Bicudo ameaça algodão colorido orgânico

A produção de algodão colorido e orgânico – a primeira experiência desse tipo no Brasil – passa por sua primeira prova de fogo. Há duas semanas, uma amostragem realizada na plantação do município de Bom Sucesso, no sertão da Paraíba, detectou um início de foco do bicudo, a praga que até hoje mais prejudicou a cultura convencional no país.

A constatação acendeu o sinal de alerta na Embrapa Algodão, que está fazendo o monitoramento de pragas na fazenda Terra Pura Produtos Agro-ecológicos, onde o algodão orgânico é plantado nas cores branco, verde e rubi.

– O bicudo é devastador e chega justamente na época em que os botões florais aparecem, que é agora – afirma José Renato Bezerra, da Embrapa.

– Seu controle é muito difícil por sua característica reprodutiva alta, ainda mais na produção orgânica.

Por ser orgânica, a plantação de 40 hectares não pode lançar mão de inseticidas. Até agora, os recursos mais utilizados têm sido armadilhas com feromônios – um odor artificial para atrair os insetos – e repelentes naturais, como óleo vegetal e urina de boi.

A Embrapa trabalha com um teto para a incidência de bicudo de até 10% por amostragem. Acima desse percentual, a recomendação é a pulverização química.

– Se atingir 20%, existem apenas duas opções: partir para o combate pesado ou perder toda a produção. Se isso ocorrer com a área orgânica, vou orientá-los a abandonar o projeto – lamenta Bezerra, da Embrapa.

A incidência de bicudo na plantação orgânica paraibana variou entre 3% e 8% nas amostragens, afirma Maysa Motta Gadelha, da CoopNatural, cooperativa local que se comprometeu a adquirir 100% desta primeira safra. Mas, de acordo com ela, os métodos naturais da Embrapa têm surtido efeito. Se tudo der certo, a colheita deverá chegar a 2 mil quilos por hectare de algodão seridó, que tem fibras mais longas. Cerca de 100 mil mudas foram plantadas por hectare.

– Nos comprometemos a cobrir os custos de produção, vingando ou não – diz Maysa.

– Foi a única maneira de convencer o produtor a optar pelo orgânico.

A reticência dos produtores de algodão, sobretudo os pequenos, em experimentar a produção orgânica ainda é grande no Nordeste. No passado, a cultura que chegou a espalhar-se por três milhões de hectares na região teve no bicudo o principal motivo para a sua decadência, que levou à substituição do algodão pela pecuária.

– A idéia do algodão colorido surgiu como uma opção agora para a agricultura familiar nordestina – explica Bezerra.

Os Estados do Mato Grosso, Goiás e o oeste da Bahia representam 90% da produção nacional do algodão. A expansão da cultura para o Centro-Oeste se explica, em parte, pelo fato de o bicudo ter dizimado vastas plantações de outras regiões do país.

Fonte : Agrol

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