Comissão de criação animal discute inovações para pecuária familiar agroecológica

Representações de entidades e agricultores familiares do Pólo da Borborema componentes da Comissão de Criação animal estiveram reunidos para fazer um balanço das ações e estratégias que vem sendo trabalhadas dentro das dinâmicas de convivência com a realidade semiárida paraibana e ao mesmo tempo fazer um planejamento para as novas ações a serem desempenhadas dentro dessa safra agrícola 2011 a partir de plantios de culturas forrageiras implementando as culturas do Projeto Agroecologia na Borborema que vem intensificando plantio de árvores nas unidades rurais através de um patrocínio da Petrobrás via Programa Petrobrás Ambiental.

A reunião aconteceu na cidade de Remígio no último dia 28 de abril, contou com componentes da comissão que residem em diversos municípios do Agreste, Brejo e Curimataú paraibano que tiveram assessoramento de profissionais da agronomia componentes da AS-PTA e da veterinária por parte da Universidade Federal de Campina Grande, Campus Patos através do curso de veterinária que trabalharam tecnologias apropriadas na alimentação e na sanidade do rebanho como forma de fortalecer a pecuária agroecológica e inseri-la no mercado de consumo dentre outras.

Francisco Roselândio Botão Nogueira, Chico Nogueira, é professor da Universidade Federal de Campina Grande, curso de veterinária em Patos, Sertão paraibano, e ao falar no Programa Domingo Rural deste domingo(08/05) disse que as entidades do Pólo Sindical da Borborema através da Comissão de Criação Animal já vem há algum tempo discutindo melhorias na criação animal da agricultura familiar com ênfase na produção de forragem que possa adequar a atividade a realidade semiárida da região. “Sabemos que a gente está numa região semiárido em que durante o período das chuvas tem fartura de forragem e alimentos para os animais e temos um período seco onde esse alimento fica escasso, e a comissão tem investido exatamente em técnicas e tecnologias para aproveitar a produção de matéria verde de forragem no período chuvoso e guardar esse material para ser fornecido aos animais no período seco e mais recentemente a gente, através de um projeto aprovado pelo CNPq em parceria com a Universidade Federal de campina Grande, Campus de Patos, curso de medicina veterinária, na pessoa da professora Maria das Graças Xavier de Carvalho que é coordenadora do projeto em que ela conseguiu em parceria com a universidade e AS-PTA aprovar um projeto que veio fortalecer esse processo de desenvolvimento das experiências e tecnologias para melhorar a criação animal da agricultura familiar aqui da região do Pólo”, explica Nogueira ao dialogar com os ouvintes das emissoras parceiras espalhados por todo esse semiárido nordestino.

Nogueira informou que o forte da reunião foi planejar o processo de produção de forragens com a finalidade de estocar essa forragem em forma de silagem. “Os municípios estão se organizando para plantar o milho, plantar o sorgo, plantar o feijão-guandu pra quando for daqui a dois, três meses começar a moer esse material, estocar esse material em forma de silagem em silos para que no segundo semestre as famílias tenham alimentos para seus animais, só que a própria comissão começou a avaliar que só a silagem não tem sido suficiente para garantir a forragem dos animais no período seco, até porque tem ano que a chuva é irregular e o milho não cresce, o sorgo não cresce o suficiente pra fazer a silagem, então a gente começou a pensar em outras culturas que sejam mais adaptadas ao semiárido e que tenha pote4ncial forrageiro, foi quando surgiu a idéia de resgatar o algodão mocó, desta feita, não para a produção de pluma, mas para a produção de massa forrageira”.

Iremar freire da Silva, é agricultor no município de Remígio e componente do Sindicato dos Trabalhadores daquele município, disse que o trabalho da comissão tem sido de fundamental importância na vida das famílias agricultores familiares que vêm fazendo um trabalho que silagem e fenação desde o ano de 2005 o que tem criado melhores condições para o processo de produção na pecuária dentro de uma dinâmica agroecológica já que nas épocas de secas as famílias têm sempre ração para complementar a alimentação animal. “Nós temos atualmente entorno de quarenta pessoas nos últimos dois anos fazendo silo, e aquelas pessoas que vão vendo os seus vizinhos fazendo, vendo a importância com os seus animais, a cada ano está aumentando, é sempre aumentando, cada ano aumenta cinco, seis pessoas e sempre um trabalho na comunidade com um trabalho em mutirão onde uns ajudam os outros, isso diminuindo o gasto que possivelmente venha a ter”, explica aquele agricultor acrescentando que o trabalho vem em pleno crescimento graças ao apoio que tem recebido por parte do sindicato dos trabalhadores e das entidades do Pólo Sindical.

Roselita Victor da Costa é componente do Pólo Sindical e das Entidades da Borborema e diretora do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Remígio e, ao falar com Stúdio Rural, falou sobre a dinâmica que vem sendo desenvolvido pela Comissão de Criação Animal. “Então aqui essa reunião que tem de certa forma uma representação dos municípios, acho que a gente também trás reflexão dos avanços, dos desafios, mas também planeja um pouco o que é que a gente está pensando para ao ano de 2011 e uma das coisas que a gente acabou discutindo aqui é com relação ao trabalho com forragem, além do trabalho com forragem como é que o trabalho com os intercâmbios sejam portas de entrada de reflexão e de abertura pra que a gente possa ir fortalecendo as nossas experiências, então uma das grandes preocupações pra esse ano de 2011 é como é que a gente vai além do trabalho com a silagem, como é que a gente amplia e abrindo campos de fortalecimento da alimentação para os animais alem da silagem”, explica a agricultora dizendo que experiências com a cultura do algodão mocó consorciadas com algodão, fazer com que os bosques e pequenas matinhas trabalhados pelo Projeto Agroecologia também sejam espaços de fortalecimento de alimentos para os animais no tempo do verão.

João Macedo Moreira é agrônomo da AS-PTA, trabalha no assessoramento das famílias agricultoras do Pólo e disse que as entidades têm trabalhado a atividade camponesa numa dinâmica integrada onde se discute a questão da água como instrumento principal de convivência com a realidade semiárida, discute-se a semente e sua conservação através dos bancos comunitários e mesmo familiares de sementes como forma de fortalecer as dinâmicas e dar autonomia ás famílias agricultoras e discussões sobre os trabalhos e ações para o fortalecimento da pecuária como forma de complementar esse fortalecimento de forma integrada dentre outras ações e buscas em políticas públicas destinadas ao fortalecimento de um território livre dos venenos e produtos práticas que comprometam a qualidade de vida das famílias e do meio ambiente e garante que com o número de árvores plantadas através do Projeto Agroecologia na Borborema será possível diversificar a ração animal. “É importantíssimo a diversificação, então quando você organiza na propriedade todo esse conjunto de plantas pra garantir o suporte forrageiro para os animais e aí você ter essa condição de trabalhar com plantas anuais de ciclo curto que tem rapidez de produzir, mas também trabalhar com as árvores que vão ficar permanente podendo fornecer a forragem sempre, isso é uma coisa boa porque você terá várias opções de forragens e com uma coisa importante que é poder potencializar e diversificar a nutrição animal com as plantas volumosas, mas tem outras plantas que são plantas mais protéicas que vão fornecer a proteína para os animais e aí as árvores forrageiras que estão sendo estimuladas para o plantio nessas áreas como as leguminosas principalmente, essas plantas que produzem vargens como a gliricídea, a leucena, o guandu e as nativas que o agricultor já maneja ou que está plantando em sua propriedade como o feijão-bravo, camunzé que são plantas que enriquecem cada vez mais e fazem um balanceamento em sua ração”.

Fonte : Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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