Cotonicultores agroecológicos discutem uso de miniusinas para agregação de valor na produção

Agricultores familiares que trabalham produção do algodão em consórcios agroecológicos de municípios do Cariri paraibano, Sertão cearense, Apodi do Rio Grande do Norte e Pajeú e Araripe pernambucanos participaram de uma reunião em campina Grande para discutir as estratégias de compra e uso de miniusinas beneficiadoras do algodão dentro do projeto de produção que é uma ação do Projeto Dom Helder Camara em parceria com a Embrapa dentre outras parceiras que atuam nos Estados Paraíba, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte.

Do evento, que aconteceu no dia 1º de junho no auditório da Embrapa Algodão, participaram agricultores representantes de entidades camponesas que lidam com a mobilização do processo de cultivos agroecológicos da cotonicultura para a assinatura dos contratos de compra de 12 miniusinas descaroçadoras de algodão que farão com que os agricultores deixem de vender o produto em rama, aumentando em até 100% o seu lucro com a venda do produto beneficiado, ou seja, a pluma separada do caroço num projeto que conta atualmente com 527 famílias cadastradas em seis territórios da cidadania do Ministério do Desenvolvimento Agrário: Cariri Paraibano (PB), Sertão do Apodi (RN), Sertão do Pajeú e Sertão do Araripe (PE), Sertão Central e Sertão dos Inhamuns (CE).

“A apropriação dessa tecnologia ela não vai ser apenas mais um incremento no processo de consórcios agroecológicos, essa tecnologia é muito apropriada para o algodão não somente por facilitar aquele processo de comercialização de onde o agricultor só vendia o algodão em rama, ele hoje vai poder vender a pluma e ficar com o caroço e melhor ainda que é o que eu vejo como muito importante em todo o processo para a agricultura familiar que é independência. Então com esse processo com a aquisição e apropriação dessa máquina em que com essa miniusina, cada comunidade em cada território desse vai ter condições de beneficiar o algodão dele sem estar pedindo favor, pedindo ajuda ou fazendo contrato com terceiros, isso vai ser resolvido em casa, ele vai ter a independência de beneficiar o algodão dele hoje, amanhã, na próxima semana porque ele está com a tecnologia, está com a miniusina em casa, ele é independente”, explica o técnico da Embrapa, Dalfran Gonçalves Vale, acrescentando que com a nova tecnologia as famílias agricultoras fortalecerão seus trabalhos com bancos de sementes.

“Os agricultores realmente hoje eles estão saindo de um movimento teórico onde a gente fala muito sobre independência, autonomia, relação com o mercado tudo isso fortalecendo a agroecologia como base na opção e nas relações, mas hoje isso vai se tornar uma prática, a partir de agora as associações estão adquirindo os equipamentos necessários para que essa idéia de ligação direta com o acesso ao mercado, eliminar o atravessador, quer dizer, todas essas coisas que a gente conversa hoje vai se tornar uma prática”, explica o coordenador do Projeto Dom Helder Câmara, Ricardo Menezes Blackburn.

“É vantajoso porque primeiramente ela vai agregar valor ao produto, ela vai beneficiar o algodão para que ele saia de forma mais valorizada, ou seja, vendendo em pluma. O agricultor tem o costume de vender o algodão em rama, o algodão bruto e com essa iniciativa ele vai vender o algodão em pluma e vai ficar com a semente para que fortaleça os bancos de sementes e individuais e principalmente a questão de fortalecer a alimentação dos animais também com a semente que vai transformada em torta ou mesmo dada bruta ao animal”, justifica José Holanda de Morais, da região do Apodi, no Rio Grande do Norte. Ele informou que naquela região o algodão é plantado sempre no mês de janeiro, que os resultados são satisfatórios e que atualmente já estão trabalhando cerca de 400 famílias de 16 municípios da região numa ação que envolve mais de 1500 pessoas de forma direta.

“A gente vem desde 2003 nessa luta de tentar se apoderar cada vez mais desse programa que é a questão da agroecologia e que a gente faz todo um trabalho de metodologias com respeito ao meio ambiente, também a questão de gênero e que as questões dos consórcios vem incrementar ainda mais a renda das famílias e também a questão da segurança alimentar, a gente bate muito em cima disso e hoje nós estamos num momento especial em que os agricultores do Sertão Central estão participando da negociação dessa miniusina que vai trazer um serviço muito importante para o Sertão Central e que no passado a gente venderia a nossa produção em rama e hoje vamos vender para compradores já em pluma, então isso agrega valor muito mais. Então pra gente é um momento muito importante isso hoje para a vida dos agricultores do Sertão Central”, argumenta Francisco Edson Gomes Ferreira, agricultor e líder de associação camponesa no município de Choró, no Sertão Central do Ceará, que desenvolve uma ação que envolve cerca de 80 famílias nos municípios de Choró, Quixadá e Quixeramubim e que vem alcançando resultados positivos com demanda com perspectiva de aumento do número de agricultores e agricultoras e se intere4ssarem com a nova dinâmica de trabalhar a cultura do algodão em sistemas agroecológicos.

Vital Rodrigues Filho é agricultor na região do Cariri Ocidental da Paraíba e ao conversar com os ouvintes do Programa Domingo Rural, destacou detalhes da forma e resultados da produção do algodão agroecológico naquela região caririzeira. “É um projeto que creio que vai ajudar no impulso do projeto, porque desde o início há três anos que se fez essa proposta de trabalhar algodão em consórcios agroecológicos e a gente não tinha beneficiadora e esse ano, se Deus quiser, estamos adquirindo”, explica o agricultor ao dialogar com os ouvintes do Programa Domingo Rural e emissoras parceiras. Ao dialogar com nossa equipe ele falou sobre o trabalho que vem sendo desenvolvido naquela região paraibana e disse que atualmente já são diversas famílias e comunidades trabalhando o algodão de forma agroecológica numa ação iniciada no ano de 2008 e que já são mais de 80 famílias trabalho o novo sistema sustentável de produção do algodão em cerca de 55 hectares plantadas numa perspectiva de produção de cerca de 15 toneladas de algodão em rama para essa safra 2011 que se finalizará com cerca de 5 toneladas do produto em pluma.

Fonte : Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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