Mesmo sem chuvas agricultores plantam algodão agroecológico em Remígio

Agricultores familiares do Assentamento Queimadas, município de Remígio, realizaram o plantio do algodão no modelo agroecológico desta safra, mesmo sem registro de chuvas. O plantio aconteceu em mutirão, se deu no último dia 21(sexta-feira) e contou com participação de agricultores e agricultoras daquele assentamento além de agricultores de outros assentamentos e outras cidades da região que trabalharam o plantio enquanto instrumento de aprendizado sobre a organicidade do algodão.

O agricultor experimentador José de Sinésio, explicou que o ano é um ano difícil para as culturas tradicionais, mas acredita que o algodão é cultura com mais resistência e poderá apresentar produção satisfatória quando comparado a realidade da invernada 2010. “Se chegou o tempo de plantar é plantar e vamos esperar pela vontade de Deus”, explica o agricultor ao falar sobre as estratégias de plantio do algodão na dinâmica agroecológica. Mesmo com o período seco ele diz acreditar na possibilidade de se ter safra do algodão citando como exemplo outros anos em que não choveu para se lucrar as culturais tradicionais e, mesmo assim, se alcançou resultados positivos na cultura algodoeira. Ele garante que todos cerca de 30 famílias agricultoras plantes algodão neste ano, somando cerca 60 hectares.

Luiz Abílio é agricultor no município de Arara, participou do plantio e diz que o agricultor tem sempre uma estratégia a ser trabalhada na busca de obter resultados positivos em cada safra agrícola e por isso ele e outros agricultores participaram da experiência de plantio no Assentamento Queimadas. “Isso eu vejo como uma troca de experiência que só tem a enriquecer a gente, a gente não perde com isso, mesmo você deixando o seu trabalho individual do sustento da família, mas você só vem a enriquecer suas experiências e com isso você pode também melhorar o seu jeito, a sua capacidade de trabalhar, de desenvolver a terra”, explica aquele agricultor ao falar com a equipe do Programa Domingo Rural.

Heleno Alves de Freitas é articulador da ONG Arribaçã e garante que agricultura é sempre uma atividade de risco, de forma que foi acertado plantar o algodão na estratégia sugerida pelas famílias agricultoras, mesmo sem a terra estar molhada. “Tem que ser assim, a cultura do algodão ela tem uma particularidade que é importante. Geralmente os agricultores na sua história de aprendizado geralmente plantavam no seco. O famoso algodão mocó, o algodão arbóreo nós plantávamos no seco, esperando as primeiras chuvas quando venha e esse algodão que nós plantamos hoje aqui é algodão com línter e tem uma condição mais especial para puder ser plantado no seco, nós estamos plantado dentro das experiências que os agricultores daqui têm de plantar nessa época na segunda quinzena de maio até a primeira de junho e nós estamos dentro das perspectivas e com certeza virá chuvas e nós vamos lucrar esse algodão com qualidade”, explica Alves de Freitas, afirmando que as entidades parceiras têm trabalhado a pesquisa de produção integrada escutando as famílias agricultoras numa nova filosofia de socializar os conhecimentos aproveitando as experiências e vivências dos agricultores e agricultoras. “Se eles estão aqui a há mais de 10, 15 anos vivendo dessa cultura, fazendo esse trabalho, cabe a nós como organização e a Embrapa como empresa de pesquisas criar as condições e observar a dinâmica desses agricultores, essa dinâmica tem que ser respeitada observada por ela já demonstrar e provar que tem eficácia e eficiência para todo mundo”, justifica aquela liderança dizendo lembrar de anos semelhantes em que o algodão foi uma das poucas culturas a apresentar resultados positivos.

O trabalho do algodão agroecológico é desenvolvido em microrregiões diversas da Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Pernambuco. Na região do Curimataú e Brejo da Paraíba tem o acompanhamento e apoio das organizações não governamentais AS-PTA, Arribaçã, Sindicato dos Trabalhares Rurais de Remígio dentre outros, técnicos da Emater aliados na dinâmica e Embrapa.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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