Direitos humanos e violência contra a mulher são temas evidenciados em seminário na cidade de Queimadas
Durante toda a tarde da última terça-feira(12 de março) a cidade de Queimadas na região Agreste transitório Cariri Oriental realizou um seminário discutindo segurança, educação, direitos humanos e violência contra a mulher numa ação que teve a promoção da Secretaria de Trabalho e Ação Social daquele município com apoio de diversas entidades locais e participação de palestrantes que participaram da primeira style=mso-spacerun: yes> mesa com o tema: Estado, Segurança e Políticas Públicas para as mulheres: desafios e perspectivas em segurança e políticas públicas de gênero e componentes da segunda mesa com o tema: Educação, cultura e violência de gênero; a mulher no centro do debate.
Stúdio Rural conversou com Maria José Domingos, vítima da violência quando perdeu sua filha no dia 12 de fevereiro de 2012 assassinada no caso que ficou conhecido como o estupro coletivo de Queimadas. Avalio como muito positivo, diante da situação que a gente vem passando neste ano tudo é válido e um seminário desses é muito positivo para a nossa cidade e que continue, não é só a questão com a minha e as outras famílias, mas os diversos outros tipos de violências que a gente está vendo aí e que, de certa forma, a gente espera que saia coisas positivas, caminhos para evitar esses tipos de violências contra a mulher e as violências em geral, explica dizendo acreditar que o envolvimento das escolas e entidades sociais poderão representar o melhor caminho para encontrar as alternativas de convivência social. O próximo passo eu acho que seja envolver a educação tanto na base da família quanto na escola, acho que precisa envolver mais os diretores de escolas, mais de professores porque como estamos expondo problemas, então seria pra eles estudarem como eles vão começar a abordar isso nas escolas, então acho que o principal é a educação porque quando a criança é bem educada ela vai ter outra cabeça, explica dizendo que espera que as entidades e secretarias do governo local busquem envolver os setores sociais do campo e da cidade e disse estar otimista na nova administração municipal com suas ações trabalhadas nesse início administrativo. É muito importante porque o ano passado deixou muito a desejar, a gente não teve apoio de nada, foi só a gente mesmo a família que foi batalhando junto com o estado que deu um apoio muito bom.
Kaline Tomaz Silva Monteiro é coordenadora de Políticas Públicas para a Mulher da Secretaria da Ação Social e, ao dialogar com Stúdio Rural, disse ter sido evento importante enquanto início de uma trajetória que evidenciará o papel da mulher no meio social e econômico daquele município e garantiu que o trabalho irá se intensificar na busca de envolver os segmentos sociais diversos objetivando visibilizar a questão da violência e encontrar o ponto de equilíbrio na cidade e no campo daquele município agrestino. A gente já está pensando acerca já de outro seminário que irá trabalhar a questão do idoso, com violência precisamente contra o idoso, hoje foi apenas contra a mulher, mas o debate foi enriquecido numa vez que várias autoridades levantaram não só a violência contra a mulher em si, mas a violência contra a criança, contra o idoso, então acredito que os seminários que virão terá esse fruto que é a sociedade queimadense estar participando e estou bastante feliz com esse seminário.
Representando a Secretaria da Mulher e da Diversidade Humana do Governo do Estado, Gilberto Santos Soares disse ter trazido a mensagem de reconhecimento da luta, da persistência das famílias das mulheres vítimas de violência naquele município durante o ano de 2012 que passa a ser um exemplo de luta para a sociedade como um todo na busca de soluções por parte das autoridades competentes em punir os agressores e, desta forma, servir de exemplo para a juventude e garante que o governo do estado se coloca á disposição para a busca de alternativas no campo educacional, policial dentre outros. Eu acho que a sociedade espera que o governo traga as soluções, que o estado aponte a solução para a violência contra a mulher. Por um lado é justo e correto que a sociedade demande políticas públicas para o enfretamento, demande a resposta do estado na questão da segurança pública, por outro lado existe uma certa expectativa como se fosse de uma solução mágica de que o estado dá conta de tudo e o estado não vai dar conta de tudo, principalmente quando se trata de violência contra as mulheres porque exige toda uma mudança de mentalidade, existe um comprometimento das instituições, mas também das famílias com essa mudança cultural dos homens para com as mulheres, então é preciso que a sociedade entenda que é pra ser compartilhado, que só enfrenta-se se tiver essa parceria, explica dizendo que na atualidade o tema está sendo cada vez mais discutido graças ao trabalho que os governos e a sociedade vêm travando de forma compartilhada.
