Boqueirão com eventos de aprendizados. Águas que Nos Unem: o rio que vira sala de aula, poesia e pertencimento na Paraíba

No Cariri paraibano, onde a água é tratada com o respeito de quem já conheceu a falta dela, a Funasa segue tecendo, ao lado de parceiros e comunidades, uma rede de cuidado em torno do Rio Paraíba. O programa Águas que Nos Unem nasceu justamente dessa ideia: água é saúde, é saneamento, é cultura, é futuro – e só se protege aquilo que se conhece e se ama.

Foi em busca desse conhecimento que, no final de maio, a Escola Cidadã Integral Severino Barbosa Camelo, em Boqueirão, abriu suas portas para o lançamento do subprograma “Desvendando o Comitê e a Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba”. O encontro reuniu o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba (CBH-PB), a Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa), técnicos membros do Comitê de Bacias e a Funasa, além de educadores, pesquisadores e os cerca de 440 alunos da escola, que atende turmas do ensino integral, regular e EJA.

Um programa, muitos braços
Mais do que um evento isolado, o que aconteceu em Boqueirão é um retrato em miniatura do que o Águas que Nos Unem representa para a Paraíba inteira. O programa caminha lado a lado com a atuação da Funasa nas reuniões do CBH-PB, onde a instituição defende a integração dos Planos Municipais de Saneamento e dos Planos de Segurança da Água ao planejamento da bacia – sempre com um olhar atento para a prevenção de doenças de veiculação hídrica e para a qualidade de vida nos municípios menores e nas comunidades mais vulneráveis.

Para a chefe da Divisão de Saúde Ambiental (Disam) da Superintendência da Funasa na Paraíba, Roseane Batista da Cunha, essa presença não é protocolar – é estrutural. “A nossa participação nos Comitês é primordial para garantir a segurança hídrica, a prevenção de doenças de veiculação hídrica e a eficácia das políticas públicas de gestão das águas nas bacias”, explica Roseane, lembrando que a atuação da Funasa passa pela vigilância em saúde, pela integração com o saneamento básico e pela elaboração técnica dos planos de bacia.

E é exatamente essa visão de longo prazo que sustenta o trabalho com as escolas. “Essa iniciativa reforça e intensifica que a educação em saúde ambiental como medida estruturante traz resultados contínuos, pois ela é determinante para promover resultados e mudanças duradouras no que diz respeito à relação da sociedade com a água”, afirma.

Da palestra ao açude: o caminho do conhecimento
Na Escola Severino Camelo, o aprendizado começou com palestras para aproximar crianças e jovens de temas como a gestão dos recursos hídricos e o papel do Açude Epitácio Pessoa, um dos grandes símbolos da convivência do Cariri com a água. As próximas etapas prometem tirar os estudantes da sala de aula: visitas de campo e uma feira de ciências vão transformar teoria em vivência.

A expectativa é grande. Espera-se que os alunos ampliem seu conhecimento sobre a Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba e sobre instituições como o CBH-PB e a Aesa, que a comunidade escolar se sensibilize para a preservação da bacia e que cresça, entre eles, um verdadeiro sentimento de pertencimento à sua própria água.

A professora Cláudia Fernanda Costa Estevam, representante da Associação dos Irrigantes do Açude Epitácio Pessoa na diretoria do CBH-PB, lembra que o açude é o segundo maior do estado e abastece aproximadamente um milhão de pessoas, em mais de 20 cidades. “É importante que a comunidade escolar compreenda o papel que o açude e a Bacia do Rio Paraíba têm. A gente só cuida do que a gente conhece, do que a gente ama, do que a gente tem zelo. Tendo esse sentimento de pertencimento e esse amor pela água, pela natureza, a gente vai ser multiplicador desse amor, desse cuidado”, enfatiza.

Quem viveu o dia conta com as próprias palavras o que ficou. A estudante do 1º Ano do Ensino Médio (EM) Maria Isabel Florêncio, moradora de Boqueirão, resumiu o aprendizado ligando a palestra ao açude que ela vê todos os dias. A estudante destacou que esse tipo de encontro ajuda a cuidar mais da água por causa do Açude Epitácio Pessoa, e agradeceu à equipe da Funasa por ensinar a comunidade a valorizar ainda mais esse recurso.

O estudante Kaio Rener Marinho Caetano​​, do 1º EM, refletiu sobre o papel fundamental de apresentações educativas em sua trajetória escolar. Segundo ele, os estudantes puderam entender como a água é importante para a população e a sociedade na região.

Já Bianca de Carvalho Silva, do 2º Ano do EM, comentou que esse tipo de iniciativa revela vocações. Para ela, são momentos que podem despertar em alguns colegas o interesse em seguir cuidando da saúde da água – e, com isso, da própria comunidade – no futuro.

Para a professora de Matemática Francitânia de Albuquerque Silva, que também acompanhou de perto a tarde de atividades, o sentimento na escola foi muito positivo: “Foi uma tarde muito produtiva e de muito conhecimento, e o desejo agora é que momentos como esse se repitam”.

Um cordel para receber a Funasa
O conhecimento técnico e a cultura popular se encontraram no palco, durante a atividade na escola de Boqueirão. O poeta Francisco Carlos marcou o evento com um cordel escrito especialmente para a ocasião, recebendo a equipe da Funasa com os versos do sertão: “A água tem muito valor, principalmente no calor (…) Sabemos que água é vida, isso é uma grande verdade, fonte de renda e sustento para toda a comunidade. O nosso Pai poderoso manda o líquido precioso para que haja igualdade, para que o povo tenha água de qualidade, para saciar a sede com muita tranquilidade.” Nos versos de Francisco Carlos, a água aparece como ela realmente é para quem vive do Cariri: sustento, dignidade e esperança – exatamente os valores que o Águas que Nos Unem busca traduzir em ação concreta.

Uma rede que cresce rio abaixo
Nenhum programa dessa dimensão caminha sozinho. O Águas que Nos Unem reúne, ao lado da Funasa, instituições como a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), que apoia desde as grandes assembleias do comitê até pesquisas sobre espécies nativas para a recuperação de matas ciliares; a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), com seu monitoramento climático e ambiental; o Sebrae Paraíba, à frente de capacitações em turismo sustentável nas áreas próximas às nascentes do rio; e a Aesa, responsável pelo suporte técnico e pela secretaria executiva do CBH-PB.

É dessa soma de saberes – técnico, popular, escolar e institucional – que nasce a força do Águas que Nos Unem. Um programa que entende que cuidar da bacia do Rio Paraíba é, antes de tudo, cuidar das pessoas que vivem de suas águas.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural / Com Comunicação – Funasa
Fotos: Roseane Batista-Funasa e Suest-PB /

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