SOS Sertão apresenta campos produtivos com manejo florestal para estudantes de Picuí

Como parte da programação da capacitação sobre manejo florestal comunitário promovido pela ONG SOS Sertão, Organização Sertaneja dos Amigos da Natureza, diversas atividades foram trabalhadas durante a última terça-feira e quarta-feira(27 e 28/09) no Instituto Federal de Educação na cidade de Picuí com intercâmbios para empresas ceramistas em cidade do Rio Grande do Norte e campos produtivos com manejo florestal em assentamento de reforma agrária do município de Cuité, Curimataú paraibano.

Participaram estudantes daquela casa de ensino dentre outras representações, compartilhando práticas e experi AR-SA mso-bidi-language: PT-BR; mso-ansi-language: EN-US; mso-fareast-language: Roman?; New ?Times mso-bidi-font-family: Calibri; mso-fareast-font-family: 11pt; FONT-SIZE: black; COLOR: ?Calibri?,?sans-serif?; FONT-FAMILY: 115%;>ências dentro de um projeto em que faz parte de uma série de ações firmadas através de contrato administrativo com o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e tem o objetivo geral de elaborar, implantar planos de manejo florestais sustentáveis em assentamentos da reforma agrária no estado da Paraíba e discutiu na teoria e prática manejo florestal, tipos de manejo florestal sustentável, manejo florestal da caatinga desde as técnicas e legislação e apresentação de um plano de manejo florestal.

Durante as atividades foi feito exibição de documentário sobre mudanças climáticas além de visita de campo a uma cerâmica no município de Carnaúba dos Dantas-RN fazendo um balanço sobre a necessidade e importância da produção de lenha na região semiárida enquanto indutor do progresso sustentável de cerâmicas, padarias dentre outras atividades rurais e urbanas e que dependem do uso da lenha que tem sido produto escasso para seus funcionamentos.

A equipe visitou também o Plano de Manejo Florestal do Assentamento Brandão III, no município paraibano Cuité, observando in loco um PMFS em funcionamento quando debateram a teoria e prática da atividade sustentável, visualizaram as partes da mata explorada na colheita da lenha observando a regeneração das espécies em áreas já utilizadas no corte da lenha dentre muitas outras informações técnicas sobre o manejo. “No primeiro dia do evento a gente mostrou um tipo de informação mais teórica do que é o manejo, as etapas utilizadas no manejo, qual a diferença do manejo para o desmatamento para exploração comum, e hoje que foi o dia de campo em que a gente levou o pessoal pra vê um plano de manejo em execução em que estava sendo cortado no segundo talhão, a gente visitou o talhão que está sendo explorado agora e o talhão explorado em 2008 pra essa diferença de crescimento, a diferença de regeneração pra mostrar ao pessoal de agroecologia que o manejo não é uma forma de desmatamento e sim uma forma de conservação da caatinga, de uso sustentável de poder explorar o que a gente tem e que a gente possa explorar também durante alguns anos e que nossos filhos possam explorar, nossos netos possam explorar uma área sem nenhum dano ao meio ambiente”, explica o coordenador do trabalho junto a SOS Sertão, engenheiro florestal Felipe Carlos Pereira de Almeida.

José Raniere Santos Ferreira, é agricultor residente na comunidade Serra Baixa de Picuí, estuda agroecologia no Instituto Federal de educação, componente da ONG CEOP, participou dos dias de capacitação e, ao ser entrevistado por nossa equipe, disse que já trata-se de uma parceria com a SOS Sertão a prática de manejo florestal, entende ser sustentável, possível e que precisa ser fortalecido de forma parceira. “Precisa-se fortalecer as parcerias, precisa fortalecer o processo de formação nas comunidades, agregar valores, incentivar outras práticas que envolvam a família, mas as práticas de manejo florestal é uma prática viável que precisa ser incentivada e o CEOP está a disposição para contribuir no que pode aqui na região”.

Edgard Alves de Macedo é agricultor residente no assentamento e beneficiário no recente talhão e, ao dialogar com Stúdio Rural, disse ser importante por ser uma prática em que as famílias criam condição de ter uma atividade extra dentro da legalidade e que se traduz num complemento de renda com a produção da lenha que é um produto de ampla aquisição por parte de empresas diversas que dependem da lenha para seu funcionamento. “Eu acho que isso é o melhor pra todos nós que vivemos nesse ramo de agricultura em que chega um momento que tira uma renda sustentável, dar serviço pra mim que sou o proprietário e para algumas pessoas que estão presentes no assentamento”, explica o agricultor dizendo que o assentamento está autorizado a tirar e transportar a lenha para os mercados locais e mais distantes. “Sem essa prática a terra fica fraca, a gente sem preservou e dou conselho aos visinhos para preservar porque já estamos velhos, mas vem um filho, vem um neto e ele tem que si sustentar daqui de dentro”.

