Entidades paraibanas realizam Fórum estadual da agricultura familiar e reforma agrária

Entidades da agricultura familiar, sindicais camponesas e da reforma participaram do encontro unitários de entidades dentro Fórum Estadual da Agricultura Familiar e Reforma Agrária que aconteceu durante os dias 26, 27 e 28 de fevereiro em João Pessoa.

O evento aconteceu na sede da FETAG, Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado da Paraíba, objetivou discutir conjuntura sindical e, segundo a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Queimadas, Maria Anunciada Flor Barbosa Morais(foto), tratou-se de um encontro continuado a partir de encontro um nacional já acontecido em agosto de 2012, em Brasília. “Nós tivemos uma boa representação da sociedade civil que se encontrava naquele momento onde nós estávamos discutindo as questões relacionadas á terra, água, sementes, a forma do cultivo, foi muito bem colocado a forma do agrotóxico na Paraíba, questão da segurança alimentar e o agronegócio, então foi um encontro bastante produtivo com encaminhamento de uma carta com as reivindicações das propostas das organizações que estavam presentes para que a gente possa ter uma agricultura familiar a qual a gente almeja, tivemos várias experiências de algumas organizações a exemplo das do Pólo Sindical, a exemplo da Várzea de Sousa e outras ONGs que estavam lá presentes mostrando como se faz agricultura familiar de forma agroecológica, como superar os problemas aos enfrentamentos das políticas públicas de governo que vêm para a agricultura familiar, mas que nem sempre essas políticas públicas têm trazidos benefícios. E aí foi bastante discutido a questão do agrotóxico e a questão da reforma agrária também porque, segundo as ONGs que estavam presentes, aonde existem áreas de assentamentos tem muitos agricultores que estão nas áreas há bastante tempo, mas não tem ainda o título de propriedade, muitos jovens têm saído das áreas de assentamentos e hoje estão no mundo das drogas nas periferias das cidades”, explica Barbosa Morais detalhando as discussões nas temáticas de acesso a terra e aos programas de investimento nas áreas já conquistadas.

Anunciada explicou que hoje se constata inúmeras famílias em que as propriedades estão tão reduzidas a ponto de não se enquadrarem em programas de construção de cisternas calçadão, barreiros-trincheiras dentre outros por falta do espaço mínimo necessário para a estruturação destas propriedades, condicionando essas famílias a meros moradores rurais sem a capacidade mínima de produção. “Então foi muito forte esse debate em cima dessa questão da reforma agrária, até porque nós trabalhamos com os programas da ASA: P1MC e P1+2 as cisternas calçadões que têm trazido tantas diferenças na qualidade de vida das famílias e que sabemos que temos famílias que não podem ser contempladas com a cisterna calçadão simplesmente porque não dispõem nem do pequeno espaço em que será ocupado com a construção de uma cisterna”.

Na questão da defesa da produção agroecológica, Anunciada garantiu que o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Queimadas, em parceria com as entidades do Pólo Sindical, puderam compartilhar exitosas experiências trabalhadas nos diversos municípios do Território da Borborema e garantiu que a pressão dos movimentos para que não se usassem venenos na citricultura do Agreste/Brejo contra a praga nos anos 2011/2012 foi referência para a construção de uma defesa que se contraponha ao uso de um veneno que o agronegócio está chegando para colocar em uso nos palmais de toda a Paraíba contra a praga da Cochonilha do Carmim. “Essa foi uma das discussões que eu mesma coloquei no meu grupo de debate num momento em que nós estávamos divididos para apresentarmos os trabalhos em grupos em relação a Cochonilha do Carmim que é muito forte na nossa região do Cariri e que no nosso município a praga está se estendendo de forma assustadora, está se infestando de forma muito rápida e como experiência nossa enquanto Pólo Sindical, nós citamos alguns embates que nós tivemos, alguns enfrentamentos que nós tivemos com o governo entre o ano de 2011/2012 com relação a fumicultura, em relação a praga da mosca-negra nos municípios da região do Brejo com a cultura dos citros e aí não deixa de ser mais um enfrentamento que nós vamos ter com o governo porque nós que fazemos agroecologia em momento algum nós aceitamos essa prática de usar o veneno na palma, devemos buscar as alternativas de experimento de produtos naturais assim como foi experimentado na questão da mosca-negra”.

Outro ponto muito discutido naquele encontro estadual, segundo Anunciada, a ausência da maioria dos sindicatos dos trabalhadores rurais que, segundo observação do encontro, continuam muito omissos às grandes discussões de interesse da sociedade nos dias aturais. “Precisamos aumentar cada vez mais a participação da sociedade civil nestes processos, inclusive ficou bem colocado lá nesse primeiro encontro unitário sobre a participação dos sindicatos, os enfrentamentos que os sindicatos tinham na década de 1980 em relação as mobilizações e pressão aos governos quase não existem hoje, existem apenas os municípios que parte do Pólo Sindical e alguns outros sindicatos que estão se aderindo já a esse processo de cobrança, de mobilização ao enfretamento da luta mesmo como é o papel de cada sindicato”, explica aquela liderança dizendo que isso reflete a falta de ação de entidades como FETAG e CUT-Paraíba. “Eu acho que precisa das organizações á nível de estado assim como a FETAG e CUT á nível até nacional para que também possa mobilizar essa classe com esse intuito”.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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