Assentamentos em Remígio resgatam uso de cultivador por tração animal na agricultura familiar sustentável

Práticas agrícolas economicamente viáveis associadas á ações ecologicamente corretas são metas buscadas pelas famílias agricultoras do Assentamento Queimadas e Oziel Pereira, no município de Remígio, no Curimataú paraibano, ações apoiadas pelas entidades de agricultores vinculadas a ASA Paraíba dentre as quais a AS-PTA e Arribaçã que vem fazendo um trabalho educativo rumo a viabilidade da produção agroecológica integrada.

Como reflexo desse acompanhamento por parte das entidades, as famílias vêm se organizando para o uso de tecnologias cada vez mais apropriadas a agricultura local a exemplo do uso de cultivadores por tração de bois para o corte da terra e o uso desses animais ao longo do ano no trabalho com tração de carroças e carro de bois no transporte de água, de lenha, materiais de construção, construções de barreiros e barragens dentre outros, práticas que têm viabilizado a agricultura do ponto de vista econômico e ambiental.

Domingo Rural compareceu ao local e conversou com o agricultor José Rivaldo de Aguiar, Pequeno, residente no Assentamento Queimadas e que trabalho durante todo o ano apoiado na força do animal na hora de desenvolver as diversas ações na unidade rural. “É o troço que mais serve ao homem que trabalha dentro da agricultura é um boi, um cabra sem um boi ele está morto. Teve uma época que eu não tinha isso, hoje eu estou com seis bezerros e hoje trabalho aqui que não dou nem fé, mas de primeiro era difícil, mas hoje, graças á Deus está bom, hoje melhorou o negócio”, argumenta aquele agricultor ao ser entrevistado pela equipe do Programa Domingo Rural, acrescentando que o uso do boi de tração faz a diferença em toda a época do ano, especialmente no período invernoso em que as famílias ficam na dependência de possíveis tratoras proporcionados pela prefeitura. “Rapaz, se a gente for esperar por trator a gente morre de fome porque tem dia que você está com dinheiro, tem dias que você está sem ele, aí o cabra diz: eu vou hoje, vou amanhã e passa três meses aí o inverno vai-se embora, e com o boi não, você começa hoje, quando é com três semanas o feijão está de chacho, com trinta dias você está achando como é bonito e com 60 dias tem feijão maduro”.

Domingo Rural conversou também com o agricultor Antônio Pedro, residente naquele Assentamento rural e ele falou que a cada dia vem aumentando o número de famílias utilizando cultivadores na agricultura e nas atividades diversas nas unidades produtivas afirmando ser uma prática vantajosa para as famílias agricultoras. “É vantagem, é vantagem, eu faço mais troço do que cabra com trator, com o boi eu cuido ligeiro, e o trator o cabra vai esperar, pagar os cinqüenta reais ou sessenta, tirar o dinheiro e não paga”, comenta o agricultor afirmando que no ano passado perdeu a safra por esperar pela promessa da vinda de um trator que chegou somente no final do inverno.

José de Sinésio é agricultor naquele assentamento e falou sobre o trabalho que vem sendo feito pelas entidades para o resgate e uso do boi de cultivador enquanto instrumento sustentável de produção nas unidades familiares de produção e garante que tudo é positivo no uso do boi já que ele é usado no preparo do solo, na limpeza da lavoura ao longo do processo produtivo, nas diversas ações ao longo do ano além de ser útil até no processo reprodutivo dentre outras. “Aqui o agricultor que não possui um boi não tem como trabalhar. Porque o forte aqui para trabalhar, a mão de obra mais forte aqui na agricultura é o boi que trabalha”, comenta Sinésio ao dialogar com a equipe Domingo Rural, afirmando que tem muita vantagem quando comparado a qualquer outra forma de produção citando como exemplo ser um objeto que se aproveita até o esterco e a urina no processo agroecológico. “Lá em casa mesmo tôo dia tem serviço pra ele(boi), tanto faz no inverno como na seca”.

O mobilizador social da Arribaçã, Heleno Alves de Freitas, é da opinião de que a agricultura familiar perdeu muito com o processo de extensão que foi feito na visão da revolução verde, extensão feita tendo como o grande objetivo a visão de mercado, diferente da visão das entidades sociais dos agricultores e agricultoras que priorizam a vida, a pessoa humana e o meio ambiente como meio para a manutenção sustentável das gerações futuras. “Isso mostra a capacidade de organização da comunidade e ao modelo diferenciado de assistência técnica. Os companheiros e companheiras dessas comunidades têm uma compreensão da preservação do solo por entender que o solo é o bem maior de qualquer agricultor, de qualquer produtor rural, de qualquer nação, e pra isso foi criado uma consciência neles e uma compreensão de que o trator não é benéfico na região, e sim um boi, porque o boi ele é produtivo, o boi depois de prestar um grande serviço para a família você vende e ganha dinheiro e a produtividade de um boi num cultivador é por vinte homens, quer dizer, essa comunidade aqui que tem um acompanhamento de várias ONGs, Embrapa e de outras entidades, eles estão na compreensão de preservação do seu cultivo tradicional e também da preservação das técnicas que já existem, não aceitando as novas tecnologias, novos implementos onde não fortaleçam a agricultura familiar”, explica Freitas.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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