Cooperativa constata ausência de fornecedores no Programa Leite da Paraíba em razão dos preços baixos
Durante toda a semana passada Stúdio Rural entrevistou produtores de leite fornecedores de leite para o Programa Leite da Paraíba, ação do governo federal com contrapartida do governo estadual e, também entrevistou lideranças relacionadas ao programa que envolve elevado número de produtores fornecedores e milhares de famílias que são diretamente beneficiadas pelo programa assistencial governamental e que em razão da desvalorização do produto no programa tem feito com que os pecuaristas procurem o mercado formal que atualmente tem ofertado melhores preços por cada litro de leite alem de pagar com uma semana de diferença em benefício do produtor, colocando em risco de desabastecimento do programa e conseqüentemente as entidades beneficiadas.
Após entrevistar com o presidente da Associação dos Produtores de Leite do município de Soledade, André Clementino Augusto de Sales; o agricultor pecuarista, Antônio Pereira, residente na comunidade Campo de Emas, município de Caturité e o pecuarista, pesquisador da Emepa-PB e coordenador do Programa Leite da Paraíba, Aldomário Rodrigues, Stúdio Rural conversa com o pecuarista e diretor sócio da Coapecal, Cooperativa Agropecuária do Cariri, Marcelino Trovão de Melo(foto), que fala sobre a realidade atual no que diz respeito a preferência dos produtores em entregar produtos e quando relacionado ao Programa do Leite da Paraíba e o mercado formal.
Trovão informou que dentre os cerca de 1.250 associados da empresa cooperada e fornecedores de leite, uma significativa parte já está fazendo opção pelo mercado forma e a razão está diretamente ligada aos preços que no ano de 2004 eram por demais atraentes e que ao passar do tempo e por falta de atualização dos preços deixaram de ser atrativos levando a retirada de inúmeros produtores. Nós estamos enfrentando um momento difícil. A partir do segundo semestre de 2007 com a realidade em que estamos vivendo, a inflação a gente já percebe que ela é uma realidade e a gente vem sofrendo no seguinte sentido: o leite do governo que o governo paga ele era atrativo, acho que o programa do governo deu uma contribuição sem dúvidas pra o melhoramento da agropecuária no estado, mas nós estamos sofrendo agora pela seguinte razão: o preço do merco hoje é equiparado ao preço do governo, o preço do mercado se paga regularmente em dia(07 dias de prazo) já o preço do pagamento do governo ele sofre um pouco de atraso(prazo de 15 dias) e em algumas regiões já o preço que o mercado está pagando já se sobrepõe ao preço que o governo está pagando, então não é mais convidativo, não é mais atrativo fornecer leite para o Programa do Governo, então é uma pressão muito grande, nós estamos correndo risco de até sofrer um desabastecimento substancial, já está ocorrendo mas nós acreditamos que o ponto crítico vai vir agora porque vem o mês de agosto mês em que a pastagem toda amadurecendo, o volume de leite cai, em contrapartida ração disparado o preço, hoje um saco de ração de 50 quilos é R$ 50,00 reais, argumenta o pecuarista e diretor da cooperativa, acrescentando que o mesmo saco de ração custava apenas R$ 25,00 a R$ 30 reais no ano passado dentre outros exemplos e comparações de preços feitos pela liderança.
Ao dialogar com Stúdio Rural, Marcelino faz um diagnóstico do êxodo de produtores que deixaram o programa nos últimos meses, buscando o mercado privado e disse que o momento é de um reajuste para que traga de volta o produtor e aqueça o mercado na cadeia do leite. Pegando os dados do ano de 2005/2006 em que chegamos a fornecer até 30 mil litros de leite para o programa diário pra o governo, chegamos a trabalhar com 1.127 produtores. Na primeira quinzena de julho agora que fechamos a fatura reduzimos á 756 produtores, então esse pessoal, muitos deles não deixaram de fornecer leite pra gente, mas ele não quer mais colocar pra o Programa, porque ele não quer esperar o pagamento do programa até porque o preço está equiparado e ele não quer fornecer leite pra o programa, então estamos nesta situação, lamenta Trovão.
Fonte : Stúdio Rural / Programa Domingo Rural




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