de agricultores e agricultoras vinculadas a ASA-PB, Articulação do Semi-árido Paraibano envolvendo bancos de sementes individuais e mais de 200 unidades comunitárias.

Para o agrônomo da entidade não governamental PATAC, Programa de Aplicação de Tecnologia Apropriada às Comunidades, Emanoel Dias(foto direita), os Bancos de Sementes são espaços de organização e gestão comunitária, onde as famílias agricultoras estocam suas sementes, garantindo o livre acesso a todos integrantes da comunidade e que objetiva garantir autonomia e segurança no plantio das sementes nos roçados.

Ao dialogar com a equipe da Rede Nacional de Mobilização Social(COEP), Dias justificou que cada comunidade ou região tem sua autonomia e formas próprias de gestão dos bancos de sementes trabalhando a produção familiar e/ou comunitária de sementes nos roçados, em seguida estocando o produto de maneira coletiva para, futuramente, serem distribuídas nos próximos momentos de plantio. “No ano seguinte, as famílias devolvem as sementes ao banco para armazenamento comunitário. Essa é uma prática que vem acontecendo há muito tempo, acompanhada de momentos de avaliação e planejamento nas comunidades”, explica.

Dias conta que diversas entidades da ASA-Paraíba vêm utilizando uma metodologia onde as famílias, geralmente, fazem visitas de intercâmbio para conhecer uma comunidade que possui um banco de sementes funcionando, prática utiliza como estratégia para que os visitantes e visitados troquem experiências e percebam suas potencialidades a partir dos recursos locais existentes. “É importante ainda que as famílias possam fazer um diagnóstico ou mapeamento das principais sementes encontradas na comunidade e seu grau de importância para as famílias. Essa medida facilita uma leitura do patrimônio genético daquela comunidade, e ajuda a decidir quais sementes serão armazenadas, multiplicadas e resgatadas”, justifica Dias ao contatar com a equipe Coep, acrescentando que na Paraíba, existem centenas de experiências de bancos de sementes, espalhadas por diversas regiões e que muitas delas articulam municípios para animar essas dinâmicas regionais que, juntas, compõem a Rede Sementes da ASA-Paraíba.

Como classificação do que são sementes crioulas, Dias diz serem sementes que possuem ótimas características genéticas, no que se refere à resistência e à adaptação natural, e às condições do seu lugar de origem e que possuem diversas nomenclaturas citando como exemplo a Paraíba em que as famílias as batizaram como sementes da paixão; em Alagoas, sementes da resistência; e que em outras regiões, elas podem ser chamadas de crioulas, nativas, caboclas ou adaptadas. “O nome é o que menos importa. Para as famílias, o mais importante é o resultado, fruto de intenso processo de pesquisa, seleção e troca de informações e mensagens biológicas que os povos vêm fazendo para as futuras gerações, há milhares de anos, de forma gratuita”, justifica Dias em entrevista que encontra-se na íntegra no endereço: 10pt; FONT-FAMILY: ?Arial?,?sans-serif?>http://www.mobilizadores.org.br/coep/publico/consultarConteudo.aspx?TP=A&CODIGO=C200852911165578.

Fonte : Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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