Pequenos agricultores querem solução para dívida agrícola

Camponeses gaúchos enviaram uma carta ao presidente Lula para sensibilizá-lo sobre a grave crise enfrentada pela pequena propriedade. No documento, divulgado nesta sexta em Santa Cruz do Sul, os agricultores reclamam da intransigência do Ministério da Fazenda em negociar as dívidas. Eles também afirmam que, se o atual modelo agrícola brasileiro não for mudado, a agricultura camponesa poderá ser extinta.

Os agricultores participam de uma nova reunião do Grupo de Trabalho sobre a dívida na próxima quinta, dia 09 de Agosto. Caso as reivindicações não sejam atendidas, eles prometem fazer novas mobilizações no Estado. É o que relata o integrante da direção estadual do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Odair Bortolini.

Queremos que o governo lance uma política para nos inserir do que continuarmos a ser chamados de ‘problema para o governo’, diz.

Os agricultores afirmam que não são caloteiros e nem estimulam o pequeno produtor a deixar de pagar as dívidas. Eles ressaltam que o sistema de crédito disponibilizado pelo governo é deficitário, o que faz com que os camponeses procurem os bancos privados, onde as taxas de juro são maiores.

No caso do milho, por exemplo, o custo de produção de 1 hectare está em R$ 1.261,00. Pelo Pronaf Custeio, os agricultores podem financiar cerca de R$ 450,00, e terão que conseguir o restante em bancos privados, com juros entre 4% e 8% ao mês. Se projetar esta proporção por 20 anos, analisa Odair, está explicada a causa da crise da agricultura camponesa.
Os agricultores defendem que a pequena propriedade, que hoje é responsável por cerca de 70% dos alimentos consumidos no país, seja tratada com a mesma importância dada ao agronegócio.

É baseado tudo em adubação química, maquinários pesados, onde o agricultor produz acima do custo final. Ou seja, o agricultor produz por um custo x e , na hora que vai vender, recebe normalmente menos do que investiu. O modelo de agricultura que o Brasil adotou é insustentável, argumenta.

No mês de Junho, o MPA trancou rodovias e fez vigílias em frente a bancos para pautar a questão das dívidas. Os camponeses reivindicam que as dívidas sejam negociadas em conjunto, por 30 anos e com juros baixos. Eles também propõem que a dívida seja paga quitando 10% dela e 90% seja subsidiado caso o agricultor pague tudo até Julho de 2008.

Novos protestos também devem ocorrer durante a visita do presidente Lula ao Rio Grande do Sul, no próximo dia 14, para anunciar as obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).

Fonte : MST – Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

Deixe seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos marcados como (obrigatório) devem ser preenchidos.

Newsletter

Através da nossa newsletter você ficar informado, o informativo do estudo rural já conta com mais de 20 mil inscritos, faça parte você também.

Back to Top