Programa Leite da Paraíba e seca são temas evidenciados durante encontro em Campina Grande

Na manhã do último dia 06 de novembro, aconteceu no auditório do Sebrae, em Campina Grande, mais um encontro para discutir entraves na atividade pecuária e ações que venham beneficiar a pecuária e o pecuarista visando contribuir com a atividade para que possa voltar a contribuir com o Programa Leite da Paraíba que passa por um processo de desabastecimento em conseqüência da queda da produção de leite do Cariri ao Sertão dentre outras.

Num espaço de muitas contradições as lideranças cobraram ações governamentais e ouviram propostas de ações por parte do governo do Estado na busca de minimizar a realidade enfrentada na atualidade pelos pecuaristas de toda a região. “O governo pelo menos está demonstrando boas intenções, sabe-se que não pode atender todos os municípios do estado de uma vez só, eu estive no Sertão numa feira em Sousa, onde meu laticínio ficou em primeiro lugar no queijo e coalho e em lugar na ricota e lá, pelo contrário, devido ter muita água nos açudes está melhor do que o Brejo. E o Curimataú nem se fala”, explica o representante do laticínio ILPLA, com sede em Belém, José Carlos de Sousa, explicando que está com tanques de resfriamento desativados em Algodão de Jandaíra, Frei Martins, Barra de Santa Rosa e Araruna em conseqüência da forte seca e da política do governo frente ao Programa Leite da Paraíba.

A pecuarista Helenice Honorato de Sousa, do município de Monteiro, disse que a realidade naquela região do Cariri não está fácil já que não tem água e comida para os animais, faltando incentivo prático por parte do governo o que tem feito com que os pecuaristas vendam todos os animais de genética já melhorada a preços baixos. “Eu queria que ele(governo) nós, principalmente agora, passando esse milho que está sendo muito mal atendido lá, nós damos cinco, dez viagens pra poder nós receber milho, receber farelo que até agora não recebemos também, tem dia que a gente dorme até lá pra pegar uma fila que vai daqui bem em João Pessoa, nós dorme lá pra pegar uma ficha, a minha foi a 1300 e agora é que vai em 400. Como é que nós vamos receber, nós nunca vamos receber esse milho? Vamos não!”, explica a agricultora dizendo que o verão chegará ao fim sem que os agricultores recebem as ações e políticas emergenciais do governo do estado.

O pecuarista Franklin Delano Nunes desenvolve a atividade no município de Barra de Santana e garante que mesmo diante da decretação de emergência e da pouco oferta de leite quem está produzindo não está tendo condições de fazer entrega ao Programa Leite da Paraíba já que a forma de pagamento não condiz com uma prática que dê condições dos produtores trabalharem numa parceria sustentável. “O governo funciona muito bem na televisão, na propaganda onde as coisas funcionam onde o governo está dando esse incentivo da ração, mas até agora não chegou para o produtor não, você vai via Emater e não consegue falar com ninguém, eu estou desde o ano passando tentando aquele empréstimo de costeio pra comprar ração, rapaz e gente boa só que é ele sozinho pra dentro do município e não tempo de atendo e há dois anos eu tento receber esse dinheiro”, explica aquele pecuarista ao dialogar com os ouvintes da Rádio Serra de Araruna AM 590 kHz e Rádio Bonsucesso de Pombal AM 1180 kHz.

Entrevistado pela equipe Stúdio Rural, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Barra de Santana, Paulo Medeiros Barreto, disse que um dos pontos críticos é a prática do governo em fazer a gestão do Programa Leite da Paraíba já que o programa tem papel importante na segurança mínima alimentar das comunidades pobres que estão sem receber o leite diário em razão do descrédito do governo diante dos produtores que estão optando por outros mercados para a venda do produto e assistindo o desabastecimento do programa e garante que não é falta de leite que tem causado a quebra do programa na Paraíba. “Hoje ele poder estar dizendo que hoje o programa está desabastecido por causa da estiagem, os animais sem ter ração para a alimentação claro que cai a produção hoje, mas e há um ano atrás, há um ano atrás tinha nós não tínhamos problemas com a falta de leite e tinha desabastecimento no Programa. Justamente mostra a questão da limitação financeira, a questão da burocracia pra você receber os seus pagamentos, a questão da burocracia pra enviar todos os documentos pra liberado dinheiro, a contrapartida do Governo do Estado”, explica Medeiros dizendo serem fatores que entravam o Programa e o desenvolvimento da atividade camponesa no estado da Paraíba.

Em defesa do governo estadual, o secretário executivo da Agricultura Familiar, Alexandre Eduardo de Araújo, explicou que desde o final do ano passado o governo prevendo a necessidade de convivência com o semiárido e observando que a seca mais cedo ou mais tarde se torna uma realidade, e em atenção especial aos produtores de leite, iniciou um programa de distribuição de sementes forrageiras onde foram adquiridas 25 toneladas de sementes de sorgo, 10 toneladas de sementes de milheto pra silagem animal e esse ano foi implementando uma distribuição gratuita de forragem de milho e de sorgo na ordem de R$ 6 milhões de reais, recentemente o governo lançou a venda subsidiada de alimento protéico a partir do farelo de soja e a torta de algodão além da compra subsidiada da silagem já pronta para a alimentação animal com preços atrativos dentre outras ações e garante que o governo tem feito o pagamento do leite aos produtores em dia. “Essa coisa de que o governo não paga não é verdade, o governo paga e tem sido feito todo o esforço para o pagamento em dia. Agora mesmo nós recebemos as planilhas da FAC e que os pagamentos estão sendo efetuados com a retomada do programa, nós já temos pagamentos realizados até a segunda quinzena de agosto que é o que nos foi anunciado agora pela Fundação, então não existe essa de que o governo não paga”, explica aquela autoridade evidenciando que o governo tem a obrigação de preencher cadastro para o seu sistema e por isso não tem condições de pagar em igual condição que as queijeiras que diante da crise de leite está pagando preços altos e em dia e que quando voltar a chover e a oferta se ampliar a realidade se inverterá e o programa retomará sua importância.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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