Feira Regional de Produtos Agroecológicos reúne agricultura familiar e debate sobre alimentação saudável em Campina Grande
Campina Grande recebe, nesta quinta-feira (8), a Feira Regional de Produtos Agroecológicos do Dia Mundial da Alimentação. Organizada pelo GT de Comercialização da Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba), a atividade acontece das 7h ao meio-dia, na Praça da Bandeira, e reúne famílias agricultoras de diferentes territórios do estado para comercializar alimentos produzidos pela agricultura familiar de base agroecológica e dialogar com a população sobre o direito à alimentação saudável.
A Feira reúne cerca de 18 barracas, com participação de mais de 40 agricultores e agricultoras, com experiências de Convivência com o Semiárido e Agroecologia. “As feiras são sempre um espaço de articulação política entre o campo e a cidade. São espaços de afirmação e de comunicação, para mostrar à sociedade que é possível produzir alimento em harmonia com um meio ambiente mais saudável e equilibrado”, explica Roselita Vitor, que representa a Articulação Semiárido (ASA Brasil), no Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea).
A programação completa vai além da comercialização dos produtos.
Além de um trio de forró animando a Praça, estão previstas falas políticas, conversa com agricultores e agricultoras nos espaços de comercialização e diálogos com o público presente. Ao final da atividade, será sorteada uma cesta agroecológica entre os consumidores que participarem da programação.
Entre alimentos, músicas e vozes, a atividade no centro de Campina Grande reforça a ideia de que o debate sobre alimentação saudável interessa tanto a quem produz quanto a quem vive nas cidades. Para a ASA Paraíba, a Feira busca fortalecer o diálogo sobre agroecologia, soberania alimentar, preservação ambiental e Convivência com o semiárido.
Hortaliças, frutas, sementes crioulas, alimentos beneficiados, geleias, doces, pães, sucos e produtos derivados da criação animal, estão entre os alimentos comercializados. A lista também inclui produtos da apicultura e da meliponicultura, além de itens produzidos a partir da mandioca. “A gente procura produzir de forma diversificada para suprir nossas necessidades e ter uma alimentação o mais natural possível. Quando existe excedente, a gente comercializa nas feiras”, afirma o agricultor familiar Iranildo Andrade, de Mogeiro (PB), que vai comercializar mel, favos, goma e farinha de mandioca, extrato de própolis, amendoim torrado, gergelim, milho e feijão.
Alimentação saudável, defesa dos territórios e meio ambiente
A feira também marca a mobilização da ASA Paraíba em torno do Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro. A proposta é discutir o conceito de “comida de verdade” e mostrar que os temas de alimentação saudável, agroecologia e sustentabilidade ambiental não se separaram. “A agroecologia é um pilar da soberania alimentar. Não só pela produção de alimentos saudáveis, mas também pela sustentabilidade ambiental, pela preservação da biodiversidade e pelo compromisso com as futuras gerações”, afirma Zilma Máximo, técnica do Centrac.
O debate também envolve um olhar crítico ao modelo convencional de agricultura e seus impactos socioambientais, a exemplo do de insumos químicos e concentração de terras. A feira será espaço para que agricultores e organizações apresentem suas experiências e discutam formas de produção sem abrir mão da saúde, do meio ambiente e dos territórios. “Essa feira é um dia de mobilização, de reivindicação dos nossos direitos à alimentação saudável, aos que têm poder aquisitivo e aos que não têm, com preços acessíveis a todos”, destaca a agricultora familiar agroecológica Marlene Pereira, coordenadora da Ecoborborema. Para Marlene, a atividade também permite discutir desafios enfrentados pela agricultura familiar nos últimos anos, como o acesso a políticas públicas, a expansão do uso de agrotóxicos e os impactos de grandes empreendimentos sobre os territórios e a produção de alimentos.
“Um meio ambiente equilibrado e com muita agrobiodiversidade é fundamental para a construção da soberania e da segurança alimentar e nutricional”, define Wagner Santos, assessor técnico da AS-PTA. Segundo Wagner, a diversidade de plantas, animais e culturas contribui para a capacidade de produção e de resistência dos sistemas agrícolas. Ele cita como exemplo os roçados diversificados da agricultura familiar, nos quais diferentes variedades são cultivadas no mesmo espaço. A lógica também está relacionada ao enfrentamento das mudanças climáticas. Para o assessor, ambientes mais diversos e equilibrados tendem a apresentar maior capacidade de resistência diante de estiagens, temperaturas elevadas e outros impactos. O debate ambiental, na avaliação de Wagner, não se limita ao campo. As mudanças climáticas também afetam as cidades, onde questões como arborização, impermeabilização do solo e aumento das temperaturas precisam fazer parte das discussões sobre qualidade de vida. “Sem um meio ambiente equilibrado, sem uma natureza viva presente, as pessoas que moram na cidade também vão sofrer muito”, aponta Wagner.
Serviço
Feira Regional de Produtos Agroecológicos do Dia Mundial da Alimentação
Data: quinta-feira, dia 8
Horário: das 7h ao meio-dia
Local: Praça da Bandeira, Campina Grande-PB
Realização: Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba)
Programação: comercialização de alimentos agroecológicos da agricultura familiar, artesanato, trio de forró, falas e diálogos com agricultores, agricultoras e consumidores e sorteio de cesta/balaio agroecológico.
Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural / Por Daniel Ascom AS-PTA
Foto: Arquivo Stúdio Rural




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