Entidades e agricultores do Pólo lançam Programa de variedades de sementes crioulas em Queimadas

Famílias agricultoras e entidades da agricultura familiar do Pólo Sindical da Borborema participaram do lançamento do Programa de Sementes da Paixão do Pólo da Borborema em evento que aconteceu na última quinta-feira(23/05) no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Queimadas e contou com componentes dos 14 sindicatos de trabalhadores dos municípios do Pólo.

O tema foi evidenciado no Programa Universo Rural da sexta-feira(24/05) e no Programa Domingo Rural do domingo(26/05) entrevistando lideranças e agricultores e agricultoras que falam sobre a importância das entidades na construção de políticas estruturadoras das unidades rurais e na construção de políticas de sementes como parte das ações de convivência com o semiárido.

Entrevistada no Domingo Rural e Universo Rural, a agricultora Maria José Felício, residente no Assentamento Oziel Pereira, avaliou o evento e falou sobre o trabalho que as entidades vêm fazendo pela manutenção da genética da diversidade das culturas locais animais e vegetais. “Pra mim é um reconhecimento não só da semente, mas sim o reconhecimento do agricultor, a valorização do agricultor, porque hoje a gente vê o agricultor sendo valorizado numa demonstração de que a semente da paixão não foi esquecida, porque muitas vezes a gente acha que só nós que guardamos a semente da paixão lembra dela, mas não, a gente vê que tem ONGs lutando pra ela não ser esquecida”, explica a agricultora em parte de seu diálogo com os ouvintes das nossas emissoras parceiras e afirmando que em Remígio o sindicato tem sido perseverante na construção de políticas sustentáveis para a diversidade na agricultura familiar e agroecológica. “Hoje nós temos um sindicato rural que resgatou, hoje nós temos a AS-PTA, o Pólo Sindical que veio levantar essa questão, veio mostrar que o agricultor rural tem o que mostrar, ele tem a valorização dele”, explica ao nosso público ouvinte espalhado pelo semiárido brasileiro.

José Domingos de Barros, Louro, é agricultor residente no Sítio Cachoeira de Pedra D’água, município de Massaranduba, participou do encontro e de nossos programas radiofônicos e falou sobre a importância do evento, mas também sobre as ações que estão acontecendo naquele município e região na construção das políticas de sementes crioulas. “Essa discussão é uma das discussões mais importantes prá nós agricultores, principalmente falando nesse agrotóxico perigoso que anda matando as pessoas sem se saber como, e a maioria dos agricultores que ficam em casa sem querer acompanhar uma reunião dessas a gente passa pra ele e ele acha que a somos mentirosos, que os grandes é quem falam a verdade, então por caso disso é que ainda acontece de muita gente ainda se envolver com essa semente do governo, porque nestas falas que a gente está escutando aí a gente vê o depoimento dos agricultores e depoimentos fundamentados, porque depende de você agricultor ter o conhecimento de que está comendo um veneno que está lhe matando pouco a pouco”, explica dizendo que com o processo de conscientização as famílias passarão a resistir á prática de invasão do governo paraibano de querer entrar com sementes que viriam criar problemas na forma tradicional de fazer a agricultura familiar sustentável.

Emanoel Dias é agrônomo assessor técnico da AS-PTA, e, ao dialogar com os ouvintes 590 e 1180 kHz, falou sobre a dinâmica e sentido do lançamento das sementes, deixando claro não ser distribuição da semente e sim troca de conhecimento e de variedades locais como forma de valorizar as sementes e ao mesmo tempo repor deficiências nos bancos de sementes já que as famílias já plantaram para sua safra 2013 conforme os períodos de chuvas em cada recanto de cada município. “Hoje o evento procurou fazer um lançamento público do programa que existe aqui na no território do Pólo da Borborema com as sementes crioulas, então é um programa que a gente comprou 8 toneladas de semente com recursos do governo federal a partir do Programa de Aquisição de Alimentos do PAA, essa semente foi distribuída para os bancos comunitários para fortalecer os estoques, sobretudo naqueles municípios onde estão os estoques baixos afetados pela seca, e hoje a gente faz aqui um lançamento simbólico do programa onde os agricultores aproveitando o momento do desabastecimento dos bancos trouxeram uma diversidade de sementes pra fazer troca, então várias variedades de fava, milho, feijão, cada um com sua realidade, sua condição, e também uma oportunidade de resgatar esse material que as vezes um banco ou uma comunidade perdeu”, explica dizendo que esses foram fatores motivadores do evento e explicou que representou também um espaço de denúncia de que o governo paraibano se apropriou da idéia e práticas das entidades com os bancos de sementes para ofertar um produto que não conta com a simpatia da agricultura familiar organizada do estado da Paraíba. “É também aproveitar a oportunidade pra fazer uma crítica ao modelo do governo estadual que, inclusive, se apropriou do programa de bancos de sementes da ASA, se apropriou do nome do programa e então lançou um programa de bancos de sementes comunitário que a gente sabe que é um programa que apenas distribuiu as variedades e não dialogou com os movimentos, não dialogou com os bancos de sementes, não disse o porque que esse material ia para os bancos e simplesmente criou esse slogan. Então é fazer uma crítica porque a gente acredita que pra fortalecer os bancos de sementes, pra fortalecer o trabalho das sementes crioulas e também das sementes da agricultura familiar não é o movimento do Pólo só que vai criar, a gente precisa, inclusive, de uma aproximação, de um diálogo mais efetivo com o governo, diálogo esse que começou em 20112012 onde a gente, inclusive levantou volume de estoque para o governo comprar das sementes crioulas, teve uma série de burocracia interna de alocação de recursos e essas sementes não foram compradas e novamente esse ano foram distribuídas sementes sem dialogar com as pessoas e elas estão aí”, explica dizendo que a agricultura construirá nova crítica e proposta para a construção de um programa que realmente contemple a agricultura familiar paraibana.

Ao dialogar com os ouvintes das emissoras parceiras de Stúdio Rural a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Queimadas, Maria Anunciada Flor Barbosa Morais, explicou que os sindicatos dos 14 municípios do território saem contemplados e com a convicção de que essa luta só está no seu início para o processo de construção da política pública de sementes porque por parte das entidades e da agricultura familiar a certeza da eficácia das sementes já conta com a clareza histórica das experimentações das gerações de agricultores e agricultoras além das entidades de pesquisas e universidades que já testaram e constataram que as sementes locais desempenho maior capacidade produtiva e ambiental que supera as variedades já introduzidas pelos diversos programas governamentais. Flor Barbosa aproveitou para dizer aos ouvintes das emissoras parceiras que as entidades e agricultoras não estão rejeitando o apoio do governo e sim rechaçando a forma como o governo tem invadido a agricultura com as sementes produzidas fora da dinâmica histórica da agricultura em todo o estado. “Acredito que essa nossa decisão está se ampliando por todo o estado, acredito que os municípios que resistem são espelho para que os diversos outros municípios possam seguir esse exemplo e nós estamos pensando em fazer um documento para encaminhar ao governo do estado, à Secretaria da Agropecuária e Pesca na pessoa do senhor Marenilson Batista e vamos ter uma conversa, realmente a gente precisa dialogar com os poderes públicos e dizer: olhas não é essa a política que nós queremos, nós queremos uma política que seja construída nas bases exatamente com os agricultores. Que apoio esses agricultores querem realmente do governo em relação as sementes? Será que é essa mesma que está vindo de cima para baixo? Ou é por que eles não estão tendo conhecimento, não tem alguém que esteja lá dizendo os riscos correntes para a agricultura familiar de nossa região?”, explica questionando.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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