Agricultoras do Pólo da Borborema compartilham experiências com plantas medicinais

Durante a última quinta e sexta-feira, dias 16 e 17 de setembro, aconteceu o encontro de mulheres que trabalham plantas medicinais. O evento que aconteceu no Centro de Eventos Maristas, em Lagoa Seca, reuniu mais de 60 agricultoras que trabalham o cultivo e uso de plantas medicinais onde diversas experiências bem-sucedidas das famílias agricultoras estiveram presentes e nós do Programa Domingo Rural acompanhamos de perto as ações apresentadas.

style=FONT-FAMILY: 10pt FONT-SIZE: ?Arial?,?sans-serif?;>Maria Isabel da Silva é agricultora na comunidade Pedra Grande de Solânea, participou do evento e, ao falar no Domingo Rural deste domingo(19), fez um balanço da importância daquele evento no processo de compartilhamento de informações. “Eu até me orgulho de participar desses encontros porque foi muito difícil no início, sempre tem as dificuldades, mas a gente supera as dificuldades e esses encontros só faz é enriquecer a gente, tanto a gente quanto a família da gente porque é uma formação que é excelente, principalmente pra nós agricultoras em que os conhecimentos que nós recebemos de antepassados, nossos avós, nossos bisavós, esses conhecimentos não podem acabar e sim continuar. Porque é assim, por exemplo, eu que já estou numa idade mais avançada, tenho que deixar pra minha família porque o futuro do amanhã são os nossos jovens e ai de nós se não passar esses conhecimentos para os nossos jovens”, explica Isabel ao dialogar com os ouvintes das emissoras parceiras.

style=FONT-FAMILY: 10pt FONT-SIZE: ?Arial?,?sans-serif?;>Maria de Lourdes Gomes de Lima, Nêga Lourdes, é do CENEP, Centro de Educação Popular de Nova Palmeira, participou do encontro falando sobre o trabalho desenvolvido pelo Centro naquele município e região do Curimataú paraibano com plantios e beneficiamento das plantas medicinais. “Eu trouxe a experiência que nós temos com plantas medicinais há vinte anos, nós temos uma oficina de remédios caseiros e produzimos remédios a base de plantas medicinais onde temos uns 35 remédios naturais. Então eu trouxe essa grande experiência para a gente trocar com as mulheres aqui que já têm uma grande experiência também”, explica Nêga dizendo que a estrutura da oficina foi construída obedecendo todas orientações da vigilância sanitária e garante que ciência e tecnologia são trabalhados em tudo que se faz, citando com o exemplo o trabalho feito por profissionais das universidades federal e estadual da Paraíba, em Campina Grande.

style=FONT-FAMILY: 10pt FONT-SIZE: ?Arial?,?sans-serif?;>Celerino Carriconde é médico, trabalha com produtos naturais e representou o Centro Nordestino de Medicina Popular em Olinda-PE, participou do encontro com importante palestra educativa e, ao falar com Domingo Rural, disse que trouxe a mensagem de que a sociedade se organize e se empodere de seus cultivos e culturas já que quem tem saber tem poder e quem tem poder consegue mudar e realidade e que não se deixem influenciar pela mídia que, no entender daquele profissional, está na contra-mão da humanidade, trabalhando em favor do capital e não da vida, evidenciando a importância da agricultura familiar de toda a região se organizar e lutar pelo fortalecimento dos trabalhos com plantas medicinais e alimentação orgânica numa lógica de economia solidária enquanto instrumento de transformação social, econômica e ambiental. “Nós temos que ponderar, mas o saber empírico do povo é o primeiro conhecimento que existe, é o saber intuitivo, o saber da natureza onde a pessoa intui, ela vê um animal, os índios aprenderam com os animais e com as plantas para se curar e os animais aprenderam com sua relação com o mundo”, assegura Celerindo lembrando que são conhecimentos básicos desde a origem da humanidade dentro de um processo histórico de aprendizado e aproveitou para criticar a utilização dos métodos científicos que têm se dedica em pesquisar apenas em como produzir o produto sem, ao mesmo tempo, fazer comparativos sobre os impactos reais no corpo humano, citando como exemplo os produtos da Monsanto que oferecem soluções de como produzir sem fazer um trabalho de observação sobre os impactos negativos reais no organismo humano.

style=FONT-FAMILY: 10pt FONT-SIZE: ?Arial?,?sans-serif?;>Adriana Galvão Freire é assessora técnica da ONG AS-PTA, organizadora do evento, e garante que o seminário foi de muito proveito para as famílias agricultoras no processo de resgate dos conhecimentos compartilhados na busca da autonomia das famílias na busca de mais conhecimentos e sabedorias. “Sempre é uma surpresa esse tipo de encontro, é um espaço aonde a gente vem para aprender, mas a gente vem também para ensinar, cada um sabe um pouquinho e aqui hoje todo mundo sai um pouco mais sabido já que cada um pôde trazer um pouquinho de seus conhecimentos, trocar seu conhecimento com a vizinha e ou com uma outra agricultora”, reforça Adriana, evidenciando a importância do médico Celerino Corriconde no processo de discussão sobre o trabalho que vem sendo desenvolvido no país e no mundo além de falar sobre quais as tendências para as políticas públicas voltadas ao desenvolvimento da culturas dos povos locais a exemplo de sementes da agricultura familiar, das ações que priorizem a agroecologia, legislações dentre outras, “É uma pessoa que já tem anos de práticas, pessoa que com muita simplicidade conseguiu aprender com o conhecimento da população, com o conhecimento dos indígenas e conseguiu fazer com perfeição um diálogo entre o saber dele, o saber da medicina e o conhecimento popular. Uma pessoa assim só serve para enriquecer ainda mais um momento como esse, um grande momento de troca de celebração, de comunhão de conhecimentos”, relata Adriana falando aos ouvintes da Rádio Serrana de Araruna, Rádio Cultura de São José do Egito e Rádio Independente FM de Serra Branca.

style=FONT-FAMILY: 10pt FONT-SIZE: ?Arial?,?sans-serif?;>Ela garante que a experiência com plantas medicinais na agricultura familiar da ASA Paraíba já se constitui numa importante referência para o a região semiárida como um todo quando associada ao trabalho que se desenvolve pelas entidades da ASA de cada estado do Nordeste brasileiro. “A gente já vem trabalhando no resgate do conhecimento das plantas medicinais desde o ano de 1998 e de lá prá cá a gente conseguiu construir um acervo muito grande sobre o conhecimento dessas plantas e a gente vem ao longo dos anos sintetizando e aprofundando esses conhecimentos e eu acho que hoje as pessoas já podem utilizar com mais segurança, já conseguem construir a sua própria medicina com autonomia, com liberdade se libertando das farmácias”.

style=FONT-FAMILY: 10pt FONT-SIZE: ?Arial?,?sans-serif?;>Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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