Cooperativa promove seminário sobre direitos conquistados e rede de proteção social

Assentados e assentadas da região de Campina Grande participaram de um seminário sobre redes de proteção social básica e especial durante evento realizado no dia 28 de agosto último, tendo como local o auditório do Salão de Artesanato, em Campina Grande, numa realização da Cooperativa de Trabalho Múltiplo de Apoio às Organizações de Autopromoção (COONAP) através de contrato de assistência técnica com o INCRA/PB.

Ministrado pela assistente social Kaliandra de Oliveira Andrade, o evento objetivou orientar os assentados e assentadas acerca dos direitos sociais para que estes possam ter acesso às políticas públicas existentes (saúde, educação, assistência social, segurança pública, habitação, entres outras) que muitas vezes, por falta de conhecimento e orientação, têm seus direitos lesados ou dificultados. “Discutir direitos é algo novo, especialmente se tratando dos direitos da mulher porque a Lei Maria da Penha foi aprovada em 2007 e precisa dos municípios pra trabalhar essa lei no município embora seja uma lei federal, mas nos serviços que trabalham a questão da prevenção, da proteção e da punição tem que haver um pacto dos municípios, do estado com o governo federal para que aconteça, então vem a criação dos Centros de Referência, Delegacias da Mulher onde a Paraíba não tem uma delegacia por município são, se não me engano, 11 delegacias para mais de 200 municípios, quer dizer que ainda está muito devagar essa questão, então precisa de um trabalho mais assíduo, embora muita gente ache ainda que violência contra a mulher é uma questão privada que fique só no âmbito doméstico e que ninguém deve meter a colher, só que é o inverso e devemos meter sim a colher”, explica Kaliandra Andrade ao dialogar com nosso público ouvinte de nossas emissoras parceiras.

Participando do encontro e do Programa Domingo Rural e Esperança no Campo, a agricultora Maria Hozanete Lopes Silva, residente no Assentamento Vitória, município de Campina Grande, classificou como sendo uma atividade verdadeiramente libertadora já que traz informações inovadoras que as agricultores, especialmente, não têm acesso já que moram distantes do setor urbano e em consequência de estarem condicionadas ao lar cuidando da família e aos pensamentos machistas contra a mulher de mantê-la distante dos espaços sociais. “É um encontro muito importante, a gente nunca tem esses direitos e é como ela mesmo fala que o pobre vive lá para os matos, não tem direito a ter essas coisas boas e agora com essa chance é muito bom pra gente, pelo menos a gente sai de lá e vem pra cá ver gente nova, se diverte e isso é muito bom”, explica a agricultora dizendo que o meio rural é um espaço em que os direitos são amplamente negados e diz que essa negação acontece em consequência da falta de esclarecimentos sobre esses direitos. “Tinha muitos desses direitos que eu não sabia e nem onde procurar, eu tenho uma filha que está nesse problema de não saber a quem procurar, ela tem um menininho pequenininho e ainda não recebeu esse dinheiro que dizem que toda mulher recebe. Ela é agricultora, tem Seguro Safra, tem Bolsa Família, tem os direitos certos dela, mas esse dinheiro ela ainda não tirou, agora eu já vou informar pra ela”.
Josélia Nascimento Silva é agricultora residente no Assentamento Serra do Monte, município de cabaceiras, Cariri Oriental, participou do encontro e garante ter sido espaço de fundamental importância para as famílias agricultoras, especialmente a mulher já que é essa que fica na responsabilidade de proteger filhos e filhas diante de questões relacionadas a saúde e previdenciárias e sem essa consciência de seus direitos e das ações das redes de proteção social ficam sem saber onde buscar apoio. “Percebi aqui muitos direitos ainda desconhecidos, coisas que eu nem imaginava que a gente tinha direito e tem, por isso que é bom a gente participar desses encontros”, relata a agricultora assegurando que a onda de violência contra a mulher por parte do companheiro no meio rural ainda é algo muito presente na vida da família. “Tem, com certeza, lá já teve vários casos assim de marido dar em mulher, mulher dormir fora de casa em cima dos lajedos com as crianças tudo por causa da bebida”.
Durante todo aquele dia de instrução os participantes tiveram uma ampla programação com temas relacionados aos direitos sociais, com o intuito de envolver todos os participantes com exibições de vídeos, dinâmicas e roda de diálogos acerca do tema, discussões sobre rede de proteção social que consiste na garantia de proteção e inclusão das famílias e indivíduos em situação de risco pessoal ou social que tenham sido violados ou ameaçados e que possam ser inseridos na rede de proteção social local.
Ao final do evento aquelas representações fizeram uma avaliação da importância da Coonap no suporte dessas ações e conhecimentos que possam proporcionar melhor qualidade de vida para as famílias nos assentamentos rurais acompanhados por aquela cooperativa que trabalha com empresas federais, estaduais e municipais e atualmente tem um contrato com o Incra para assessoria e assistência técnica em assentamentos da reforma agrária. “Como cooperativa de trabalho, a COONAP atua em diferentes eixos: Gestão de Recursos Hídricos, Gestão do Sistema Produtivo, Gestão em Sistema Associativista e Cooperativista, Difusão e Criação de Tecnologias apropriada ao Semi-Árido, Manejo da Agrobiodiversidade, Beneficiamento e Comercialização de Produtos Derivados, Capacitação em Manejo Animal, Capacitação de Gênero, Artesanato, Capacitação Profissionalizante para Jovens e Adultos, Criação de Viveiros de Mudas de Espécies Nativas e Frutíferas, Produção Agroecológica e Análise e Elaboração de Projetos Produtivos e Sociais”, complementa a assessora de comunicação daquela instituição, jornalista Suzana Araújo.
Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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