Mobilizadora ASA-CE participa de Domingo Rural falando sobre ações estruturadoras no meio rural daquele estado

A capacidade de organização, resistência e luta do povo camponês cearense gerou um verdadeiro equilíbrio na qualidade de vida das comunidades nas microrregiões do Semiárido do Estado do Ceará. A afirmativa é da componente da Articulação do Semiárido Cearense(ASA-CE), Cristina Nascimento(foto), em entrevista ao Programa Domingo Rural do último domingo(25/01) quando, durante espaço de diálogo, ela falou sobre a luta das organizações daquele estado na perspectiva da convivência com o semiárido.

Durante ampla entrevista ela conta que a realidade do povo daquele estado é de muita diferença quando comparado a um passado não muito distante no meio rural e garante que passar por uma seca devastadora como a atual, que se iniciou em 2012, sem gerar grandes conflitos, êxodos e saques é um sinal dos positivos resultados das políticas públicas e práticas estruturadoras. “Em todos os debates percebemos a eficácia da articulação dos agricultores e organizações dos trabalhadores e trabalhadoras, porque é essa interação em rede que nos mantém fortes também, quando você tem um agricultor lá isolado, sozinho tendo que resistir a todas as adversidades das secas por exemplo, ele sente o resultado de quem está só, mas quando ele está articulado vai trocando ideia, vai construindo alternativa e isso é muito importante”, explica lembrando que esse ano, naquele estado, as organizações estão lembrando os cem anos da ‘seca do 15’, seca histórica no semiárido e no Ceará, em especial. E aí a gente olha pra trás e vê quanta coisa mudou”.
Cristina informou que pesquisas realizadas pelas organizações mostram que, diante das ações estruturadoras no meio rural cearense, na atualidade as secas não mais empurram em massa as populações em busca de trabalho na capital Fortaleza o que, no entender daquela liderança, tem evitado a concorrência no mercado de trabalho e valorizado a mão-de-obra diante da oferta equilibrada da força de trabalho. “Hoje por exemplo, durante esses quatro anos de seca você não tem um êxodo rural como se tinha antigamente, você não teve por exemplo na cidade de Fortaleza a vinda de pessoas do interior para a capital, assim como não aconteceu em vários outros, então São Paulo não recebeu o êxodo rural como aconteceu em outras secas, então isso mostra que há uma mudança e é fruto das ações das organizações apresentando tecnologias para políticas públicas”, explica referindo-se ao trabalho das entidades da ASA que pretendem continuar intensificando esses trabalhos.
Ao dialogar com nosso público ouvinte Domingo Rural, Cristina falou sobre como tem se comportado o governo do estado do Ceará e o Federal na construção das parcerias das políticas públicas na adoção das novas tecnologias sociais e garante que o movimento tem se comportado com a postura de reconhecer as ações políticas em sintonia com as aspirações da sociedade civil e de resistência e críticas àquelas políticas que venham de encontro a vontade da população camponesa. “A gente está num momento agora de mudança de governo, o que a gente tem dito é que há um canal aberto de diálogo e acho que é importante reafirmar. O novo governo também aponta nessa perspectiva porque foi na construção da Secretaria de Desenvolvimento Agrário que a gente conseguiu talvez uma das grandes parcerias no campo ASA, mas nós teremos embates, nós teremos divergências, se a gente olha por exemplo, o Estado do Ceará recebeu mais de 40 mil cisternas de polietileno, cisternas de plásticos que pra gente não reforça a ideia da convivência, mas sim a ideia da indústria da seca, esse é um ponto que pra gente é central também no nosso debate pra convivência, nós não queremos políticas e ações que venham simplesmente dizer que vai combater a seca quando na verdade ela está destinada a fortalecer grupos econômicos, então o nosso debate é em torno da convivência, há um diálogo em construção e a gente espera que a pauta seja algo permanente na nossa ação e relação”.
Fonte : Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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