ONGs do Semiárido perdem parceira internacional que apoiava projetos estruturantes na região

As ONGs, Organizações Não Governamentais do semiárido passam a contabilizar perdas na quantidade de entidades internacionais que tradicionalmente apoio financeiramente projetos de desenvolvimento da região a partir das ações estruturadoras das milhares de unidades familiares rurais dos estados do Nordeste e norte de Minas gerais.

Recentemente diversas organizações internacionais têm deixado as ações apoiadoras na região sob o argumento de que a realidade social, política e econômica no Brasil mudaram para melhor, o que tem motivado esses grupos internacionais optarem em seus investimentos por nações com realidade crítica nas mais diversas instâncias.

Um exemplo de desligamento é a Heifer Internacional Brasil – Argentina que, se intitula de organização com a missão de trabalhar com a comunidade, através de organizações locais, para acabar com a fome, com a pobreza e cuidar da terra, há cerca de sete anos vinha apoiando projetos estruturadores integrados na região semiárida e que está finalizando o último projeto financeiro sem nenhuma perspectiva de renovação de apoio.

O anúncio foi feito pelo diretor da Heifer no Brasil – Argentina, Fernando Larrea(foto) ao conceder entrevista ampla a equipe do Programa Domingo Rural e Universo Rural falando sobre o conjunto dos projetos que foram trabalhados ao longo desses anos em parceria com as entidades da ASA Brasil, Articulação do Semiárido Brasileiro. “Na verdade nós estamos fechando o programa, infelizmente é uma decisão assumida globalmente pela Heifer em razão de umas dificuldades de ordem financeira e assim decidiu reduzir os programas no mundo diminuindo entorno de 30 programas, tentando focar os esforços em algumas áreas e regiões que tenham maior necessidade e, no caso do Brasil, o porque da Heifer estar saindo do Brasil especificamente dentro deste contexto é a redução dos recursos e dos programas e se considerou que, no caso do Brasil, tinha condições, seja por meios dos programas do estado, seja por meio dos esforços das próprias organizações, dos próprios movimentos para continuar avançando em suas lutas, diferente de outras nações e países onde as necessidades e o apoio da Heifer poderia ser considerado como de mais prioridade hoje”, explica dizendo que esses são critérios considerados para o desligamento.

Para a representante da Heifer no semiárido e também componente das entidades na região, Marilene Nascimento, a entidade internacional tem tido importante papel na construção de diversas políticas para o desenvolvimento da agricultura sustentável que leve em consideração a vida do povo e do meio ambiente do meio ambiente. “Enquanto Heifer ao longo desses cinco, seis anos de trabalho a gente está percebendo que a Heifer contribuiu para fortalecer as iniciativas das famílias, das organizações mo sentido de fazer com que aquelas iniciativas como por exemplo o fundo rotativo de animais, os fundos rotativos de telas, fundos rotativos de arame e em algumas outras regiões como também de equipamentos para beneficiamento de frutas, essas são pequenos recursos que as famílias acessam e mais do que isso elas fortalecem laços de solidariedades no sentido de que aquelas famílias que recebem se comprometem a compartilhar para que outras famílias também tenham. Então você vê que uma agência de cooperação vem no sentido de fortalecer o que já existe e fortalecer também processos de autonomia é sempre algo que nos deixa bastante feliz”, explica Marilene ao lamentar a saída da entidade de cooperação por entender que a realidade brasileira ainda requer alguns bons apoios internacionais que substanciariam suporte para a melhor construção nas correlações de forças com os governos e órgãos locais. “Infelizmente a gente tem essa notícia que não agradável a Heifer vai ser mais das organizações de cooperação que está saindo do Brasil, então a gente está com os projetos finalizando, inclusive esse que é o que a gente chama de ‘Projeto Paraíba’ que é um projeto que inclui o Pólo da Borborema, a AS-PTA enquanto assessoria, o Coletivo do Cariri, Seridó e Curimataú e o Patac enquanto entidade de assessoria, então esse projeto está finalizando, ou seja, está praticamente no último mês do projeto”, explica Marilene ao dialogar com o público ouvinte de nossos programas e das nossas emissoras parceiras garantindo que é algo preocupante e requer melhor organização das entidades brasileiras em fazer perceber que ainda temos muitos entraves e, com isso, requer suportes advindos de entidades de diversos outras países e nações.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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