Reunião do Pólo revela produção de laranja agroecológica mesmo com presença da Mosca Negra

Trabalhar uma agricultura com diversidade de culturas e cultivos tem sido uma prática utilizada pela agricultura familiar agroecológica em todo o Compartimento da Borborema que passa a dar respostas positivas diante do ataque empreendido pela Mosca Nesta que sai de sua condição de inseto e passa ao patamar de praga em unidades produtivas que tem a laranja como modelo exclusivo de produção, denominada de monocultura da laranja, prática que proporciona o ataque de determinadas pragas em razão da ausência de inimigos naturais e conseqüente desequilíbrios nas unidades produtivas.

Esses foram termos apresentados na reunião promovida pelo Pólo da Borborema na último segunda-feira, 31 de maio, na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lagoa Seca e que aglutinou agricultores agroecológicos de Lagoa Seca, Matinhas, Alagoa Nova, Remígio, São Sebastião de Lagoa de Roça, Esperança e Massaranduba.

Os agricultores compartilharam informações de como estão produzindo de forma agroecológica com práticas que vão da diversidade de culturas e cultivos na mesma área e garantem que têm alcançado resultados positivos na produção da laranja num processo de convivência com o inseto da Mosca Negra, que em caso de desequilíbrio passariam a condição de praga.

Da reunião, participou o técnico da Emater Paraíba, unidade operativa de Remígio, Hélder Granjeiro, que falou sobre o trabalho que vem sendo feito pelas famílias agricultoras com resultados positivos em tipos diversos de culturas, não sendo diferente na produção de laranja já que as práticas são trabalhadas com manuseio correto do solo e uso de produtos naturais como bioinseticidas e biofertilizantes. “Exatamente, a gente tem informações de ir lá e ver o efeito que tem e que são benéficos oriundos dos produtos que são naturais ou que são oriundos de plantas nativas e plantas introduzidas aqui no país e que vêm ajudando a controlar inclusive permitindo que inimigos naturais estejam presentes nas áreas de ocorrência da Mosca negra e que vem também fazendo o seu controle”, explica Helder ao dialogar com Domingo Rural.

Hélder garante que produzir sem veneno trata-se de um processo diversificado e continuado no sentido de construir a cadeia produtiva sustentável, prática que vem sendo insistentemente trabalhada pelas entidades do Território Agroecológico da Borborema e que vem sendo minado pelas empresas de venenos interessadas em vender seus produtos através de técnicos extensionistas e pesquisadores da Empresa Paraibana de Pesquisas Agropecuárias. “É um equívoco, como eu falei no princípio da minha fala aqui perante a platéia dos agricultores, um equívoco que a gente está verificando junto aos técnicos da pesquisa e junto ao Governo do Estado no sentido de que: fazer uma aplicação ou aplicações de venenos á princípio pra depois entrar com controle biológico é um contracenso até porque ao aplicar o veneno você cria pragas que já tem uma certa resistência ao veneno, automaticamente se você quer entrar posteriormente com o controle biológico essas pragas vão estar mais resistentes, você vai levar mais tempo para controlá-las ao passo em que se você utilizar os inimigos naturais em uma praga que nunca levou veneno você vai ter um sucesso muito mais rápido, o controle vai ser muito mais eficiente. Agora a gente acredita também que só a aplicação de produtos naturais não é uma eficiência muito grande porque falta diversidade no ambiente. O que é que eu quero dizer com diversidade, significa que se você tem um monocultivo de laranja, você tem um prato cheio para que a praga cada vez mais ela tenha condições de se multiplicar e numa velocidade muito grande. Então deve-se trabalhar com o controle biológico e com os produtos naturais além de procurar introduzir no ambiente nos campos de produção de citros da laranja, do limão e da tangerina outras plantas pra criar um ambiente diversificado com plantas que os próprios agricultores já podem cultivar na sua gleba e obter rendas, não são plantas que estão ali apenas para compor a paisagem, são plantas que vão produzir alguma coisa ” Explica aquela extensionista que vem fazendo um trabalho junto ás entidades da ASA.

O representante do Pólo da Borborema, Nelson Anacleto, disse que o movimento dos agricultores saiu fortalecido já que conseguiu reunir agricultores dos principais municípios produtores de laranja atingidos pela praga e que têm apresentado resultados positivos nas unidades produtivas onde usa-se a agroecologia. “São agricultores que estão resistindo contra as pressões principalmente da Emepa e da Emater de que os agricultores são obrigados em ter que usar veneno, condicionam isso a questão do CFO que é o Certificado de comercialização e o mais importante é que esses agricultores demonstram que a sua firmeza, a sua capacidade e mais importante é o fato de estarem controlando a praga e puderem ser repassadores dessas experiências para outros agricultores que infelizmente ainda são incentivados, estão no mundo dos agrotóxicos”, explica Nelson ao dialogar com a equipe Domingo Rural.

Nelson lembrou que o evento teve o papel, também, de denunciar os problemas que vêm sendo registrados na saúde das pessoas e do meio ambiente em que vivem agricultores que usaram venenos e, em razão dos resultados danosos, estão no processo de transição agroecológico.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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