Terezinha de Jesus de Souza Dantas é secretária do Trabalho e Ação Social daquela prefeitura e, ao dialogar com nossa equipe, falou sobre o resultado do evento e as perspectivas para dias futuros em conseqüência das ações de inclusão produtiva e social das mulheres a serem desenvolvidas pelas secretarias do governo local enquanto contrapartida com os governos federal e estadual de forma sintonizada com a sociedade civil organizada. Eu acho que superou as expectativas, tivermos a participação da comunidade ativa participando dos serviços, das discussões querendo que as discussões continuem ao longo do ano, propondo a melhoria dos serviços, então acho que foi acima do que a gente imaginava. Foram duas mesas maravilhosas, debatedores que foram além do que a gente propôs pra eles, tivemos a disponibilidade pra continuar esse trabalho com o doutor Sócrates, por exemplo, com Gilberta que é da secretaria Executiva estadual da Mulher e da Diversidade Humana, também vamos conversar com os professores da UFCG que com certeza vão continuar colaborando nessas discussões e nas melhorias das práticas que a gente quer no nosso município, estou falando em nome da secretaria, mas estou falando também em nome da prefeitura na pessoa de Jacó Maciel, explica Terezinha Dantas ao dialogar com os ouvintes de nossas emissoras parceiras.
A presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Queimadas, Maria Anunciada Flor Barbosa Morais, debatedora no evento falando sobre a realidade pela qual passa aquele município e as ações desenvolvidas pelo sindicato em parceria com as entidades do Pólo Sindical da Borborema, falou sobre a importância do evento que vem somar com as diversas ações já, em pleno desenvolvimento, trabalhadas na perspectiva da convivência com o semiárido tendo como foco principal o ser humano em especial a realidade da mulher. Ela garante que as ações precisam ser ampliadas no sentido de envolver setores importantes como o da educação. Esse primeiro seminário que foi realizado pra discutir violência contra a mulher foi um evento bastante positivo com bastante participação, nós esperávamos ainda que outros segmentos da sociedade estivessem presentes, no entanto não houve oportunidade das pessoas participarem, não sei se devido ao horário ser segundo expediente, da tarde e que dificulta muitas vezes o deslocamento das pessoas da zona rural e nós sentimos a falta aqui de líderes comunitários, pessoas que estão ligadas às famílias como agentes comunitários de saúde que na maioria não estiveram presentes onde senti a ausência desses que considero importantíssimos nessa discussão em relação a desigualdade de gêneros porque são pessoas que estão no convívio da sociedade, mas diante-mão eu avalio como um seminário que foi bastante proveitoso com um debate riquíssimo de pessoas bastante preparadas, pessoas que vieram de fora e deram sua parcela de colaboração e que nós esperamos que a sociedade queimadense passe a se envolver mais, que esse seminário não seja o primeiro e último, mas que nós possamos, ao longo de 2013, ter mais envolvimento das pessoas nesse debate em relação a questão da violência contra a mulher, a questão da desigualdade de gênero envolvendo as discussões com a sociedade civil e governo, trabalhando a questão da educação a partir das famílias, a partir das escolas onde a gente possa ter uma sociedade mais justa e igualitária para todos, explica Anunciado ao dialogar com Stúdio Rural.
Já o delegado da Polícia Civil, Erissandro Pinto de Andrade, participou do seminário discutindo a realidade da violência no município e de sua participação na elucidação de causas naquela municipalidade e, ao mesmo tempo, fez um balanço das ações desenvolvidas pela polícia enquanto braço do governo paraibano, mostrando que a polícia tem se integrado cada vez mais com a sociedade dando resposta á diversas causas e acontecimentos dentro do município. Ele informou que desde início de fevereiro está atuando na 1ª Delegacia Distrital de Campina Grande, vinculada a 2ª Delegacia Regional, no Bairro José Pinheiro, e garante que deu sua contribuição nas questões policiais e ao mesmo tempo buscou contribuir para a mudanças de práticas sociais no tocante a segurança a partir de processos de educação como instrumento de segurança. style=mso-spacerun: yes> Uma avaliação muito positiva, porque desde minha saída aqui de Queimadas a gente já tinha conversado antes em si pensar iniciativas desse ponto e creio que esse é um dos primeiros eventos, que devem acontecer novos pra trilhar novas políticas públicas de apoio a mulher, comenta aquele policial responsável pelo desenrolar dos casos de estupros e morte envolvendo a jovem agricultora e militante social do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Queimadas, Ana Alice de Macedo Valentim, que foi vítima do maníaco sexual Leônio Barbosa de Arruda que vitimou diversas jovens nos município de Boqueirão, Caturité e Queimadas.
Do evento participaram como expositores debatedores o assessor do gabinete do deputado federal Luiz Couto(PT/PB), Noaldo Meireles; style=mso-spacerun: yes> coordenadora de políticas públicas para as mulheres do município de Campina Grande, Maria Marli Castelo Branco de Mélo; delegado Erissandro Pinto de Andrade; style=mso-spacerun: yes> secretária Executiva da Mulher e da Diversidade Humana do Governo do Estado, Gilberta Santos Soares; sociólogo/filósofo/doutorando em Ciências Sociais da UFCG, José Marciano Monteiro; style=mso-spacerun: yes> bacharelado em direito/doutorando em Ciências Sociais da UFCG, José Irivaldo A. O. Silva; e a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Queimadas, Maria Anunciada Flor Barbosa Morais que falaram sobre os processos de violências, sobre a importância das ações integradas entre sociedade civil organizada e governos e ao mesmo tempo sobre políticas públicas de promoção para a mulher dentre outras.
Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural




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