Agricultores familiares e entidades discutem agroindustrialização para cultura da cana em Alagoa Grande

A Central Única dos Trabalhadores, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, entidades locais e estaduais realizaram e participaram, junto aos agricultores e agricultoras, de uma assembléia para discutir fortalecimento do plantio e beneficiamento da cana de açúcar no regime de economia solidária e familiar no município de Alagoa Grande, Brejo paraibano.

A reunião aconteceu na última quinta-feira(10/05) na sede do Sindicato dos Trabalhadores de Alagoa Grande e contou com a participação de entidades de governo: Banco do Nordeste, Emater e entidades da sociedade civil além do Incra que fez anúncio de recursos disponíveis e a ser destinados ao projeto que já vem sendo discutido pelas famílias agricultoras que já produzem tradicionalmente a cana na diversidade própria da agricultura familiar regional associada a diversas outras culturas alimentícias.

“Alagoa Grande sempre participou ativamente das atividades econômicas, principalmente em torno de 12% no estado com várias culturas, logicamente nosso povo, trabalhadores alagoa-grandenses viviam basicamente da agropecuária como hoje ainda e atividade básica nós tínhamos a cana-de-açúcar que era uma cultura que representava muito para nosso município que é considerado como tendo os melhores solos do país apesar da localização, mas nós temos muitas várzeas, praticamente o rio Mamanguape passa por dentro da cidade e cobre parte de todo o território do município, nós tínhamos 7 mil hectares de algodão herbácio; tínhamos 3 mil hectares de milho, 2 mil hectares de feijão macaçar, 2 mil hectares de mandioca, pra você ter idéia nós temos 73 comunidades rurais”, explica o técnico extensionista da Emater, Paulo Luiz dos Santos, fazendo rápido resumo do que representa o potencial do município num passado próximo e que com organização poderá retomar suas atividades e seu crescimento.

José Wamberto do Nascimento Silva, Beto, é diretor presidente daquele sindicato dos trabalhadores rurais e, ao dialogar com Stúdio Rural, falou sobre a razão de se fazer um trabalho organizado com os trabalhadores que já têm experiência na produção de cana-de-açúcar associada a diversidade da agricultura familiar. “Nós estamos, na condição de sindicato dos trabalhadores rurais de Alagoa Grande, envolvidos nesta discussão porque nós estamos preocupados com a vida do trabalhador, com o desenvolvimento, com o progresso porque os políticos de Alagoa Grande não estão interessados mais no desenvolvimento, estão interessados em ganhar a eleição e viver de eleição vivendo as custas da sociedade de Alagoa Grande e então nós dos movimentos sociais vamos tomando iniciativas com Alagoa Grande pra dar um norte ao nosso município, porque é preciso a gente se manifestar e buscar essas iniciativas já que nós não acreditamos nos grupos políticos que estão aí preocupados simplesmente com as eleições e depois que ganham a eleição abandonam o povo, e nós somos uma luta constante em busca de melhorias para os trabalhadores, em busca de uma vida melhor e então é por isso que nós estamos desenvolvendo esse trabalho de trazer essa agroindústria aqui para Alagoa Grande que vai vitaminar a economia do Brejo e do município”, explica Wamberto ao dialogar com Stúdio Rural.

Ivanildo Pereira Dantas é técnico agrícola e palestrante no evento e falou sobre a importância do projeto apontando a implantação de uma agroindústria para a produção de açúcar mascavo, mel e rapadura para merenda escolar e a confecção da cachaça orgânica que viria somar com o fortalecimento do turismo rural. “Primeiro a gente terá que ter um projeto com a proposta técnica, eu acho que a universidade é muito interessante nisso, é muito importante nesse processo, a universidade e ai perpassa para a Embrapa, a Emepa e a assistência técnica, essas são muito importante”, comenta Pereira Dantas que é componente da FETAG-PB.

Lenildo Dias de Morais é superintendente do Incra-PB e, ao falar com Domingo Rural, disse que estava anunciando para aquele público recursos para a implantação de uma agroindústria de base familiar a ser construída atendendo uma demanda forte para trabalhos que beneficiem a agricultura familiar do município numa dinâmica que não estimule a monocultura da cana, dando ênfase para a produção da cultura somada aos diversos gêneros trabalhados na diversidade da agricultura familiar local. “O que se nota aqui em Alagoa grande é a necessidade urgente de se implantar uma alternativa produtiva aqui para os assentamentos, então a vontade é grande dos assentados, nós estamos percebendo isso e é importante que não só o Incra, mas os outros parceiros possam se agregar a esta iniciativa. O Banco do Nordeste já colocou a sua equipe, já disponibilizou técnicos para ajudar, obviamente que o Incra tem papel importante pois sairá do Incra os recursos para implantação física da agroindústria, mas também tem outros atores que são importantes no processo da cadeia produtiva”, argumenta Dias Morais.

Luiz Silva é presidente da Central Única dos Trabalhadores, participou do encontro e do Programa Domingo Rural falando sobre o novo tempo da organização dos agricultores e trabalhadores rurais já que no passado os grandes embates se davam na busca de nivelar os salários dos trabalhadores que produziam nas fazendas e recebiam salários incompatíveis com a carga horária trabalhada o que gerava muitos conflitos com resultados desastrosos contra a vida dos sindicalistas da época. “A gente tem observado na luta dos trabalhadores, conforme acompanhei aqui por volta dos anos 80, que os trabalhadores lutavam não era contra a cana, mas era contra a forma como estava acontecendo a relação de trabalho naquela época na falta de carteira assinada, falta de direitos e também num trabalho semi-escravo conforme havia na extração da cana aqui nas usinas nessa região”, explica dizendo que agora há a esperança de se construir um novo modelo de produção participativo onde os agricultores trabalhadores possam fazer parte nos lucros da empresa e assim melhorar a qualidade de vida. “Diante desse processo de transformação que desafia também a organização dos trabalhadores na necessidade de organizar a cooperativa e voltar a produzir o álcool e, quem sabe, até o açúcar também, mas dentro de uma forma mais participativa onde o poder de produção seja de uma coletividade, seja de um grupo solidário organizado e não de um determinado grupo econômico”.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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