Universidade, Centro de pesquisas e fruticultura regional desenvolvem parceria com abelhas nativas

A Emepa, Empresa Paraibana de Pesquisas Agropecuária e Universidade Federal da Paraíba, Campus Areia, vêm desenvolvendo um trabalho em parcerias com fruticultores da região do Brejo paraibano com a utilização de colméias de abelhas nativas com ênfase nas abelhas uruçu tidas como abelha sem ferrão e do segmento da meliponicultura.

Segundo o pesquisador de Emepa, Joaquim Efigênio, aquela empresa vem fazendo um trabalho através de estagiários da Universidade Federal onde colméias multiplicadas naquele centro de pesquisas, em Lagoa Seca, estão sendo levadas para campos produtivos do município de Matinhas e Alagoa Nova como forma de pesquisar os resultados apresentados na produtividade da laranja, especialmente. “Essas abelhas têm o mesmo potencial de polinização das culturas com maior potencial pra região como cajueiro, como umbu, aquelas da terra mesmo, são abelhas que merecem nosso respeito, principalmente a gente vê que as famílias de abelhas estão desaparecendo e o que está levando o desaparecimento dessas famílias é o desmatamento porque essas abelhas só se situam nos ocos de árvores. Então se estão tirando as árvores aonde é que elas vão se situar?” comenta o pesquisador demonstrando o trabalho e preocupação que a Emepa vem direcionando para preservar abelhas nativas e torná-las parceiras da agricultura num modelo de produção sustentável como forma de estimular o produtor em conservar as matas, as abelhas e continuar melhorando sua capacidade produtiva e lembrou que a grande vantagem é que o produtor é levado a produzir de forma agroecológica. “A gente tem essa preocupação, a Emepa procura levar esse conhecimento pra que o agricultor tenha além do cultivo da laranja no Brejo ele também possa criar abelhas porque é mais uma fonte de renda, não é só o mel, a própria abelha é comércio porque se ele cria abelha e multiplica, ele faz ampliação das famílias e vende abelha também. Tem criadores aí que estão vendendo até por R$ 500,00 reais tem um produtor lá em Igaraçu onde o preço é R$ 250,00 reais, aqui na região as pessoas vendem a R$ 150,00 ou por R$ 100,00 dependendo muito do momento”, explica Efigênio.

Ele lembrou que são abelhas que podem ser criadas nos quintais das casas para evitar o roubo já que são abelhas que não empreendem ataques a exemplo do que fazem as abelhas africanizadas. “A gente já está vendo algumas pessoas com um certo interesse, mas não têm ainda coragem de pagar pelos serviços que a abelha vai fazer, mas já temos na cultura da Laranja em São Paulo, na cultura da maçã, já essa semana vi uma reportagem falando sobre o papel das abelhas na produção da maçã, o melão aqui do Rio Grande do Norte, na cultura do algodão. Então aonde tem uma cultura alimentícia ou não no caso do algodão as abelhas provocam melhorias e a gente precisa motivar o agricultor a fazer esse trabalho. Se ele não pode pagar ele crie suas abelhas, ache espaço para criar e consorciar com a cultura que ele tem na propriedade”, estimula ao dialogar com Programa Domingo Rural.

O estudante de agronomia da Universidade Federal da Paraíba, estagiário na Emepa, Henrique Sales Guedes(foto), ao ser entrevistado por nossa equipe, falou sobre o sentido do trabalho empreendido na parceria entre a universidade, centro de pesquisas e agricultores no sentido de se trabalhar uma atividade consorciada entre a meliponicultura e fruticultura dando mais sentido para a diversidade que é própria da agricultura familiar da região. “Principalmente aliar o nosso conhecimento na universidade com o campo, mostrando para o agricultor produtor que hoje a criação de abelhas pra ele, ele vai ter ganhos muito maiores do que simplesmente pegar a mata que ele tem na propriedade dele e derrubar pra fazer lenha e outras utilidades”, exemplifica o estudante ao comentar que o trabalho coordenado pela professora universitária Adriana terá o papel de mostrar para o agricultor qual o ganho que ele terá em produtividade com a cultura da tangerina dentre outras culturas a partir da introdução da abelha em campo.

Ele informou que á medida em que o agricultor utiliza as abelhas no consórcio de cultivos e culturas, o mel terá sua pureza tomando como base cada modelo de produção associado ao mel produzido. “A exemplo do que o professor Joaquim citou, até em São Paulo para os campos de laranja, tangerina, limão eles alugam as colméias e colocam para ver a polinização. O produtor das abelhas vai ganhar tanto com esse aluguel dessas caixas como também a produção de mel já que ele agrega valor a esse mel porque sai um mel exclusivo da laranja, sai um mel exclusivo do limão e se você for à rede de supermercados você já encontra potes com mel específico de algumas culturas”, relata aquele estudante pesquisador, acrescentando que o esforço empreendido entre universidade, centro de pesquisas e produtores é no sentido de demonstrar os ganhos práticos registrados.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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