Acesso a terra e capacitação mudam qualidade de vida de famílias no Cariri

“Minha infância foi assim: a gente muito pobre sempre trabalhando na terra dos outros, meu pai nunca teve uma terra dele, aí o máximo que ele passava num terreno era dois anos porque as vezes o patrão não dava certo e ele não lucrava, muitos filhos(11 filhos) aí surgia outras localidades e ele já se mudava pra lá, chegava lá ia trabalhar e trabalhava mais dois anos. A gente vivia assim, só batendo de canto em canto”.

O argumento é da agricultora Josefa Maria da Silva que acompanhada da irmã Selma Maria da Silva(foto) falam com Stúdio Rural sobre suas vidas ao longo de cerca de cinco décadas circundado na busca da sobrevivência através da venda da mão de obra de toda a família em fazendas de localidades diversas das microrregiões da Paraíba e Pernambuco até que mais recentemente o governo brasileiro comprou a propriedade para reforma agrária que hoje é o assentamento Zé Marculino, nos municípios de Prata, Amparo e Sumé no Cariri paraibano, e que tem proporcionado as condições de produzir alimentos diversos para a família composta de irmãs, irmãos, cunhadas, cunhados, sobrinhos dentre outros membros da família que hoje produzem ampla variedade de cereais, legumes, frutas e até verdura para o alimento da família e o excedente já ousam vender no setor urbano daquelas municipalidades. “A gente veio para aqui, faz bem uns trinta anos que estamos aqui, aí surgiu aqui, compraram aqui a Lajinha, inclusive o roçado da gente aqui nós trabalhávamos de terça e hoje é da gente”, comemoram as agricultoras. “Hoje em dia a gente pode dizer que somos ricos, ricos mesmo, porque hoje em dia a gente trabalha e se for um ano bom de inverno o que a gente lucrar é de nós só”.

Ao contrário da forma de organização na época do latifúndio, todas as famílias criam animais a exemplo de galinhas, vacas, cabras, perus, animais de tração e carga dentre outros, prática que segunda as agricultoras Selma e Josefa era impossível em épocas passadas de patronato. “A gente só via a riqueza nos patrões porque quando a gente lucrava no ano bom de inverno dividia com ele(patrão) e ele ficava com mais”, explica, acrescentando que quando não chovia as pessoas iam em busca de programas emergenciais de governos e em busca de alternativas de vida em outras localidades e Estados. “Nem uma vaca a gente criava, ele(o pai) não podia criar, para os meninos pequenininhos ele criava só uma cabrinha prá tirar um leitinho porque o patrão não dava a ração”, relembra e lamenta a agricultora. “Graças a Deus apareceu essa reforma agrária, que ganhamos essas terras do Incra onde estamos todos assentados e está melhorando muito pra nós, melhorou muito do quando a gente viveu e o que estamos vivendo hoje”.

As famílias levam a vida, além de trabalhar na produção rural, em contar histórias para filhos e netos no sentido de que a história contada seja suporte de resistência para o desenvolvimento de atividades sustentáveis a exemplo de Banco de Sementes com sementes nativas da região, criação de animais nativos da região, plantio, conservação e armazenagem de forragem dentre outras práticas e tecnologias que não causem dependências de mercados e ou grupos. São práticas desenvolvidas com o apoio e tecnologias da Embrapa Campina Grande e outras entidades parceiras.

Fonte : Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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