Queimadas realiza mobilização lembrando um ano sem Ana Alice e exigindo o fim da violência contra a mulher

Associações de agricultores e agricultoras do município de Queimadas, entidades do Pólo Sindical e das Entidades da Agricultura Familiar da Borborema estiveram participando de ampla mobilização realizada no último dia 19 de setembro para lembrar um ano do desaparecimento e assassinato da jovem Ana Alice de Macedo Valentim que morava na comunidade Bodopitá, era militante no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Queimadas e Pólo da Borborema e que foi sequestrada, estuprada e morta pelo vaqueiro Leônio Barbosa de Arruda no dia 19 de setembro de 2012 que ocultou o corpo da jovem por 49 dias próximo a residência onde ele morava no Sítio Serrote Branco, em Caturité, Cariri Oriental.

O evento foi realizado pelas entidades da agricultura familiar agroecológica lideradas pelas entidades do Pólo Sindical, componentes do Comitê Ana Alice Contra a violência, e desempenhou as funções de denunciar as formas de violência contra a mulher praticadas no município, exercer celebração por um ano da morte da jovem Ana Alice e ao mesmo tempo pedir justiça contra Leônio Barbosa que estuprou quatro mulheres entre Caturité, Boqueirão e Queimadas e o comparsa que, juntos, praticaram diversos crimes contra a vida da jovem militante da agroecologia do semiárido.

A Concentração se iniciou às 09 horas da manhã daquela quinta-feira(19/09), em seguida transformou-se em ampla caminhada pelas ruas de bairros daquela cidade, inclusive em parte da BR 104, uma parada de cobrança de justiça defronte ao Fórum daquela cidade já que naquele momento estava acontecendo uma audiência para ouvir o agressor, os dois proprietários da fazenda que leônio morava, é a última vítima do maníaco; quando, a partir de então, a caminhada foi direcionada para as ruas centrais da cidade e então foi feito uma celebração coordenada pelo Frei Anastácio e prestigiada pelos agricultores e agricultoras do município de Queimadas e municípios do Pólo. Ao final da atividade religiosa, os participantes voltaram para acompanhar a audiência no Fórum da cidade intensificando pedido justiça e ao mesmo tempo concederam entrevistas à imprensa paraibana.

“Eu fiquei impressionado e senti na população de Queimadas o desejo de justiça, a vontade de que justiça seja feita, ouvindo algumas pessoas participantes desse movimento hoje aqui, eu percebo que aqui há uma organização criminosa para assassinatos, estupros principalmente com jovens e adolescentes com a questão da jovem Ana Alice mostra uma adolescente que tinha uma vida familiar junto aos movimentos e amigos e de repr4ente assassinada brutalmente com a ocultação do cadáver, então acho que precisa que esse movimento cresça e crie uma opinião junto a sociedade de Queimadas e seja levado até as autoridades tanto á nível municipal como a nível estadual e a nível nacional”, explica o celebrante do dia, deputado Frei Anastácio.

Angineide Pereira de Macedo é vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Queimadas, mãe de Ana Alice e uma das coordenadoras do Comitê Ana Alice Contra a Violência e ao dialogar com Stúdio Rural, disse que um se passou e esse tempo fez com que a comunidade motivada pelo Comitê passaram a fortalecer a luta, transformando a dor em trabalho por justiça e por políticas governamentais públicas de segurança e de educação que sejam indutoras de mudanças no meio social. “Hoje a gente se dar contas do tamanho absurdo que estava a violência e a gente não se dava contas porque a gente não tinha acontecido com a gente, a partir do passa a acontecer a gente passa a perceber que esse não é um problema só meu, é um problema que é do meu vizinho que passa a ser meu de novo porque quando é um problema do vizinho a gente acaba sofrendo e sentindo e passa a sentir o mesmo que senti com minha perda quando vejo acontecer com outra pessoa e a partir daí a experiência da gente com os movimentos style=mso-spacerun: yes>  com o companheirismo que a gente vem se fortalecendo a gente vai vendo a importância de o quanto é bom a gente está juntos, o quanto é bom a gente ter alguém que nos dê apoio nesta hora, então é isso que a gente quer que a partir do que aconteceu não seja só dor, que a gente transforme a dor em solidariedade”, explica Agineide.

Maria Anunciada Flor Barbosa Morais é presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e, ao dialogar com nossa equipe, disse da importância do evento acontecido e da importância desse movimento se fortalecer e se ampliar dentro e fora do município com um grito que possa chegar no seio da família, das escolas, da polícia, da justiça e dos detentores de cargos e funções públicas que possam converter recursos financeiros em políticas e ações capazes de transformar a sociedade para o caminho do bem com justiça social a partir da descentralização da economia dentre outras ações transformadoras. “Muitos crimes já aconteciam antes, mas a gente não tomava conhecimento porque ainda não existia o comitê e que muitas vezes as famílias ficavam com medo já que não tinham a quem recorrer, a quem desabar sobre o que estava acontecendo diante de determinado ato no lar, na comunidade. Então a partir do momento em que se cria esse Comitê a gente sente que as famílias têm a liberdade de nos procurar e contar os casos que vêm acontecendo dentro do município e aí o Comitê tem se colocado a disposição para fazer o acompanhamento e para buscar o apoio das autoridades competentes a que é de direito para cada caso porque já temos nos deparados com casos diferentes do outro, quer dizer, são experiências novas que o comitê está vivenciando”.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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