Newton Duque Estrada Barcellos é chefe da unidade regional Nordeste do Serviço Florestal Brasileiro do Ministério do Meio Ambiente, órgão patrocinador do projeto, acompanhou todas as atividades e disse ser uma atividade que atende as expectativas do ministério já que são ações que convergem para os interesses das famílias agricultoras que lidam diretamente com a realidade da produção que pode ser sustentável ou que pode ser trabalhada na lógica predatória. “O Joaquim como dirigente da SOS Sertão ele já está vendo um passo a frente e é isso que me deixa muito feliz em trabalhar com a SOS Sertão, porque o público prioritário dele, que tem essa parceria com o Ministério do Meio Ambiente, são os agricultores, pequenos agricultores que vão ter o manejo florestal, que vão em última análise está cortando uma lenha legalizada, se quiser fazer carvão pode fazer, se quiser vender estaca, mourão também não tem problema, esse é o público prioritário deles e o que a gente assinou contrato com eles pra atender esse público”, explica aquele representante do governo brasileiro. “Aí é que vejo a minha felicidade, a SOS já está olhando para o futuro, por isso os alunos do Instituto Federal na área de agroecologia, são esses meninos que precisam entender que é possível usar um recurso natural de maneira sustentável. Não é proibido usar solo, não é proibido usar água, não é proibido usar uma caça, desde que manejada, não é proibido usar madeira, desde que sabendo usar, então esses meninos que estão estudando hoje agroecologia precisam sim conhecer outro recurso natural chamado caatinga e a agroecologia, como o nome já diz, é uma agricultura muito mais ecológica, é uma forma de produzir alimento que o Brasil e o mundo precisam e a caatinga precisa produzir alimentos de maneira sustentável ”.

Para o coordenador geral da SOS Sertão, Joaquim Araújo de Melo Neto, essa é uma experiência nova que vem sendo disseminada em todo o Nordeste diante da importância da preservação e conservação dos recursos naturais do que ainda resta no bioma caatinga e diz que a prática vem sendo trabalhada e diversos eventos estarão sendo desenvolvidos para mostrar que existe um amplo mercado carente de lenha transformada de diversas formas e que já existem projetos de produção de lenha sustentável com produção e produtividade e que podem ser multiplicados em diversas unidades produtivas de todo o estado e todo o semiárido nordestino. “Sai contemplado e acho que toda a sociedade aqui da região porque a experiência que a gente vem desenvolvendo juntamente com os demais parceiros, com o apoio do Serviço Florestal Brasileiro, vem mostrar e mostrando na prática que o manejo florestal é uma alternativa viável pra conduzir o processo de organização dos assentamentos em relação a questão ambiental. Trazer para os assentamentos uma forma de tirar a madeira de forma legalizada e ao mesmo tempo ganhar um dinheiro a mais aumentando a renda num período que não tem praticamente produção e ao mesmo tempo preservar o meio ambiente é uma experiência que já vem sendo desenvolvida em alguns outros estados e que aqui na Paraíba cada vez mais está se consolidando. A gente espera agora com o apoio da Sudema, com o apoio do Ibama, com o apoio do Governo do Estado, com o apoio de prefeituras aumentar cada vez mais esse processo para que o manejo florestal comunitário no estado da Paraíba seja de fato uma realidade e que todos possam dizer que a importância dele no contexto da preservação de todos os ecossistemas aqui do nosso estado é muito importante”, explica aquele coordenador.

Ele acrescentou que o mercado pede por um processo de produção de lenha ambientalmente correto. “São milhares de metros de madeira que são tirados de forma ilegal, e bom que se diga, com o manejo florestal é tirado de forma legal, mas a maioria ainda é tirado de forma ilegal, por outro lado a gente ver a situação econômica em que não pode ser uma cerâmica ou uma padaria fechar de uma hora pra outra porque estão consumindo madeira ilegal. A nossa observação e nosso objetivo e de todos os órgãos estaduais e federais que trabalham com essa questão é de proporcionar uma maior quantidade de lenha legalizada pra essas empresas que consomem, como a cerâmica em que tivemos ontem a oportunidade de visitar na cidade de Carnaúba dos Dantas que consome mais de quatro caminhões de madeira por semana e muito mais porque existe uma quantidade muito grande de cerâmica”.

Fonte : Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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