Entidades e agricultores do Pólo e Coletivo realizam segunda oficina sobre saúde do solo

Entidades e agricultores do Pólo da Borborema e Coletivo Regional realizaram mais uma oficina sobre a saúde do solo buscando contribuir para o processo de formação de agricultores e agricultoras identificando, através de análises, a regeneração da fertilidade, manejo e conservação dos solos em agroecossistemas. A segunda oficina aconteceu na última quarta-feira(23/22), em Lagoa Seca, e contou com agricultoras e agricultores experimentadores de municípios diversos do Pólo da Borborema e Coletivo Regional do Cariri, Seridó e Curimataú.

Angineide Pereira de Macedo Valetim é agricultora no município de Queimadas e componente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, disse que as informações sobre a saúde e melhoramento do solo oferecem melhores condições para as famílias aumentarem sua produção e produtividade já que as ações de recuperação e tratos culturais de conservação estão cada vez mais presentes nas práticas do dia a dia das famílias experimentadoras e garante que os conhecimentos serão trabalhadas naquele município através da organização sindical. “A preocupação que a gente tem é de aprender, mas também repassar, de dar orientação e ajudar os colegas que não podem vir porque infelizmente a gente não pode trazer todo mundo, mas a gente quer ajudar lá no município”.

João de Deus, Joquinha, é agricultor no Assentamento Fazenda Bela Vista de Esperança, participou do encontro, foi entrevistado no Domingo Rural deste domingo e disse que o processo de aprendizado sobre como trabalhar o solo, a água associados ao conjunto de ações produtivas tem feito com que a produção seja ampliada de forma diversificada sem a necessidade de recorrer aos produtos externos a propriedade. “Antes eu não sabia nem falar, anteriormente eu gaguejava, não tinha estrutura, não sabia de nada porque não tinha nem o que falar, através das participações de reuniões sindicais e através do Pólo Sindical a gente vai aprendendo e vai desenvolvendo e dentro da nossa estrutura, hoje eu sou um professor porque a gente aprendeu muito e hoje o nosso trabalho é o de, não só fazer a cultura, mas também de passar pra outros agricultores que ainda não sabem”, explica o agricultor que foi palestrante no evento falando sobre as mudanças na propriedade da família.

Nelson Ferreira dos Santos é coordenador do Pólo Sindical da Borborema e, ao participar do Domingo Rural, explicou que a seqüência de ações vem melhorando todo um processo de formação das famílias no novo sistema de produção sustentável que depende de conhecimentos sobre a estrutura do solo. “A gente começa a lhe dar com a vida logo cedo, primeiro na formação da criança com os animais, depois com os vegetais, nós lhe damos com a semente que é plantada e que nasce pra se transformar em alimentos, então dessa forma nós lhe damos com a vida e precisamos compreender a quantidade de vida que tem o solo, ou seja, a prática de queimar um solo, de jogar veneno, de agredir exatamente está banido daquele agricultor que começa , com mais precisão, a amar a natureza, a amar a atividade agrícola, porque todo agricultor ele é apaixonado pela agricultura e faz com precisão mesmo enfrentando os desafios da natureza, enfrentando as séries de falta de recursos e apoios e nós sabemos da qualidade e amor que o agricultor tem pela vida e pela terra e aí nós estamos descendo pra dentro da terra analisando o que tem dentro dela”, explica Ferreira.

Valdir Cordeiro é assessor técnico do PATAC e Coletivo Regional, disse que as capacitações têm melhorado a forma das famílias identificarem as carências de seus solos num melhor entendimento científico de como se comporta o solo em suas estruturas e quais as práticas que ajudarão esses solos a terem mais fertilidade. “Aqui são famílias que têm o pé lá nas comissões municipais, nas associações comunitárias, participam dos conselhos, participam dos fóruns territoriais e esses são espaços onde essas famílias também tem um puder de diálogo, tem parentes, tem visinhos que constantemente se visitam, participam de diversos outros eventos tanto na região como fora da região e são formas de ir fazendo a troca dessas experiências”, explica.

Já Emanoel Dias é assessor técnico da AS-PTA e, ao dialogar com Stúdio Rural, disse que a idéia é continuar a discussão sobre saúde do solo onde as famílias experimentadoras estão partindo para a interpretação do cromatograma, técnica que permite perceber a realidade do solo. “A gente acredita muito nessa metodologia participativa onde os agricultores e agricultoras têm um conhecimento forte que precisa ser valorizado, assim como foi a questão das cisternas, a cromatografia também é uma iniciativa em que você valoriza os conhecimentos dos agricultores e eles começam a fazer, então é justamente pensar nesta perspectiva de cada um aqui tem a condição de fazer a sua análise de seu solo, é tanto que aqui já tem alguns sindicatos pensando em montar um pequeno laboratório no seu próprio espaço físico do sindicato para que o agricultor quando tiver necessidade ele vá lá e ele coloque”, explica Dias dizendo que o processo já está se expandindo nos territórios de desenvolvimento.

Fonte : Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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