Estudo de caso aponta risco na agropecuária especializada e alternativa na atividade diversificada

Trabalhar especializado em uma ou poucas culturas agropecuárias em propriedade rurais da região semi-árida brasileira constitui-se numa atividade de risco muito grande para o empreendedor rural já que a realidade climática nos impõe condição constante com falta de distribuição contínua dos índices hídricos apresentado na maioria dos períodos invernosos de toda a região semi-árida brasileira.

A afirmativa tem como base um estudo de casos realizado pelo professor da Universidade Federal de Campina Grande, Campus Patos, Francisco Nogueira, trabalho apresentado pelo educador em uma Oficina da Rede de Construção do Conhecimento Agroecológico do Território da Borborema que aconteceu no Centro Marista de Eventos em Lagoa Seca-PB durante os dias 02 e 03 de dezembro e entrevista compartilhada com os ouvintes do Programa Domingo Rural deste domingo(23), através da Rádio Serrana de Araruna AM 590 kHz em conexão com a Rádio Cultura de São José do Egito AM 1.320 kHz e Rádio Independente do Cariri FM 107,7 MHZ.

Nogueira acompanhou uma experiência desenvolvida por um agricultor especializado na caprinocultura no município de Prata comparada com a experiência de um agricultor agroecológico no município de Solânea no Curimataú paraibano e garante que o investimento feito em apenas uma atividade coloca em risco a atividade camponesa já que com um possível prejuízo na atividade poderá colocar em risco o empreendimento sem oferecer condições de sobrevivência do empreendedor rural, enquanto que na atividade diversificada quando a família perde numa cultura ela terá alternativas positivas nas diversas culturas desenvolvidas na propriedade. “Nesses dois estudos de caso nós observamos que quem optou por ser especialista entrou numa lógica de uma insegurança alimentar porque o principal produto que ele tinha para botar na mesa era produtos que vinham das cabras, ou o leite ou a carne e mais alguma coisa que ele plantou no roçado, mas ele mesmo não se dedicava muito ao roçado, geralmente quem é especialista em leite de cabras pouco se dedica ao roçado ou pelo menos essa é a tendência de que as pessoas estão acreditando que ser criador de cabra é isso, e o que acontece é que no caso em que nós estamos estudando essa família por só produzir leite de cabra quando ela foi vender leite para o mercado ela teve prejuízo porque suas cabras adoeceram, ele em dezembro do ano passado não produziu leite pra vender pro mercado e entrou num prejuízo forte que foi fortalecido esse prejuízo pela compra massiva de insumos de fora da propriedade, ou seja, toda criação de cabras no caso em que estudamos era alimentada com insumos comprados fora, todo tratamento das doenças dos animais era feito com medicamento comprado fora e ainda pagou-se muito para o profissional médico veterinário pra fazer o tratamento do rebanho, então isso de não produzir os próprios alimentos das cabras onerou demais o sistema de produção, ou seja, elevou demais o custo de produção de leite”, explica Nogueira falando sobre o custo de produção por litro de leite dentre outras informações e mostrando que na relação custo benefício a atividade vai ficando vulnerável e coloca em risco a possibilidade de convivência da atividade na região semi-árida.

Na outra atividade desenvolvia pela família de agricultores de Luiz de Sousa, na comunidade Salgado do Sousa, em Solânea, a diversidade tem dado condições de convivência com a realidade regional em razão das combinações culturais que ofertam condição de trabalho e produção em todas as épocas do ano e diminuindo a capacidade de insucesso na propriedade rural. “Quem foi pra lógica do agronegócio, da especialização, tende a encarecer muito mais os seus produtos e tende a entrar na insegurança alimentar e insustentabilidade do sistema, por outra quem foi para a lógica da agroecologia, que usou a diversificação como principal estratégia tem mais probabilidade de ter maior segurança alimentar porque ele tem vários tipos de alimento, ele tem o ovo da galinha, ele tem a galinha, ele tem feijão, tem milho, tem leite de cabra, ele tem o queijo de vaca, ele tem a fava, tem uma diversidade de alimentos que são produzidas neste sistema de produção e são colocados na mesa da família”, ilustra Francisco ao fazer contato com o Domingo Rural em rede, afirmando que a prática diversifica representa em primeiro lugar a segurança alimentar da família camponesa e em segundo lugar é garantir a autonomia econômica do sistema porque se a família de agricultores tem uma diversidade de culturas para vender no mercado e não fica na dependência de apenas um produto e da produção em apenas uma época do ano.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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