Sindicato reúne aposentados e pensionistas de Queimadas pra discutir os males dos empréstimos consignados

SR261215bO Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Queimadas realizou uma assembleia extraordinária, no último dia 15, pra discutir a realidade de muitos aposentados e pensionistas que vem tendo acentuados prejuízos em razão de empréstimos irregulares que estão sendo praticados por representantes de agências bancárias naquele município.

Conforme as denúncias formuladas naquela instituição, a repetida e acentuada prática no meio urbano e rural vem fazendo com que muitos aposentados e pensionistas passem necessidades porque ao final do mês estão sendo feitos descontos do dinheiro desses idosos aposentados.

Maria Anunciada Flor Barbosa Morais é presidente daquele sindicato e, ao dialogar com Stúdio Rural, disse que o número de pessoas prejudicas naquele município é muito grande e que a prática nociva está acontecendo em todo o Brasil o que motivou uma campanha nacional liderada pela CONTAG através das federações estaduais e sindicatos. “Apareceu tantos bancos com nomes diferentes que nunca a gente havia ouvido falar, pra fazer empréstimos consignados, que hoje os aposentados têm procurado fazer reclamações nesses bancos que não sabem onde é que fica os seus escritórios e muitos dos aposentados também têm sido vítimas até da própria família, de netos, de filhos que terminam convencendo a família a fazer um empréstimo consignado antes mesmo daquele empréstimo encerrar já tem outro contrato em cima feito e portanto é uma questão que está se enfrentando a nível nacional, um problema em que todos os municípios recebem reclamações de agricultores aposentados nas sedes de seus sindicatos”, explica Barbosa Morais.

Ao dialogar com Stúdio Rural, o assessor jurídico do Polo Sindical da Borborema, Joseilson Luiz Alves, disse que a realidade provocou ações e reuniões por todo o país pelos movimentos sociais rurais em decorrência das ações dos bancos que vêm se apropriando dos proventos desses aposentados que começam a passar por privações pelo fato de não poderem mais comprar aquilo que necessitam para continuação de sua sobrevivência, o que provocou ação do movimento via CONTAG buscando entrar com uma ação anulatória desses contratos de empréstimos consignados e de créditos pessoais concedidos aos aposentados para que eles voltem a receber seus proventos na íntegra e se, por ventura, dever alguma coisa ao banco em questão, seja feito um encontro de contas para que sejam pagos eventuais débitos ou tenham restituídos algo que tenha sido pago a mais, restabelecendo o direito. “Não temos nada contra os empréstimos consignados, o governo quando criou o empréstimo consignado era com o objetivo de fazer com que os aposentados se livrassem dos agiotas, entretanto, nos dias de hoje, a gente percebe que os bancos estão aí como se fossem agiotas se aproveitando muitas vezes da ingenuidade da condição de analfabeto ou semianalfabeto da grande maioria dos trabalhadores rurais que não compreendem essa questão da transação bancária e acabam se envolvendo por ofertas generosas que na verdade funcionam mais como um golpe”, explica aquele advogado.

Edilza Lira de Lima reside no sítio Torrões de Queimadas, participou do encontro e dos programas de nossas emissoras explicando que os idosos do meio rural estão vivendo uma realidade de caçados por agiotas que se especializam em lesar essas pessoas a partir de aproximação como se fossem amigos da família e daí passam a fazer uso dos proventos desses aposentados e pensionistas. “Eu achei uma discussão honesta, se isso tivesse acontecido desde o início, minha mãe e tantas outras não teriam passado por isso, porque eu não vou mencionar quantas pessoas nos Torrões passaram por isso pela mesma pessoal, na Sulapa fizeram a mesma coisa”, explica aquela agricultora afirmando que a mãe dela já teve três tipos de descontos em sua pensão e aposentadoria referentes a empréstimos simultaneamente.

Márcia Araújo dos Santos é assessora do Polo da Borborema, participou do encontro e de nossos programas radiofônicos falando sobre o trabalho que está sendo feito pelas entidades do Polo e pelas entidades nacionais lideradas pela CONTAG. “É uma ação em conjunto, então o Polo Sindical da Borborema está nessa luta encampando pra convidar os agricultores para entrar nessa luta que é de todos, pra entrar nessa ação porque a gente acha que é muito importante porque o que está acontecendo com eles agora é muito injusto, tem muitos agricultores que tem tirado quantidades vultosas de seus pagamentos e isso não é justo já que eles estão cobrando juros altíssimos e na verdade eles não explicam direito pra esses aposentados”, explica aquela assessora ao dialogar com nosso público ouvinte.

O objetivo das entidades nacionais, segundo o advogado Joseilson Luiz, é ajuizar aproximadamente no início de março de 2016, num único dia, pelo menos 10 milhões de ações de todo o Brasil como forma de impactar a realidade ainda camuflada e dar uma demonstração de força do movimento sindical camponês e também uma demonstração de insatisfação com essa situação que está colocada.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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