Representante do Patac fala sobre qualidade de vida a partir das ações estruturadoras na propriedade familiar

Uma das missões do Patac junto a diversas famílias de agricultores na região semi-árida do estado da Paraíba não se limita apenas em acompanhar a propriedade e a família, mas é também, de certa forma, criar espaços em que técnicos e agricultores também possam dialogar sobre a experiência que cada família desenvolve, é importantíssimo até para ajudar na forma do próprio técnico se posicionar e também perceber o que precisa ser dado maior atenção no conjunto das experiências.

O argumento é do assessor técnico do Patac, Valdir Cordeiro(foto), que no último dia 30 de julho esteve com um conjunto de agricultores da comunidade Lajedo do Timbaúba, em Soledade, e que recepcionaram agricultores e técnicos do COEP de diversos estados do Nordeste com o objetivo de conhecer de perto as práticas sustentáveis em recursos hídricos e ações integradas nas unidades de produção da agricultura familiar.

Durante a exposição e durante entrevista ao Stúdio Rural, Valdir Cordeiro, falou sobre a barragem subterrânea e lembrou que a barragem representa apenas um dos componentes presentes na propriedade e que vista de forma isolada pode não significar muito, que esse empreendimento hídrico está em função da alimentação das famílias e dos animais.

Valdir apontou a experiência da comunidade Lajedo do Timbaúba como uma das referências que trabalham o conjunto das experiências em fazer a silagem, que guardam alimentação para os animais, trabalho com plantio da palma forrageira em consórcio com outras plantas forrageiras, confecção e uso da tela de arame para a reposição das cercas facilitando o manejo dos animais na propriedade dentre outras iniciativas que conduzem a propriedade para a produção agroecológica. “Isso envolve as pessoas no sentido de descobrirem sempre a melhor forma e, sozinho, isolado vai ser muito difícil, você vai dar uns passos, mas você vai viver mais problemas do que quando você tem essa oportunidade de partilhar. Então as reuniões constantes que a comunidade faz, os momentos de visitação que a comunidade tem recebido e que elas próprias têm estimulado pra um visitar a propriedade dos outros tem sido uma prática bem constante e que tem trazido bons resultados”, esclarece Cordeiro.

Ele disse que o agricultor não terá de forma simples o modelo ideal de propriedade já que cada uma vai se ajustando dentro dos aspectos que ela própria apresenta. “Tem famílias em que o espaço trabalhado tem sido a parte das cercas a exemplo da colocação do cardeiro pra formação de cercas vivas e a colocação de gliricídia na formação das cercas vivas já vai trazendo certo impacto pela necessidade que se tem de madeira para a construção de cercas, então tanto o cardeiro como a gliricídia ou a tela diminuem a pressão sobre a vegetação que ainda resta. Depois o próprio solo quando está mais cuidado com as barreiras de contenção sem o uso das famosas queimas das coivaras ele também vai ter uma resposta bem diferente, a planta que vai nascer ali ela vai está mais viçosa e os baixos onde estão as barragens, onde estão as faixas de capim, onde se tem a palma forrageira consorciada forma uma camada especial e que de alguns pontos é possível que você veja os resultados”, exemplifica.

Cordeiro falou sobre o Coletivo Regional de Educação Solidária do Cariri, Seridó e Curimataú, responsável pelas ações, classificando-o como um espaço político que integra as várias associações, sindicatos, igrejas e as famílias de agricultores experimentadores de onze municípios das microrregiões, tendo o papel político de motivar as experimentações e criando as dinâmicas de fazer com que outras famílias possam ter a oportunidade de fazer suas experimentações. “O Patac, por sua vez, como é uma entidade de assessoria, o papel dela é de motivar exatamente que essas experiências dialoguem. Tem o papel de trazer a comunicação entre o saber que cada família, cada agricultor, cada experimentador tem com o saber que o técnico, de certa forma, tem e tem o papel de estar atento para a captação dos recursos que possam está apoiando aquelas iniciativas que respondam a necessidade daquele momento que as famílias estão construindo”, argumenta, exemplificando que diante da disponibilidade de material em forragem para ser armazenada e da existência do conjunto de famílias acompanhadas e interessadas em armazenar, é que o Patac assume um papel de buscar uma máquina e implementos de uso coletivo além de fazer as discussões de como trabalhar esses armazenamentos e o processo de calendários de usos desses equipamentos dentre outras ações eficientes para a melhora da qualidade de vida das famílias de forma sustentável.

Fonte : Stúdio Rural / Programa Domingo Rural  

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