Variedades da Embrapa respondem positivamente mesmo com solo encharcado e veranicos

Mesmo com solos encharcados no início do plantio e veranicos ao logo do projeto de produção de sementes para o fortalecimento dos bancos de sementes para a agricultura familiar as culturas de Milho BRS Catingueiro, Feijão BRS Maratauã, Gergelim BRS Seda e Amendoim BR1 da Embrapa corresponderam de forma positiva em sistema de plantio de sequeiro.

Os resultados forram apresentados em Dia de Campo na última quinta-feira(03) no Sítio Lagoa do Mato no município de Monteiro, Cariri Ocidental paraibano e, segundo o pesquisador da Embrapa Algodão, Joffre Kouri(foto), o resultado deixa claro para as famílias de agricultores e as entidades envolvidas no apoio aos produtores da região que as culturas podem ser trabalhadas com sucesso na microrregião semi-árida.

Ele lembrou que o milho catingueiro, distribuído pelo governo federal, foi trabalhado junto ás famílias de agricultores para ver qual o comportamento da cultura nos solos do Cariri e ao mesmo tempo trabalhar no Projeto de Bancos de Sementes Comunitários. A cultura foi plantada no dia 18 de março mesmo num processo de encharcamento do solo já que os responsáveis pelo projeto temiam que passasse o período das chuvas, após 30 dias de solo saturado houve um veranico que afetou novamente a cultura, mas mesmo assim a cultura respondeu de forma positiva.

Ao contatar com a equipe Stúdio Rural, o pesquisador disse que inicialmente foram colocados 30 metros cúbicos de esterco de curral como forma de melhorar a estrutura do solo e enriquecer de nutrientes e aos 40 dias repetiu-se a quantidade de esterco incorporado ao solo. “Veio esse veranico, o milho não cresceu mais, ficou com mais ou menos 1 metro, 1,5 metro de altura, as espigas não desenvolveram bem, mas apesar disso você vê que mesmo as espigas pequenas elas são bem cheias, não se tem espigas cheias de falhas, elas são menores do que o que deveria ser, mas é uma espiga consistente”, explica o pesquisador.

Ao falar sobre a variedade de feijão maratauã, produto desenvolvido pela Embrapa e distribuída aos agricultores pelo governo federal, Kouri explicou tratar-se de uma cultura de ciclo curto com ciclo em torno de 80 a 85 dias do plantio a colheita e que diante da experiência naquela microrregião foi um sucesso total com produção proporcional de cerca de 1.300 quilos por hectares. Ele disse que um fato positivo está relacionado ao fato de que o solo é um solo extremamente argiloso e, mesmo assim atendeu a expectativa. “A maturação dele é uniforme, ele flora de uma vez e depois a maturação é uniforme e só foi feito uma colheita nesse feijão de forma que o que sobre, uma soca ou outra, não vale a pena, é muito melhor você colocar os animais pra comer o resto da cultura. No geral ele dar uma colheita e aí o agricultor se tiver uma mão de obra escassa ele pode trabalhar na forma de mutirão na hora de colher porque na hora de colher precisa colher todo”, aconselha, acrescentando que se não tiver em época de chuva pode-se fazer a opção de colher gradativamente e que trata-se de uma cultura excelente para ser consorciado já que é uma cultura que se desenvolve sem espalhar a ramagem e sem concorrência com as culturas adotadas.

Já com relação ao amendoim ele disse que o solo daquela unidade representa um dos mais impróprios para a cultura, mas que, mesmo assim, a cultura respondeu com produtividade que aponta ser apropriada para ser agregada aos produtos trabalhados pela agricultura familiar da região. “O pior solo que você possa imaginar para amendoim, solo compactado, muito argiloso, mas a unidade demonstrativa contemplava as quatro culturas e nós não podemos botar só o amendoim fora daqui, ficaria difícil de acompanhar, mas você ver o resultado aí: está duro para arrancar, vai ter que usar enxada pra afofar um pouco entre linhas pra poder puxar, já que se você puxar ele vai quebrar por ser muito duro, mas a produção de vagem dele é muito boa”, comemora, lembrando que a cultura não acompanharia a mesma produção de um solo arenoso aconselhando que o agricultor faça sempre opção por solos de baixios e ou que apresente estrutura arenosa e rica em matéria orgânica.

O pesquisador falou sobre a cultura do gergelim e disse ser cultura que responde bem ao clima e solo da região caririzeira. “Gergelim deu muito bem aqui, excelente, você pode ver ali as plantas bem desenvolvidas, a gente está esperando aí no mínimo 1.000 a 1.200 quilos por hectare”, argumenta dizendo acreditar ser uma cultura a ser colocada na lista dos produtos a ser trabalhado pelas famílias de agricultores da região caririzeira. “Isso é ótimo, excelente, o gergelim hoje está dando R$ 3 reais o quilo, você tirar mil quilos por hectare você tem R$ 3 mil reais de receita bruta e os gastos com ele é igual a qualquer outra cultura daqui, não tem dificuldade nenhuma”, esclarece Joffre, lembrando que são culturas a serem trabalhadas sem uso de produtos que causem impactos negativos ao meio ambiente, a vida das pessoas que lidam com a produção e ao consumidor.

Fonte : Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

Compartilhe se gostou

Deixe seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos marcados como (obrigatório) devem ser preenchidos.

Newsletter

Através da nossa newsletter você ficar informado, o informativo do estudo rural já conta com mais de 20 mil inscritos, faça parte você também.

Back to Top