E a fome continua na PB: reunião do Fórum Cariri continua sem ação prática para matar a fome do gado

Em julho último foi feito a promessa por parte do Governo do Estado da Paraíba, em reunião plenária do Cariri Oriental, para minimizar a situação de penúria pela qual passa o rebanho e os pecuaristas da região que, após investir na renovação da genética leiteira, desde o início do semestre deste ano começou a se desfazer de parte do rebanho para segurar a outra metade e pouco a pouco se desfazendo de mais parte do plantel.

Na última terça-feira, 30 de novembro, novo encontro aconteceu entre lideranças territoriais dos 14 municípios com componentes do governo paraibano, Secretaria da Agricultura Familiar, dentre as representações o secretária da Pasta, Bivar Duda. “Pra nós da agricultura familiar que vem desde julho aguardando um apoio, uma ajuda, uma contribuição na questão de mantença, da sobrevivência diante desse período de estiagem crítico que a gente vem passando ao longo da estiagem e a questão inflacionária e até agora a gente viu que não tem nenhuma programação através dos governos, nem estadual, nem federal, que venha pelo menos tentar salvar essa criação do agricultor familiar”, desabafa o agropecuarista familiar Januário Marinho de Melo, em contato com o público ouvinte Stúdio Rural.

Residente na zona rural de Soledade, Januário explicou que os agricultores não mais se arriscam em participar de qualquer programa de crédito junto às instituições creditícias porque a relação custo benefício já não cobre quaisquer investimentos já que, por falta de ração produzida pelas próprias famílias, teriam que comprar alimentos para o rebanho a preços elevadíssimos. “Mesmo tendo custeio disponível, é prazo curto de um ano para que possa pagar, e aí, se essa seca permanecer por mais um ano ou por mais, como é que esse agricultor vai poder pagar?”, questiona Marinho de Melo.

Para o coordenador do Fórum, Krísteny Chaves Leite, um dos fatores importante é o processo de mobilização do território em ter resistido ao tempo com as dinâmicas de representação e mobilização das diversas categorias dos municípios daquele território. Ele explicou que esse continuado encontro serviu para identificar a crise de percepção por parte dos governantes em elaborar projetos práticos sustentáveis nas dinâmicas de convivência com o semiárido que ao longo da história tem deixado como certo a advento das sucessivas secas.  “A reunião foi positiva, embora o tempo tenha sido pouco para a discussão com o secretário Bivar, da Secretaria da Agricultura Familiar, mas ele mostrou que tem expectativa que a secretaria possa desenvolver no mais tardar ainda esse ano, ou provavelmente no ano que vem, só que pra nós, principalmente os pecuaristas, isso é uma ação que está chegando de forma tardia, porque as medidas de longo, de médio e pequeno prazo que foram apresentados por nosso território, há meses atrás, poderiam ter sido privilegiadas, pelo menos algumas que possam salvar o rebanho pecuário”, explica lamentando.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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