Agricultores e pesquisadores avaliam variedade de milho agroecológico destinada aos bancos de sementes

Famílias agricultoras do Pólo da Borborema e Coletivo Regional do Cariri, Seridó e Curimataú participaram de uma oficina de avaliação de uma variedade de milho branco, tradicionalmente trabalhada na agricultura familiar em microrregiões do Estado da Paraíba, numa ação exercida em parceria com a Embrapa Tabuleiros Costeiros e Universidade Federal da Paraíba, Campus Bananeiras dentre outras.

O evento aconteceu na última segunda-feira(19) no Campus daquela universidade que durante toda manhã serviu como espaço de continuação da pesquisa que vem sendo sistematizada na parceria e que objetiva encontrar o ponto de referência produtivo da variedade comparada a outras variedades da agricultura familiar e da própria Embrapa a exemplo da semente de milho catingueiro.

Em entrevista concedida ao Programa Domingo Rural, o professor daquele Campus Universitário, Felipe Silveira Marini, trata-se de um trabalho desenvolvido no coletivo dos agricultores familiares agroecológicos no Estado numa parceria com entidades diversas a exemplo da Universidade que conta com um laboratório de tecnologia em sementes objetivando fazer uma seleção massal de variedades diversas de milho tradicionalmente trabalhadas pelas famílias agricultoras numa avaliação de métodos de plantio já utilizadas em todo o Estado. “Aqui a gente montou um campo de produção de semente de milho branco que veio do Cariri, então estamos em uma outra região com outra característica e se adaptou muito bem aqui. Essa semente foi coletada de um agricultor guardião da semente da paixão e estava armazenada nesse desde 2009 e a gente ceio colocá-la esse ano no cultivo, e como método de cultivo nós temos três: nós colocamos um cultivo adensado do milho onde diminuímos os espaçamentos, colocamos 0,50 cm por 0,25 cm; temos um milho consorciado com a fava com espaçamento de 1,0 metro por 1,0 metro e o milho solteiro sem consórcio de 1,0 metro por 1,0 metro também”, explica aquele educador acrescentando que na terça-feira foi feito uma observação qualitativa do trabalho onde os participantes puderam que não houve grandes diferenças produtiva entre os métodos utilizados e que em breve será feito uma conclusão de pesquisa mais aprofundada.

O representante do Pólo das Entidades da Borborema, Diógenes Fernandes, informou que o trabalho de melhoramento da semente será multiplicada e compartilhada com as entidades e agricultores da agricultura familiar agroecológica com experiência em bancos comunitários de sementes na dinâmica de sementes da paixão e ao mesmo tempo que possa ser referência para um programa de públicas de sementes para a agricultura estadual. “Nesse momento a gente vê a interação entre as famílias, o envolvimento delas com o trabalho vendo que esse trabalho como já vem sendo construído a vários anos a gente vê o empenho das famílias quando vem para o campo olhar um experimento que embora esteja dentro da universidade, mas você ver o envolvimento dessas famílias que estão hoje aqui presentes avaliando a variedade delas próprias que está sendo estudada aqui dentro da universidade pra depois voltar ao campo”.

O estudante daquela universidade no curso de ciências agrárias e participante do projeto, Lucas Kennedy Silva, falou sobre a dinâmica desenvolvida e o processo de aprendizado que se deu entre pesquisadores, agricultores, estudantes e educadores numa verdadeira troca de experiência entre quem produz, pesquisa ensina e aprende. “Eu acho que é muito proveitoso tanto para eles que estão vindo aqui conhecer nossa realidade aqui como pra gente que está promovendo essa prática de socialização dos conhecimentos que eles já trazem do campo que é de muito valor aqui pra gente da academia para estar trabalhando com esses princípios que eles trazem das comunidades deles e aqui para ser realizado no campo onde eles marcaram inicialmente as plantas que el4es achavam que tinham melhor desempenho de palha de espiga e depois a gente realizou essa colheita pra ver se era isso mesmo, se essa planta que ele marcou tinha um bom desempenho, tinha boa qualidade de espiga, de palha e agente constatou que na realidade era isso mesmo, que as plantas que eles marcaram tiveram bom desempenho, são plantas que estão bem desenvolvida, a qualidade da espiga é boa e foi isso que a gente avaliou, que o conhecimento que eles trazem de lá pra cá é muito válido para a gente assim como também o conhecimento que a gente está proporcionando pra eles”, relata Lucas ao dialogar com Domingo Rural.

O agrônomo da AS-PTA, Emanoel Dias, explicou a Domingo Rural que é esse um trabalho onde pega-se o material dos agricultores e traz pra laboratório no sentido de multiplicar, estudar e ao mesmo tempo desenvolver conhecimento e tecnologias para essas famílias agricultoras num processo de compartilhamento geral e por igual e garante que a cada dia as experiências e teses das famílias em acreditar em seus materiais genéticos estão cada vez mais justiçáveis. “Justifica porque os experimentos que foram apresentados aqui, os resultados foram acontecidos no município de Casserengue, então lá tiveram quatro materiais que tiveram ótimo comportamento e comportamento não só da produção de grãos, mas de palha, na produção também da formação das espigas. Esse material também vai ser feito em outros municípios, em outras comunidades pra que também possa ser comparado pra saber se esse resultado também se comporta em cada local, mas nossa idéia toda de fazer essas pesquisas é identificando justamente porque existe uma diversidade de sementes a partir também do gosto das famílias onde cada escolhe seu material pela sua necessidade, se ele cria então vai querer um material que dar palha e dá semente, se a pessoa não cria e vende de repente na feira agroecológica então quer um material que tenha melhor formação de espigas”, explica Dias dizendo que o projeto tem duração de dois anos e que o projeto continua por mais um ano de observações numa promoção do CNPq.

O assessor do PATAC, José Valterlândio Cardoso disse que o trabalho em parceria vem fazendo um verdadeiro grande intercâmbio de informações e tecnologias e que as famílias estão cada dia mais sistematizando informações a cerca de suas variedades e podendo mostrar para os poderes públicos que as variedades da agricultura familiar devem ser melhor interpretadas na hora de se construir políticas públicas de sementes e tecnologias. “Acho que a gente vive num estado que é rico em diversidade, eu acho que a realidade de nosso Cariri, a realidade da região do Curimataú não se apresenta com as mesmas características, então é importante que a gente tenha esses estudos, a gente tenha essas pesquisas para que possa está levando para os governos para a política nacional de sementes mostrando as nossas características que não são características únicas, então cada região tem a sua especificidade. Então é importante a gente estar garantindo esses dados para que a gente não cometa os erros de está desenvolvendo uma coisa e achar que ela vai dar certo em qualquer lugar”, justifica Cardoso ao afirmar que aí mora o núcleo da importância dessa pesquisa compartilhada e participativa.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

Compartilhe se gostou

Deixe seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos marcados como (obrigatório) devem ser preenchidos.

Newsletter

Através da nossa newsletter você ficar informado, o informativo do estudo rural já conta com mais de 20 mil inscritos, faça parte você também.

Back to Top