Agricultor evidencia importância das Sementes das culturas nativas na pecuária familiar

Residente na comunidade Lajedo do Timbaúba, em Soledade, o agricultor Inácio Tota Marinho(foto) vem desenvolvendo um trabalho de aproveitamento das culturas nativas para o alimento dos animais em toda a época do ano com culturas variadas que antes não eram aproveitadas. Ele participou da IV Festa Regional das Sementes da Paixão organizada Pela ONG Patac em parceria com o Coletivo de Educação Solidária do Cariri, Seridó e Curimataú evento que aconteceu no último dia 25 de julho na comunidade Conoa de Dentro no município de Pedra Lavrada e garante que, com o apoio das entidades, foi possível perceber que um trabalho sustentável não pode está limitado apenas ao processo de conservação de sementes para a alimentação humana, o que fez com que ele passasse a, além de conservar as culturas nativas, guardar e distribuir as sementes em áreas estratégicas de sua propriedade e ao mesmo tempo construir o processo de silagem e fenação das culturas para serem utilizadas na alimentação do rebanho.

Tota explicou que está fazendo um farelo a partir de uma composição das culturas da sabiá, sabiá, maniçoba, feijão de porco, milho Branco, glericídea, jurema nativa, dentre outras culturas que, após trituradas, enriquecem a composição nutricional na alimentação do rebanho. “Se o produtor começar fazer tudo isso e for fazendo um concentrado misturado e depois se ele tiver bem sequinho e quiser fazer só o pó faz”, explica Tota, dizendo que a medida que os agricultores desenvolvam um trabalho com as culturas locais evitará comprar alimentos em outras regiões do país produzidos com produtos químicos que comprometem a pecuária orgânica aqui na região. “O pessoal fala em farelo de soja, já viu plantio de soje aqui no cariri? Ninguém nunca viu, mas vem do Sul do país. Lá no Sul do país ele usam um veneno que eles chamam lá um tal de um mata-mata lá pra eles e acaba aquele mato pra poder ter o cultivo da soja, quer dizer, a soja já vem com o resíduo químico do veneno e a gente aqui no Nordeste empurra nos animais, nós estamos prejudicando a vaca de leite que está dando o leite pra nós, criando doenças crônicas na vaca, na cabra que produz o litro de leite e por isso é que estamos fazendo esse trabalho contrário, se não estamos matando os animais e comprometendo a saúde pública”, esclarece o agricultor.

Ao dialogar com os agricultores participantes do evento Tota explicou sobre a época mais apropriada para a colheita das culturas locais e como fazer a estocagem com fenação ou ensilagem. “Olhe, do jeito que você faz a colheita da jurema no campo quando ela está cheia de folha com os cachos soltando as vagens ela está num processo de enriquecimento cheia de riquezas que seria o fruto. A sabiá, por exemplo, está cheia de folhas e cheia de vagens novas quando você passa no triturador ela vai enriquecer a alimentação, a leucena da mesma forma, guandu se está se enchendo de vagens você poda ele, passa na máquina e bota pra secar e pode estocar em quantidade que não tem problemas”, explica o agricultor ao dialogar com o público presente e ao mesmo compartilhando com os ouvintes da Rede Esperança de Rádio e do Programa Domingo Rural em Rede. “O agricultor se preparando, tendo sua pequena máquina fazendo um pequeno trabalho aqui ele vai ter como se manter nesse Cariri nosso, porque senão o Cariri ainda vira deserto. Mesmo assim ainda tem gente fazendo todo um movimento”.

Ele explicou que a partir de uma barragem subterrânea construída na propriedade foi possível diversificar um conjunto de culturas alimentares para o rebanho permitindo a produção de carne e de leite durante toda a época do ano. “O animal vai se alimentar disso aqui ele vai melhorar a produção de carne, quando está tendo o que comer ele tem mais energia, quando ele tem mais energia tem mais sangue, quando ele tem mais sangue produzir mais carne e leite”, complementa o agricultor dizendo que numa propriedade de 19 hectares e outra com 12 hectares que permitem que ele crie 18 reses bovinas, 50 criações de caprinos e ovinos e dois cavalos. “Eu sempre digo: o agricultor que se organiza com agricultores ele entra nesta cadeia produtiva, e aquele que não quer dar as mãos ele vai sofrer”, aconselha Tota Marinho.

Fonte : Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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